CARRO VELHO

 

 

            Meu carro vinha apresentando pequenos defeitos ultimamente e precisei leva-lo ao mecânico. Logo ao entrar na oficina, entretanto, o rapaz já veio me dizendo que não poderia pegar meu carro, pois estava lotado de serviço. Olhei ao redor e não vi assim tantos carros, mas ele me disse que não era a quantidade de veículos, mas os reparos que precisava fazer.

            Pedi que desse uma olhada em meu carro apenas para que eu soubesse o que deveria ser feito para coloca-lo em ordem. O rapaz concordou e passou a olhar meu carro com uma chave de fenda na mão. Usava a chave como se fosse um bisturi, cutucando aqui e ali. A cada cutucada eu gemia, não suporto mecânico que faz isso. Parece até um médico ansioso para te operar.

            Suspendeu o carro e começou a falar: “Olha doutor, (o doutor era ele), é o seguinte: a suspensão do carro está muito ruim, é como se o carro estivesse andando meio curvado para frente. O senhor nunca percebeu isso?” Eu disse que nunca tinha percebido, talvez porque eu já andava meio curvado. Olhando o escapamento ele disse que o carro estava soltando muitos gases e que o catalisador estava quebrado, tinha que trocar. A comparação comigo mesmo era inevitável, mas eu não tinha nenhum catalisador.

            Ele tirou as rodas e disse que os pneus estavam carecas e não sabia como eu andava daquele jeito, pois o carro pendia ora para um lado ora para outro. Eu achava normal, pois eu mesmo quando andava pendia para os lados.

            Olhou os freios e se espantou: “Doutor como é que o senhor anda com o carro nesse estado”?  “Na descida seu carro não para!” Novamente comparei o carro a mim mesmo, pois quando estou andando em uma descida, não consigo parar e sem querer pareço correr, sem falar que na subida também não consigo parar para tomar fôlego e sempre volto alguns passos. Estou sem embreagem.

            Mas até aí tudo ia bem até a hora em que ele abriu o capô para examinar o motor. Pensei comigo: “Fodeu!” Ele pôs defeito em tudo, o motor estava muito sujo e segundo ele poderia fundir a qualquer momento; desgaste nas velas, o injetor de gasolina entupido o que fazia o carro demorar a andar. Novamente pensei que o mesmo acontecia comigo. Cada vez que eu precisava andar parecia que meu motor engasgava e eu ia tropicando. O reservatório de água estava seco e precisava de aditivo. Eu também precisava.

            Fechou o capô após me falar de outros defeitos e foi examinar a parte elétrica. Os faróis pareciam iluminar cada um para um lado. Pensei comigo que eu também precisava ir a um oftalmologista. Tocou a buzina e quase não se ouvia nada, e pensei: “preciso ir a um otorrino”.

            Cansado e aborrecido com tudo que ouvi do mecânico, deixei o carro internado e peguei um taxi e fui consultar meu médico.

 

Ivan Jubert Guimarães

 

30/10/2017

POESIA NÃO TEM IDADE

 

            Poesia não tem idade, só o poeta é que tem. Há cinquenta anos escrevo poesias; parece que as escrevo todos os dias.

            Nos meus versos coloco a dor que escorre pelo meu rosto o que faz com que eu pareça mais doente do que estou.

            Pensei que fosse morrer no hospital, mas as preces dos amigos foram revigorantes. E agora, revigorado, vou me fortalecer cada vez mais. A doença não vai me vencer tão fácil assim. Sou forte, ela não sabe a força que há dentro de mim.

            Vou continuar vivendo com muita intensidade.

 

Ivan Jubert Guimarães

 

22/06/2017

LIBERDADE

 

 

            Para que liberdade não seja apenas uma estátua, o homem precisa, antes de tudo, libertar-se de si mesmo, ser senhor de si.

            Ser senhor de si é não depender de nada para alcançar a tão sonhada felicidade.

            O que te faz feliz? Ter uma vida confortável, uma bela casa, um bom carro, uma mesa farta e uma família para a qual você alega trabalhar muito para sustenta-la? Você não faz isso, você pode até trabalhar muito, mas faz isso para sustentar suas próprias vontades e desejos. Você é um prisioneiro da matéria, inclusive de seu próprio corpo material.

            Você gosta de se apresentar bem vestido na sociedade, usar bons perfumes, cabelos bem ajeitados, e tudo isso para ser admirado. Você é presa de sua vaidade e acha que é nisso que está a felicidade.

            Talvez ao deitar você agradeça a Deus pelas coisas que você tem, e nem passa por sua cabeça agradecer pelo que você é. É quase certo que você nem saiba quem realmente você é.

            Você só será feliz quando conseguir se desapegar das coisas que você tem ou deseja ter. Não é preciso jogar fora os seus bens, mas não dar a eles a importância que você dá.

            Use seus copos de cristal, os pratos de porcelana e tira do faqueiro aqueles talheres que você guarda desde o dia de seu casamento.

            Quando for a um shopping e ficar maravilhado diante de uma vitrine e se sentir tentado a entrar na loja e comprar o objeto de sua tentação, pergunte-se se realmente precisa daquilo.

            A felicidade não está no Ter e sim no SER.

            Quem é você?

            O dia em que se reconhecer como você realmente é, irá conseguir ser feliz, porque nada de fora irá afetá-lo, nem mesmo a dor, a doença, a inveja, a ira e tantos outros sentimentos.

            Aí você se tornará definitivamente um homem livre!

 

Ivan Jubert Guimarães

 

07/10/2017

DAQUI A POUCO

 

            Era uma vez, numa pequena cidade do interior de Minas Gerais, uma moça que se formou professora e que, prestando concurso público, ingressou em uma creche para crianças.

            Ela gostava da inclusão de crianças com algum tipo de deficiência na sala de aula para promover novas formas de ensino.

            A direção da escola diz que ela era muito dedicada e em sua última aula mostrava aos pequenos alunos a magia do cinema, entre pipocas e doces.

            Janaúba é uma cidade pequena que ficou horrorizada com uma tragédia que se abateu sobre o local. Também ficou conhecida creio que no mundo inteiro.

            Pelo menos até agora não vi os nomes das crianças, afinal elas são apenas vítimas de mais uma crueldade. Mas um nome se destacou dentre todas as vítimas, o da professora Heley de Abreu Silva Batista, uma jovem que deu a vida para salvar suas crianças e ainda atracar-se com o incendiário maluco.

            Talvez ela vire nome de rua em sua pequena cidade, ou até mesmo uma praça receba seu nome em homenagem póstuma. Estão falando que ela é uma heroína por salvar crianças da morte, mas eu acho que ela é heroína duas vezes, porque era professora.

            As pessoas são tão sem memória, que daqui a pouco vão se esquecer dessa professorinha que sofreu a ardência das queimaduras, mas não pensou nela e sim nas crianças.

            Que seu nome seja referenciado, não como nome de rua, mas como nome de escola para ficar perpetuado na lembrança das mães que tiveram suas crianças salvas por essa professora.

 

Ivan Jubert Guimarães

 

07/10/2017

BICHOS

 

 

            Hoje eu estava pensando nos últimos acontecimentos do mundo e não dá mais para ficar estarrecido com o que estou vendo. Um único homem matar mais de cinquenta pessoas atirando do andar de um hotel, não me surpreende mais.

            Ver um ditador coreano ameaçar de atacar os Estados Unidos com seus mísseis de longo alcance, sequer me assusta.

            Ler a notícia de que um maluco joga álcool em crianças e depois as queima e incendeia seu próprio corpo também não me afeta.

            Não que eu não me importe com tudo isso, muito pelo contrário, sinto meu sangue ferver com tanta crueldade. Mas quando a gente conhece a espécie humana, acaba-se achando tudo isso normal, até porque desde que o mundo é mundo essas coisas acontecem.

            A diferença é que antigamente, as informações demoravam muito para chegar e muitas vezes nem chegavam ao nosso conhecimento.

            Somos todos bichos que nos achamos superiores aos demais, mas elefante não mata elefante pelo prazer de matar. Homens matam!

            Nunca soube de alguma história falando de uma guerra entre tigres e leões para dominar a selva.

            Numa situação paralela, também nunca vi nos meus quase setenta anos, tanta podridão na política brasileira que acompanho desde minha adolescência. Roubalheira sempre existiu em nosso país, o próprio Rei D. João VI recebia propinas, praticamente roubava de si mesmo.

            O fato de nossos parlamentares aprovarem uma verba de dois bilhões de reais para as campanhas políticas que visam as próximas eleições é, por si só, de uma violência semelhante às descritas acima. Pode parecer exagero, mas é muito dinheiro que sai dos bolsos de quem paga impostos.

            Ao mesmo tempo em que legislam em causa própria lançam uma emenda que fará com que calemos nossas bocas, pois se um parlamentar qualquer se sentir ofendido em uma rede social, esta terá um curto prazo para retirar a postagem do ar. São atitudes próprias de pessoas ignorantes que querem passar por cima da justiça, justiça essa que não respeitam.

            Se parte desses dois bilhões fossem destinados para a saúde, talvez a tragédia de Janaúba fosse menor, pois transportar crianças queimadas para 600 quilômetros de distância dá para imaginar a dor das queimaduras.

            Não consta da história a existência de imperadores, sultões, reis ou ditadores, ou ainda presidentes que tenham sido complacentes com seu povo ou que tenham governado oferecendo dignidade absoluta para seus países.

            Todos sempre foram iguais e receberão o castigo que merecem. Talvez nada lhes aconteça neste plano, mas quando morrerem descobrirão que Deus existe!

 

Ivan Jubert Guimarães

 

06/10/2017

 

DESAMPARO

 

 

Está certo,

nossos filhos não são nossos filhos,

assim como fazem os mamíferos,

que soltam suas crias logo após o desmame,

deveríamos criar nossos filhos até o momento

em que pudessem se virar sozinhos.

No caso, não após o desmame,

mas, após, no máximo, sua formatura.

 

Mas parece que nos tornamos donos deles,

exigindo que retribuam tudo que um dia

fizemos para eles.

 

Muito do que eles se tornaram ao crescer

foi uma cópia nossa

já que fomos apenas espelho para eles.

Claro que são mais inteligentes do que fomos,

afinal cresceram numa fase de alta tecnologia

e, desde pequenos, seus brinquedos eram

eletrônicos e a televisão a babá eletrônica.

 

É evidente que aprenderam muito mais coisas

do iremos aprender em nossa jornada,

mas, por culpa nossa, não insistimos

em dar-lhes os valores morais e éticos

que fazem muita falta nos dias atuais.

 

Eles cresceram, tornaram-se adultos,

são independentes, mas falta alguma coisa.

Falta-lhes a segurança de fazer as coisas

sem o amparo familiar que sempre tiveram.

 

Alguns fatores, como a crise econômica,

por exemplo, os deixaram à mercê

do medo e da angústia.

A depressão toma conta de muitos jovens,

Inteligentes, com alto potencial,

que falam mais de um idioma,

mas não têm a chance de mostrar

suas habilidades.

 

Quem contrata, exige experiência,

mas como adquirir experiência

se vivem o desemprego?

E cá entre nós, de que vale

experiência acumulada

se a tecnologia avança a cada dia

e nosso conhecimento, aos poucos,

torna-se obsoleto?

 

Os jovens adultos de hoje

conservam hábitos da adolescência,

como o vídeo game e se isolam do mundo.

Outros se deixam conduzir

por falsas lideranças políticas e

engajam-se nas manifestações populares.

 

Diferente dos jovens dos anos sessenta

que mudaram o mundo

com o movimento hippie e com o rock

dos anos cinquenta.

 

Havia o que protestar?

Claro que sim.

O fim da Segunda Guerra

ainda estava próximo e

o mundo já assistia a guerra da Coreia

e horrorizou-se com a guerra do Vietnam.

A ordem era Paz e Amor!

Fazer amor e não a guerra!

Havia revolta em alguns países,

exatamente como ocorre agora.

Bandeiras de países imperialistas

eram queimadas numa legítima

atitude de protesto.

 

E hoje?

Hoje os jovens também protestam

guiados por sindicalistas aproveitadores,

guiados por falsos líderes que querem

tomar os países onde vivem. E, para isso,

conclamam os jovens.

 

Em alguns lugares são pais e mães

que vão protestar nas ruas

junto com seus filhos e netos.

O mundo já não pensa em Amor,

o mundo de hoje faz guerra.

E eu aqui do alto dos

Meu quase setenta anos,

fico imaginando o que será

de meus filhos quando

tiverem minha idade,

e o pior, o que será dos filhos deles?

 

Ivan Jubert Guimarães

 

22/09/2017

O HOMEM QUE MATOU O FASCÍNORA

 

 

            Em 1962, logo após a inauguração de Coward’s City, John Ford nos premiou com uma de suas grandes obras cinematográfica, talvez o seu último trabalho. Na tela aparecem James Stewart, John Wayne e Lee Marvin. Este era o facínora do filme. Quem se lembrar dele certamente vai concordar de que ninguém poderia interpretar melhor o papel de um fascínora. Ele tinha a cara de mau.

            O presidente Michael Temer acaba de ressuscitar a palavra fascínora, que parecia morta nos dicionários de nossa língua, ao dizer que está sendo vítima de fascínoras. Quem são eles? O país está cheio de fascínoras, incluindo ele próprio, Michel Temer.

            Em um país que vive a comédia de delações premiadas, onde os chamados dedos-duros acabam passando de ladrões a heróis, dizer que está sendo vítima de fascínoras é uma infâmia, pois todos os fascínoras que estão presos, ou sob investigação, ou ainda sob suspeita, todos dizem ser inocentes.

Ninguém explica a origem de tanto dinheiro guardado em casa, ou nos paraísos fiscais espalhados pelo mundo.

            São cifras inimagináveis que o cidadão comum nem sabe ler os números, de tão grandes que são.

            O significado da palavra fascínora descreve bem a índole de nossos políticos. Corrijam-me se eu estiver sendo cruel. Fascínora tem alguns significados interessantes, tais como: bandido, malvado, perverso, assassino, criminoso, delinquente, homicida, cangaceiro, miserável, marginal. Será que alguém consegue identificar algum de nossos políticos?

            É um dos maiores, senão o maior faroeste já feito por John Ford, mestre do gênero. E, na vida real, temos a maior corrupção de todos os tempos no país. Há bandidos de todos os tipos descritos acima e, na verdade, há tipos nunca antes imaginados. Nos faroestes e em outros filmes, o dedo-duro sempre acaba morto pelo dedurado. Já imaginaram se na vida real isso acontecesse? Não sobraria ninguém vivo.

            Presidente Michel Temer, você é um dos fascínoras nesta incrível história de delatores e não merece ficar com a mocinha no final.

 

Ivan Jubert Guimarães

 

13/09/2017

THE COWARD CITY - Parte II

 

Mais de vinte anos haviam se passado e a cidade ainda não produzia nada, a não ser políticos e assessores que desde o regime anterior foram enriquecendo. E sem os militares no poder, a coisa degringolou para fora da cidade e foi tomando conta de toda a nação. Com os militares o país havia se desenvolvido bastante com a construção de usinas hidro elétricas, usinas nucleares, a produção de petróleo atingiu níveis nunca antes alcançados e o país tornara-se a oitava economia do mundo.
Mas agora as coisas iam se transformar bastante. Apesar da evidência de que a abertura política já havia sido decretada pelo governo e que os militares largariam o poder, o povo foi insuflado, mais uma vez a ajudar a classe política que fora anistiada e voltava ao país e promoveu grandes movimentos que chamaram de Diretas-Já. Milhões de pessoas saíram às ruas de todo o país clamando por eleições diretas e um deputado sem expressão no cenário político propôs uma emenda constitucional para que fosse votada e o país tivesse eleições diretas. O Congresso não aprovou e aconteceu que o novo presidente fosse eleito indiretamente. De qualquer forma, houve certa alegria do povo, pois o presidente eleito fazia parte de um partido que era opositor ao regime militar. Paul Fluma perdeu para Teodore Nuvem que um dia antes da posse foi acometido de estranha doença e não assumiu. Em seu lugar, assumiu seu vice Joseph Sand, ex-senador do antigo regime que não recebeu a faixa presidencial de John Finger.
A especulação financeira fez com que a inflação batesse recorde e o governo, por decreto, pôs fim à inflação congelando preços e salários e conclamou a população que agisse como seus fiscais. A demanda superou a oferta de produtos e logo as prateleiras dos mercados ficaram vazias.
A discórdia apoderou-se desse governo e o descontentamento era geral. Se no antigo regime os presidentes eram tidos como xerifes não só da cidade, mas de todo o país, agora ninguém respeitava mais nada. A corrupção corria solta e o governo agonizava a olhos vistos.
Para alegria de muitos seu mandato iria terminar e a briga para a eleição do novo comandante da nação foi algo nojento; de um lado um candidato que se dizia ser caçador de marajás em seu pequeno estado que governara; de outro, um sindicalista, sem instrução, sujeito sem a beleza plástica do outro. Este usou de diversas armas sujas para derrotar aquele pobre coitado.
No governo, a cidade foi se enchendo de mais bandidos que foram se espalhando pelos arredores de Coward City. Xerife nenhum conseguiria exterminar, pois não era mais uma única quadrilha, eram várias. Logo no início Falcon retirou do povo e de empresários o dinheiro que possuíam numa tola tentativa de acabar com a inflação, pelo menos era essa sua suposta intenção. Foi o caos. Empresários de outras capitais se juntaram a muitas das quadrilhas e agiam de forma aberta; corrupção sim, mas mexer com seu dinheiro não. Surgiram assessores e tesoureiros de campanha. O antigo caçador de marajás tornou-se um marajá, reformando sua casa com dinheiro público e por oferecer benesses a um grupo recebeu um carro popular de presente. Foi o que bastava para que todas as quadrilhas de então quisesse tirá-lo do poder. O que fizeram? Novamente convocaram o povo para ajuda-los na tarefa e os jovens de então, pintaram suas caras inocentes e saíram às ruas exigindo o impeachment do presidente que renunciou ao mandato quando assistia no Congresso sua derrocada Falcon Calo de Mellon saiu de mãos dadas com a mulher da época e voltou para sua cidade, onde mais tarde foi eleito senador.
Seu vice, Irving Francis, assumiu o governo e no curto período em que governou, criou um plano para restabelecer o valor da moeda já que não se tinha mais nenhuma. O dinheiro era fictício e seu valor estava atrelado a indexadores. Chamou um sociólogo e juntos criaram um plano, dando novo nome para o dinheiro que passou a chamar-se Real e equiparou seu valor ao dólar americano. Era mais uma tentativa de acabar com a inflação que atingira níveis nunca antes alcançados;
Irving Francis era um bom homem, e gostava de mulheres, tanto que apareceu na antiga capital, durante um desfile de carnaval acompanhado de uma beldade que não usava calcinhas e foi fotografado ao seu lado e a foto saiu em todos os jornais da época.
Seu plano econômico deu certo e seu ministro saiu candidato a seu sucessor concorrendo com aquele metalúrgico e ganhou a eleição.
Fred Herbert Card realizou um bom governo valendo-se principalmente do plano de seu antecessor que virara embaixador para que não desfrutasse da glória de seu sucessor.
Fred foi reeleito concorrendo novamente com o metalúrgico que não desistia de ser presidente. A corrupção continuava existindo e os paraísos fiscais foram crescendo com isso. O país crescia, mas a essa altura o dólar já tinha subido de novo a patamares reais.
Ao fim de seu mandato o metalúrgico Louis Lewis Silva, conhecido como Loule finalmente conseguiu seu intento e foi eleito presidente.
Beneficiado pelo plano do governo anterior viveu momentos de glória sendo aclamado em qualquer lugar que visitasse; e como fez visitas o danado. Trocou o antigo avião presidencial por um mais moderno que ficou conhecido como Aeroloule. Foi um fanfarrão e a corrupção tomou conta de Coward City e de toda a nação. As quadrilhas se multiplicaram e para se ter apoio era preciso negociar com muitas delas. E negociar com chefes de quadrilhas de bandidos não é uma coisa fácil. Repartições públicas, empresas estatais como Petrobrás, Correios e outras foram assolados por larápios que davam propinas ao vivo pelos circuitos de segurança das empresas.
Coward City, a essa altura virou um bordel. O presidente arrumou uma amante e com ela viajava em seu avião para diversos países e às vezes até levava a primeira dama que nunca abria a boca. Mas, o que é bom dura pouco e o metalúrgico após cumprir dois mandatos deu lugar a uma mulher que foi sua sucessora. Tratava-se de uma ex-guerrilheira dos tempos do regime militar, cujo maior feito foi o assalto à casa de um ex-governador de importante estado brasileiro. Era alguém que já estava acostumada a roubar, a atirar e até mesmo em matar. E falando em matar, isso começou a tomar forma em Coward City. O tesoureiro de Falcon foi assassinado junto com a amante, dois prefeitos também, e sem falar em alguns anônimos como porteiros de puteiro, motoristas que desapareceram com muito dinheiro nos bolsos para não abrirem a boca.
Dorothy Rose fora eleita devido à popularidade de Loule. Uma mulher sem preparo, cuja burrice estava à altura do povo que a elegera. O povo sempre se sente atraído por pessoas que estão acima delas. Ela junto com suas colegas de bordel fizeram misérias nas empresas estatais. Senadoras viajavam juntas para outros estados apenas para fazer o cabelo. Era um acinte contra as mulheres do país, muitas delas sem dinheiro para fazer as unhas. Mas o povo aceitava tudo e ainda reelegeu a burrice ambulante, uma mulher que não sabia se pronunciar e só falava bobagens.
Surgiram em seu governo denúncias de corrupção que envolvia desde seu antecessor e diversos deputados e senadores. Nunca se ouviu falar tanto em dinheiro como nessa época. Passou a ficar cada vez mais difícil encontrar um político honesto. A Polícia Federal criada ainda no regime militar nunca trabalhou tanto. Os Rangers vasculharam as casas de políticos em todo o território e até mesmo no exterior e havia dinheiro sujo em todos os lugares. A certeza da impunidade era tanta que dinheiro era transportado até em cuecas.
A presidente caiu diante de um impeachment e seu sucessor Mike Timer assumiu o governo. Mas tudo continuou igual, embora Mike sabia falar bem e, por isso, continuou a enganar os cidadãos.
A culpa disso tudo não é só de Coward City, já que em todo o país a corrupção é quem manda. Mas Coward City virou uma cidade de covardes, onde um delata o outro e quase todos estão em liberdade. Chegam a chorar em seus depoimentos, mas logo, em prisão domiciliar, são apanhados com malas cheias de dinheiro. Não se guarda mais dinheiro em cofres, agora são malas e caixas de papelão. O povo continua frequentando estádios de futebol, shows de rock e de música sertaneja. Lota as ruas para assistir desfiles de gays e associados, às vezes sai às ruas, comandados por sindicatos porque a passagem do ônibus aumentou. É uma cena triste para um país, mas é uma piada para outros países.
Tudo isso sem falar nos empresários que se tornaram os homens mais ricos do país. Um deles enriqueceu sem que suas empresas produzissem uma única gota de petróleo. Outros, os vaqueiros irmãos Jack Black e Wil Black que se tornaram os verdadeiros reis do gado. 
Coward City deveria ser transformada em um presídio e qualquer um só poderia sair de lá se provasse que é honesto. Mas é o resultado de uma máxima: “Tudo que começa errado termina errado”.

Ivan Jubert Guimarães
09/09/2017

Parte superior do formulário

 

 

THE COWARD CITY

 

Tudo começou no Planalto Central de um grande país, cuja sede de governo situava-se numa maravilhosa cidade na costa leste da nação. O Poder Executivo tinha um plano de metas de fazer o país crescer cinquenta anos em cinco. Esse plano consistia em mudar a capital para o Planalto Central com a justificativa de que era o coração do país, e, também, para tirar a capital de uma região tão vulnerável como o litoral, pois navios inimigos, em caso de guerra, poderiam tomar o país em poucas horas.
O presidente John Kobe não hesitou em colocar seu plano em ação, não analisando custos e, desde aquela época, enriquecendo empreiteiros.
As estradas que levavam até a Nova Capital ainda eram rudimentares e outro plano consistiu na abertura de estradas, fato que empolgou as montadoras de veículos multinacionais que teriam apenas um forte concorrente que era o transporte ferroviário. Problema fácil de resolver bastava acabar com o sistema ferroviário do país. E isso foi feito.
A mão de obra da construção da cidade era feita pelos candangos, homens que viviam nas cercanias do local. E milhares de homens à procura de trabalho também se dirigiam ao Planalto Central e foram construídas cidades satélites no entorno da Nova Capital.
As sedes dos poderes receberam os nomes de palácios numa demonstração de megalomania que iria perdurar por muitos anos.
O ar era muito seco e resolveu-se por em prática um antigo plano de uma chamada Missão Cruls do século passado da época. Construíram o enorme lago que poderia abrandar a secura da região. Foi necessária muita água para encher o lago.
Com a cidade semi pronta, o presidente John Kobe procedeu a sua inauguração. Foi uma festa! Estava em final de mandato e não poderia candidatar-se à reeleição, e seu sucessor foi James Quin vindo de uma coligação de vários partidos. Já tinha sido governador de um grande estado ou prefeito da maior cidade do país. Naquele tempo votava-se para presidente e para o vice-presidente e o vice eleito foi John Garrett, um homem com ideias esquerdistas.
O presidente era um fanfarrão e condecorou um presidente comunista e também seu principal guerrilheiro. Isso provocou uma reação muito forte no governo e o presidente começou a perder força no Congresso Nacional, ficando sem condições de governar.
Numa tentativa extrema de continuar no poder, pediu uma reunião com os ministros militares. Nessa reunião estava acompanhado de dois deputados federais. O presidente foi claro, ou recebia apoio dos militares ou renunciaria, e jogou a carta de renúncia em cima da mesa. Os militares sabiam que aquela renúncia era impossível, afinal o vice presidente encontrava-se num distante país da Ásia. Os militares concordaram com as exigências do presidente e tão logo saíram da sala, James Quin e seus dois amigos, começaram uma festa muito grande com muita algazarra e papéis picados jogados para o alto. O que eles não imaginavam era que um dos ministros esquecera sua pasta na mesa de reunião e abrindo a porta da sala viu aquela festa toda. Apanhou sua pasta e pegou a carta de renúncia que ainda estava em cima da mesa. E foi assim que terminou o governo de um grande blefador. 
Mal chegara do exterior John Garrett começou a governar, mas não tinha apoio nenhum e se valeu de plataformas populistas como Reforma Agrária e outras coisas. Fazia comícios inflamados para trabalhadores ferroviários e agricultores, mas não conseguia apoio do Congresso. Foi depois, pouco tempo depois, por um golpe de estado que acabou com as eleições diretas.
O povo estava dividido, alguns apoiavam o golpe militar e outros tinham muito medo do que poderia acontecer.
O primeiro presidente militar era conhecido como Castle White. Apesar da aparência rude foi um bom presidente, pois colocou um pouco de ordem na casa. Tinha a intenção após o seu governo de promover eleições diretas, mas os militares gostaram do poder e após o término do governo, outro militar foi elevado ao cargo de presidente da república, Coast Steve que apesar de ter muita inteligência militar, fez um governo muito duro para a população, lançando mão de diversos atos institucionais que proibiam tudo. A censura invadiu as emissoras de rádio e televisão e ainda as redações dos grandes jornais do país.
Havia muita discordância de alguns militares com seu governo e, estranhamente Coast Steve teve um derrame e foi afastado do poder. Seu vice era um civil e foi impedido de assumir e, em seu lugar, criou-se uma junta militar que governaria até que novas eleições indiretas fossem marcadas.
Muito se discutiu na época se o presidente realmente ficara doente, até porque seu antecessor morrera num suspeito desastre de avião.
Depois da Junta Militar veio outro general, Emile G. Menon, um homem que governou mal e para se sustentar no poder, lançava frases ufanistas para enganar o povo.
Coward City não produzia nada, não tinha agricultura e nem indústrias, mas virou um cabide de empregos que para mostrar ao povo um milagre econômico, os ministérios e as empresas estatais ficaram lotadas de empregados bem remunerados, mas sem funções. Eram assessores, adjuntos e toda uma leva de funcionários sem capacitação profissional. Foi um período de ilusão, pois aparentemente não faltava trabalho para ninguém, mas a bolha iria estourar mais tarde.
Emile G. Menon foi sucedido por Ernest Golf, um homem austero que iniciou o processo de abertura política que faria com que os militares deixassem o poder. Claro que isso se deveu, também, às pressões que sofria dentro do próprio governo. É dele uma frase célebre sob esse processo, quando disse "Se é a vontade do povo brasileiro eu promoverei a Abertura Política no Brasil. Mas chegará um tempo que o povo sentirá saudade do Regime Militar. Pois muitos desses que lideram o fim do Regime não estão visando o bem do povo, mas sim seus próprios interesses”.
O último presidente militar foi John B. Finger, um autêntico cowboy que preferia o cheiro de cavalo ao cheiro de povo. Homem desprovido de maior inteligência era intempestivo e gritava que mandava prender, bater e arrebentar quem fosse contra a abertura política. Ao assumir o governo ele disse que haveria de fazer do país uma democracia. Deixou o governo pedindo que se esquecessem dele e turrão como era não passou a faixa presidencial para seu sucessor.

UM DIA, MEU PAI

 

 

            Mais um Dia dos Pais e o meu já não habita mais este mundo.

            A partir de minha adolescência meu relacionamento com meu pai foi enfraquecendo e, muitas vezes, cheguei a sentir vergonha dele. Os motivos foram vários e duraram muitos anos.

            Na fase adulta, eu já casado, meu pau me deu bons conselhos num momento em que eu pensava em sair do emprego. Há muito ele já havia empobrecido, mas nunca ouvi reclamar da vida e sempre brincando com os outros. De empresário bem sucedido passou a dirigir um taxi de frota durante a noite e dormia em um estacionamento. Sempre trabalhou até sofrer um AVC que o deixou parcialmente paralisado. Nessa época foi morar comigo e ainda sofreu mais dois AVC e sempre recuperou os movimentos.

            Tivemos alguns atritos nesse período; faltou-me a compreensão para entendê-lo.

            Fez coisas errada, é verdade. Foi punido por isso, pela justiça, por parentes e pelos falsos amigos dos tempos de bonança.

Tornou-se alvo de minhas críticas e me esqueci completamente de minha infância quando ele me levava para a praia ou a um clube de campo e jogava bola comigo. Quando íamos à praia entrávamos juntos no mar e ele costumava nadar até onde não havia mais ondas e depois boiava como se estivesse descansando. Depois voltava nadando até onde eu estava e segurando-me pelas mãos me ensinava a nadar, coisa que nunca soube fazer muito bem, e nunca aprendi a boiar.

E os brinquedos? Sempre tive tudo o que eu queria e ele nunca media esforços para me agradar. Todos os meus primos sempre foram seus sobrinhos favoritos e estes tinham nele o tio preferido.

Meu pai ajudou muita gente na vida e não recebeu nada em troca a não ser o carinhos de seus sobrinhos.

Critiquei muito meu pai, creio que até humilhei-o mais de uma vez.

Cada vez que tinha que leva-lo a um pronto-socorro de madrugada, eu ficava nervoso, pois ele não se tratava. Fumava muito e bebia cachaça e eu sempre o censurava por isso, embora eu também fumasse bastante, até mais do que ele, e também bebia quase todos os dias.

Um dia compreendi que não conseguiria mudá-lo e parei de censurá-lo. Viveu mais um ano e creio ter sido o ano mais feliz em que viveu comigo.

Ele adorava meus filhos, tinha orgulho de ser avô e me lembro de quando meu filho nasceu e ele foi até a maternidade e ele me abraçou e eu disse a ele que meu filho tinha a cara dele. Ele ficou muito feliz com minha observação.

Não me sai da cabeça o domingo em que o levei ao pronto-socorro. De todas as vezes que eu o levara, aquela vez foi a que ele me pareceu melhor. Ele tinha que ser internado, mas não havia vagas no hospital e ele seria transferido. Ficou sentado no pátio do hospital esperando a chegada de uma ambulância. Não foi permitido que eu o levasse em meu carro. Segui a ambulância até o hospital (onde ele já havia sido internado uma vez) e a impressão que tive do hospital não era nada agradável.

Quando estávamos no pátio do outro hospital ele me disse que dessa vez ele não escaparia com vida e eu pedi que ele não falasse essas coisas porque aparentemente ele estava bem.

Eu não sabia que tinha tido minha última conversa com ele.

No dia seguinte, logo pela manhã, eu estava visitando um cliente e meu gerente ligou para a empresa pedindo para falar comigo. Quando atendi, meu gerente foi curto e grosso: “Ivan, ligue para sua casa que seu pai morreu”.

Não dá para explicar o sentimento que tive na hora. Falei com minha mãe chorosa e fui para casa. Pedi que avisassem a família, os amigos e os vizinhos e fui para o hospital. Lá me pediram para fazer o reconhecimento do corpo. Foi a pior sensação que tive na vida até aquele momento. Seus olhos estavam abertos, fechei-os e dei-lhe o beijo que ele aguardou por anos.

Foi sepultado no mesmo dia e tinha pouca gente no cemitério, mas os sobrinhos estavam lá.

Que saudades meu pai! Espero que tenha me perdoado!

 

Ivan Jubert Guimarães

 

13/08/2017

MINAS GERAIS!

 

 

            Hoje eu estava lembrando a tragédia de Mariana em Minas Gerais. Isso  porque, há dias atrás, vi a notícia de que um juiz mineiro anulou o processo contra os diretores da Samarco, da Vale e da BHP, por achar improcedente a acusação devido a gravações sem autorização judicial.

            Não importa qual o motivo, o que me causa estranheza é que a decisão partiu de um juiz de Minas Gerais.

            Acontece que acabo de ver um programa da TV Cultura de São Paulo que fez uma abordagem até poética sobre o Rio Doce, mostrando como está a vida de moradores da região e de índios que sobrevivem da pesca. Um índio, ou caboclo, contava com tristeza que quando ele era criança, o pai o levava ao rio para pescar, para tomar banho, atividades essas que cessaram há dois anos.

            Logo depois, começou outro programa chamado Caminhos e Parcerias onde a jornalista Neide Duarte fez uma das mais belas reportagens que já vi, sobre catadores de papel de Belo Horizonte. Confesso que fiquei impressionado com esses trabalhadores a quem sempre julguei por atrapalharem o trânsito de uma cidade como São Paulo. Quando acontece de ficar atrás de um desses carregadores, puxando suas carroças, ficava nervoso dentro do conforto de meu carro e buzinava por não conseguir ultrapassá-los.

Hoje, no entanto, vi mulheres que saem à cata de papel durante a noite pelas ruas de Belo Horizonte e voltam para os lugares onde descansam onde nem sempre é uma casa, depois de puxarem suas carroças com 700 quilos ou até uma tonelada de papel. É preciso força para isso. Não dormem durante o dia, pois separam o produto de sua coleta para revender a quem fará a reciclagem. Vi uma mulher, moça ainda, dizer que após a venda de sua carga recebera cerca de vinte reais.

Creio ter sido a prefeitura da cidade que criou a Associação dos Catadores de Papel de Belo Horizonte e com isso a vida de muitos catadores melhorou. Uma mulher, de nome Geralda, hoje é coordenadora dessa Associação e durante muito tempo catou papel junto com nove filhos e agora conseguiu colocar todos eles na escola. Ela mesma está aprendendo a ler e escrever, coisa inimaginável tempos atrás.

            Outra mulher, perguntada sobre quanto tempo viveu nas ruas, respondeu que faz apenas dois anos que deixou as ruas e hoje conseguiu à custa de muito esforço morar em uma casa.

            Duas reportagens sobre Minas Gerais, uma que me entristeceu pelo descaso das autoridades com o que uma empresa fez com Mariana, empresa essa que continua jogando dejetos no Rio Doce. Mas a outra reportagem, apesar da situação de vida quase miserável dos entrevistados, encheu-me de alegria por ver um povo trabalhador cujos sonhos são ter sonhos como outras pessoas e suas crianças têm sonhos ainda menores por que catar papel é o universo que elas conhecem.

 

Ivan Jubert Guimarães

 

09/08/2017

UMA PEQUENA FÁBULA

O PEIXE E O PESCADOR

 

Ele era um homem normal, do tipo que gostaria de fazer o que tivesse vontade. Seu sonho era ser livre, gostava de ler e de curtir a natureza. Estava cansado daquela vida de escritório, de usar gravata o dia inteiro não importava o calor que estivesse fazendo.

            Lembrou-se de um livro que lera muito tempo atrás, no qual um homem passava os dias no mar tentando capturar um grande peixe. Passou a vida perseguindo o danado.

            O homem sentiu vontade de fazer a mesma coisa, embora vivesse bem longe do litoral. Mas ele tinha uma pequena cabana nas montanhas e lá perto tinha um rio bastante caudaloso. Fazia tempo que não ia para lá e pensou que estava na hora de fazer uma visita ao local. De repente sentiu falta das conversas da população local que nas rodadas de cachaça falavam de um grande peixe que vivia no rio e que só era visto quando emergia do rio.

            Fechou seu escritório, foi para casa e arrumou suas coisas partindo em seguida para as montanhas.

            Logo no dia seguinte, acordou cedo e foi passear no vale e ver o rio. Teve uma boa sensação, sentou-se à margem e ficou a observar a paisagem e as águas do rio. De repente ele viu, foi muito rápido, mas ele viu um grande peixe saltar no rio. Ficou extasiado com a beleza e tamanho daquele peixe. O peixe tornou a saltar e o homem se sentiu desafiado a pesca-lo. Era verdade, então, o peixe realmente existia.

            Passou muito tempo sentado à margem, mas o peixe não voltou mais.

            No dia seguinte, bem cedo, voltou ao mesmo lugar onde estivera no dia anterior, levando com ele vara de pescar, anzol, carretilha, comida e cachaça. Água ele beberia do rio.

            Colocou iscas no anzol e lançou a vara no rio e esperou. O peixe aparecia de vez em quando, mas longe da isca. Bicho esperto, ele pensou.

            Outros peixes menores pegavam a isca e o homem muitas vezes os devolvia ao rio. Estava lá para pegar o peixe grande, que era muito arisco.

            Todos os dias ele voltava para o rio na tentativa de pegar o peixe grande, mas nada do bicho pegar sua isca. Vez por outra ele pescava um peixe médio que até daria para uma boa refeição.

            O homem já sentia a frustração do fracasso e chegou a pensar em pegar o peixe com um tiro, mas pensou que seria covardia dele, afinal qual seria a vantagem de atirar no peixe? O que iria contar nas rodadas de cachaça à noite?

            Achou que estava se distraindo pegando peixes de bom tamanho, mas longe do peixe que parecia zombar do homem. Desistiu dos peixes e concentrou sua atenção no peixe que realmente queria pegar.

            Quando um peixe de bom tamanho pegava a isca, o homem o devolvia ao rio. Quando o peixe grande saltava no rio, parecia dar um sorriso de deboche.

            Coitado do homem, agora, depois de desprezar os peixes de tamanho médio, só conhecia pegar lambaris. Enquanto isso, o peixe grande e arisco nadava e saltava no rio.

 

Ivan Jubert Guimarães

 

26/05/2017

AMIZADE

 

 

            Estamos vivendo em uma época muito difícil em que os valores humanos estão perdendo força. Ética e Moral são apenas definições de como nosso comportamento deveria ser. O homem olha apenas para seu próprio umbigo e não se importa com o outro homem.

            Podemos dizer que a amizade entre duas ou mais pessoas existe quando elas têm o mesmo objetivo. Do contrário, com pensamentos ou ideias diferentes um começa a atacar o outro, uma vez que este não serve mais para ele.

            Os políticos brasileiros são amigos entre si já que têm o mesmo objetivo qual seja o do enriquecimento ilícito. São mesmo amigos, mas à medida que um muda de opinião, passa a ser inimigo. Eles trocam de partido como trocam suas gravatas, mas conservam a amizade porque possuem o mesmo objetivo. Basta, porém, que um tenha suas falcatruas descobertas a amizade termina e surgem as delações premiadas, as traições. Isso acontece porque um não quer ir preso e o outro deseja continuar roubando. Os objetivos de cada um mudaram.

            E você?

Você tem amigos? Quem é seu amigo?

Amizade é prova de confiança, não se deixa levar por tentações.

 

Exemplo: a conhecida história do escorpião à beira do riacho que viu um sapo, que ao ver o escorpião se afasta, pois ele é venenoso.

 

-          Não se assuste. Quero atravessar o rio e não sei nadar. Você me leva nas costas para atravessar o rio?

-          Tá louco, eu?

-          Não?! Veja bem todos aqui, são amigos, irmãos, vamos dar a mão, seja bom!

 

O sapo, nada. Não queria saber de levar o escorpião, mas este apela para a macro e ataca com tudo:

 

-          Olha, se você me levar nas costas o que acontece se eu te picar?

-          Eu morro!

-          É, você morre, mas eu também morro pois não sei nadar.

 

 

O sapo pensou, pensou e acabou aceitando. De vez em quando olhava pra cima de

suas costas, desconfiado. O escorpião encarapitado em suas costas dizia:

 

-          Fica tranquilo!

 

E com seus botões pensava: “não posso fazer isso, o sapo é meu amigo, traí-lo não

é certo “mas ao mesmo tempo pensava: “nunca foi tão fácil...ninguém olhando, ninguém vai saber de nada. Talvez ele até goste...veja como ele olha, está esperando que eu o pique!”. E assim, de racionalização em racionalização, no auge da excitação, ele pica o sapo, que morre imediatamente e ele, como não sabia nadar, morreu também, pois não havia chegado à margem.

 

 

            Moral da história: Um morreu de desgosto por não ter reconhecido antes. O outro morreu de prazer por ter cumprido aquilo que estava escrito em sua essência.

AMIZADE

 

 

            Estamos vivendo em uma época muito difícil em que os valores humanos estão perdendo força. Ética e Moral são apenas definições de como nosso comportamento deveria ser. O homem olha apenas para seu próprio umbigo e não se importa com o outro homem.

            Podemos dizer que a amizade entre duas ou mais pessoas existe quando elas têm o mesmo objetivo. Do contrário, com pensamentos ou ideias diferentes um começa a atacar o outro, uma vez que este não serve mais para ele.

            Os políticos brasileiros são amigos entre si já que têm o mesmo objetivo qual seja o do enriquecimento ilícito. São mesmo amigos, mas à medida que um muda de opinião, passa a ser inimigo. Eles trocam de partido como trocam suas gravatas, mas conservam a amizade porque possuem o mesmo objetivo. Basta, porém, que um tenha suas falcatruas descobertas a amizade termina e surgem as delações premiadas, as traições. Isso acontece porque um não quer ir preso e o outro deseja continuar roubando. Os objetivos de cada um mudaram.

            E você?

Você tem amigos? Quem é seu amigo?

Amizade é prova de confiança, não se deixa levar por tentações.

 

Exemplo: a história do escorpião à beira do riacho que viu um sapo, que ao ver o escorpião se afasta, pois ele é venenoso.

 

-          Não se assuste. Quero atravessar o rio e não sei nadar. Você me leva nas costas para atravessar o rio?

-          Tá louco, eu?

-          Não?! Veja bem todos aqui, são amigos, irmãos, vamos dar a mão, seja bom!

 

O sapo, nada. Não queria saber de levar o escorpião, mas este apela para a macro e ataca com tudo:

 

-          Olha, se você me levar nas costas o que acontece se eu te picar?

-          Eu morro!

-          É, você morre, mas eu também morro pois não sei nadar.

 

 

O sapo pensou, pensou e acabou aceitando. De vez em quando olhava pra cima de

suas costas, desconfiado. O escorpião encarapitado em suas costas dizia:

 

-          Fica tranquilo!

 

E com seus botões pensava: “não posso fazer isso, o sapo é meu amigo, traí-lo não

é certo “mas ao mesmo tempo pensava: “nunca foi tão fácil...ninguém olhando, ninguém vai saber de nada. Talvez ele até goste...veja como ele olha, está esperando que eu o pique!”. E assim, de racionalização em racionalização, no auge da excitação, ele pica o sapo, que morre imediatamente e ele, como não sabia nadar, morreu também, pois não havia chegado à margem.

 

 

            Moral da história: Um morreu de desgosto por não ter reconhecido antes. O outro morreu de prazer por ter cumprido aquilo que estava escrito em sua essência.

SIR ROGER MOORE

MEU PRIMEIRO HERÓI DA TELEVISÃO

 

 

            Era o fim da década de cinquenta ou início dos anos sessenta e eu ainda era um garotinho cujo sonho era ser herói e ajudar a salvar vidas, um bombeiro ou quem sabe um herói igual aos do cinema.

            Roger Moore foi meu primeiro herói de uma série televisiva chamada Ivanhoé. Todas as semanas ficava em frente da TV e assistia aos filmes de meu herói. Naquela época eu era cheio de heróis, Robin Hood, Guilherme Tell e outros mocinhos do cinema.

            Ainda na pré-adolescência eu lutava espada muito bem contra meus amigos. Com arco e flecha era imbatível.

            Eu fui crescendo e fui mudando de heróis; dois deles eram O Santo e o outro era lorde Brett Sinclair da série The Persuaders, junto com Tony Curtis. ambos interpretados por Roger Moore.

            Quando Sean Connery resolveu abandonar o personagem de James Bond, Moore foi convidado a substituí-lo. Não poderia ter havido melhor escolha. Foi o ator que mais vezes interpretou Bond, sete vezes, e não poderia ter sido diferente já que ele foi 007.

            Fiquei triste com sua morte, afinal ele tinha licença para matar e não para morrer.

 

 

Ivan Jubert Guimarães

 

23/05/2017

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