DINHEIRO, PRA QUÊ DINHEIRO?

 

 

            Já faz algum tempo, escrevi uma crônica onde dizia que apenas um grupo de seis pessoas detinha o poder no planeta. Essas pessoas elegiam presidentes, apoiavam ditadores e qualquer tipo de governantes que poderiam aumentar suas riquezas. E são atitudes como essa que fazem desses homens os mais ricos do mundo e não o trabalho.

            Hoje, anos depois de minha crônica, vejo uma matéria do UOL que aponta que 82% de toda riqueza mundial gerada entre 2016 e 2017 ficou com o primeiro mais rico da população.

            Sua fortuna é maior do que a metade da população mundial, ou seja, 3,7 bilhões de pessoas. Não sei quem ele é e também não interessa. Mas seja ele quem for ele não tem o poder nas mãos? Se pegarmos os outros cinco colocados nesse ranking e juntá-los ao mais rico, a riqueza aumentará bastante percentualmente falando.

            Esses homens não podem fazer o que querem? Mandam mais que os governantes que ajudam a eleger, promovem guerras, destroem países, promovem doenças, fabricam vacinas, destroem os pequenos agricultores, os pequenos pescadores, controlam a produção de alimentos, fomentam a fome e as pestes. É assim que ganham mais dinheiro.

            Existem pessoas que possuem bens materiais, bons empregos e um bom padrão de vida. São altos executivos, empresários, profissionais liberais e quem mais? Esses devem fazer parte de 1% da população. O resto a gente já sabe e talvez até façamos parte da elite empobrecida quem tem um teto, uma mesa e, quem sabe, amigos, coisas essenciais para se viver.

            Em época de eleições presidenciais que prometem ser das mais acirradas, depois da democratização (?) do país, a vontade popular é o que menos importa para os homens mais ricos do mundo ou do país. Parece um comentário muito reacionário esse, não parece? Mas é assim que a coisa funciona. Vai ganhar a eleição aquele candidato que colaborar mais com a meia dúzia mais rica do planeta e do próprio país. Não tem jeito!

            A opinião popular acredita que Juscelino Kubitschek foi o melhor presidente que o país já teve, mas foi eleito pelas montadoras de automóveis e em contra partida rasgou o país com estradas de rodagem e não investiu na malha ferroviária. Tudo para favorecer a indústria automobilística.

 

Ivan Jubert Guimarães

 

22/01/2018

CAVALARIA EM AÇÃO

 

 

            O Brasil não tem bala para se sustentar um único dia qualquer que seja o conflito bélico contra qualquer país do mundo. No entanto, lá vamos nós, de novo, em missão de paz a pedido da ONU, dessa vez na República Centro-Africana. Serão enviados 750 militares a um custo de 400 milhões de reais.

            É louvável ver que nossos soldados estejam envolvidos em missão de paz e não de guerra. Já tivemos tropas em Suez durante o período de guerra de Israel e os Palestinos, a guerra dos seis dias. Enviamos tropas para o Haiti e agora para a África. Tomara que se consiga manter a paz no continente africano, coisa que não conseguiram na cidade do Rio de Janeiro e nem em Natal.

            Mas a ONU pede (ou manda) e lá vamos nós! Dinheiro parece não ser problema, mas é problema cuidar melhor de nossas fronteiras e manter a paz dentro de nosso território evitando o contrabando de armas e o tráfico de drogas. Para isso não temos soldados e nem armas e muito menos dinheiro.

            Há muito a ONU deixou de ser uma organização que unia as nações. Hoje não passa de um bando de burocratas que se penduram nos cargos e permitem que países como os Estados Unidos façam o que bem entendem pelo mundo. Por que não enviar uma missão de paz para a Coreia?

            E os militares brasileiros vão viver em áreas inóspitas, como o Haiti, vão provavelmente adquirir algumas doenças e a paz será garantida. Não sei quanto tempo ficarão na África, logo serão substituídos por outra tropa como aconteceu no Haiti.

            Nossas Forças Armadas não possuem um histórico bélico que seja ao menos respeitável. Para lutar contra o Paraguai precisamos do apoio do Uruguai e da Argentina, no que se chamou de Tríplice Aliança. Ah! Teve a conquista do Monte Castelo na Segunda Guerra Mundial, um monte que não tinha valor estratégico nenhum, a despeito do feito heroico de nossos pracinhas, que se tornaram esquecidos com o passar do tempo.

            E, enquanto isso, nossos generais vestem seus pijamas e dormem em berço esplêndido.

 

Ivan Jubert Guimarães

 

21/01/2018

ALGUÉM ME EXPLICA?

 

 

            Não entendo mais nada. Na verdade finjo não entender, pois é melhor continuar fazendo o papel de bobo.

            Dias atrás Cristiane Brasil foi nomeada como Ministra do Trabalho e sua nomeação foi barrada algumas vezes na justiça por conta dela ter sido condenada em um processo trabalhista por manter um motorista trabalhando 15 horas por dia sem carteira assinada e também por não pagar direitos trabalhistas.

            Enquanto isso, Temer dá uma declaração de que vai se dedicar à sua recuperação moral. Acredite, ele disse mesmo isso.

            Em outra notícia os desembargadores que vão julgar Lula em segunda instância Já foram escolhidos e seus nomes estão sendo amplamente divulgados.

            Em outra notícia fico sabendo que cientistas brasileiros estão perto de criar material invisível. A notícia é séria e digna de orgulho para nós brasileiros. Mas Lula já tinha inventado isso, o tríplex é invisível, o mesmo acontece com o sítio e principalmente com a fortuna que ele roubou, mas ninguém viu.

            O está acontecendo no Brasil? A mim me parece que estamos no centro de um picadeiro e diante de uma plateia de congressistas que riem muito de nós por ficarmos rodando para todos os lados entorpecidos devido tanta malandragem do governo que elegemos para cuidar de todos nós, fazendo leis que beneficiem o povo, que não deixe a educação e a saúde à minguas.

            E por falar em saúde, parece que o governo possui uma criação de mosquitos e de vírus letais à nossa integridade física. Eu me lembro de que no início da década de setenta, o grande vilão foi a meningite que deixou a população histérica. As pessoas tinham medo de usar o transporte coletivo, para não pegar meningite. Alguns não entravam nem em elevadores com medo da doença que era transmissível pelo ar.

            Depois veio a encefalite

Anos depois houve uma endemia de raiva realizadas campanhas para se vacinar os animais domésticos e os humanos que tivessem contato com a saliva do animal.

            Em 1981 descobriu-se a Síndrome da imunodeficiência adquirida, a AIDS que se alastrou pelo mundo numa velocidade espantosa.

            Na década de noventa veio o cólera, outra doença contagiosa.

            Seguiu-se a dengue, o Zica vírus e a chikungunya.

            Seguiu-se a gripe aviária, a gripe suína e dá-lhe vacinas;

            Quando a gente pensa que acabou eis que ressurge a febre amarela e lá vai de novo o povo enfrentando filas de seis horas para tomar uma dose de vacina fracionada.

            Todas essas doenças têm causado pânico na população gerando uma histeria enorme e dá-lhe vacinas Os corpos dessas pessoas que tomam vacinas atendendo aos apelos da mídia estão impregnados de vírus vivos que um dia vão se reproduzir no organismo das pessoas matando-as.

            Sinto que o governo está querendo dizimar parte da população a médio e longo prazo com tantas vacinas. O boi tem febre aftosa, a vaca fica louca e as pessoas não reclamam. E se não reclamam pela própria saúde, como vão querer lutar por um governo decente? Alguém me explica?

 

Ivan Jubert Guimarães

 

20/01/2018

O PRESENTE

 

 

            Tinha tudo para ser um dia especial, mas eu não contava com o imprevisto de que minha intenção pudesse criar um incidente. Fui convencido a abandonar a ideia.

 

            Era algo muito simples, talvez até singelo, mas estava carregado de carinho e esperança de que eu fosse agradar.

 

            As coisas nem sempre acontecem do jeito que a gente pensa.

 

            Dei um telefonema, mas do outro lado só monossílabos e mesmo assim passei minha mensagem.

 

            Passei o dia de hoje com muita tristeza em meu coração, muito cansaço e muito ofegante que achei que fosse morrer. Escrevi uma crônica dando meu adeus, mas guardei-a sem publicar.

 

            As horas foram passando, mas a tristeza não passava e o jeito foi dormir à tarde e sentindo algumas dores no corpo.

 

            Devo ter dormido umas duas horas e acordei mais disposto. Fui para a sala tentar ver um pouco de televisão e olhei para a estante e lá estava ele, o presente que eu não pude dar.

 

Ivan Jubert Guimarães

 

14/01/2018

O ADEUS

 

Pode ser que aconteça hoje,

Algo dentro de mim diz que é possível.

As dores em meu corpo

Cada dia mais insuportáveis.

Um simples banho esgota minhas forças

E o cansaço é tão grande

Que chega a parecer um infarto.

Dói-me o sistema muscular

E as cãibras são constantes

E me impedem de ter

Uma noite de sono tranquila.

Dia sim, dia não, hemodiálise.

Nesses dias não almoço

E me enfraqueço cada vez mais.

Nas outras refeições

Preciso comer melhor e tenho exagerado;

Um pouco só, mas o suficiente

Para ganhar peso.

Na hemodiálise esse peso desaparece,

É um sobe e desce constante.

Minha glicemia parece

Uma montanha russa,

Sai lá de baixo e vai às alturas.

Minha pressão, outrora alta,

Tem ficado muito baixa.

Tudo isso acontece todos os dias.

Pronto socorro? Hospitais?

Já não aguento mais!

Todas as semanas visito alguém,

E sempre um medicamento a mais.

Alguns dos remédios possuem

Efeitos colaterais, elevam a glicemia,

E tenho que fazer milagres

Para que não suba tanto.

Todos falam que eu estou bem,

Mas não sabem e não acreditam

Nas minhas dores.

Acham que quero piedade.

Como estão enganados!

A tristeza chega e me faz chorar,

Não reclamo das doenças

Porque sei que se Deus me deu

Esse fardo é porque sabe que posso carregar.

Só queria mais compreensão.

Sinto a morte me rodeando

Não me mandem flores para meu enterro;

Prefiro que elas vivam ao invés de morrerem

E serem enterradas comigo.

Só queria ter tempo para dizer adeus!

 

 

Ivan Jubert Guimarães

 

14/01/2018

TRILHA SONORA

 

 

Uma linda jovem me disse, uma vez, que sua vida era uma trilha sonora. Hoje comecei o dia ouvindo trilhas sonoras de grandes filmes do cinema e não pude deixar de lembrar-me daquela jovem que é minha sobrinha por adoção. Na verdade foi ela quem me adotou como tio.

Fiquei a imaginar como seria a minha vida e achei que minha vida é uma poesia, mas que, às vezes, parece ser uma grande dança, um baile onde são tocados diversos gêneros musicais. Alguns deles eu consigo dançar mais ou menos, dançar nunca foi minha praia, mas muitas vezes a música me derruba e fica difícil me levantar e pegar o ritmo.

A trilha sonora de minha sobrinha é composta de músicas maravilhosas que parecem ter sido compostas especialmente para ela e sua vida vai evoluindo cada vez mais acompanhando o aumento dos acordes e baixando suavemente para logo subirem novamente.

E por falar em trilha sonora e baile, há quase dez anos, escrevemos junto um soneto intitulado Pelos Bailes da Vida.

Enquanto escrevo essas linhas me delicio com os acordes de Danúbio Azul e em minha imaginação me vejo dançando no espaço em uma magnífica trilha sonora!

 

Ivan Jubert Guimarães

 

07/01/2018

TRILHA SONORA

 

 

Uma linda jovem me disse, uma vez, que sua vida era uma trilha sonora. Hoje comecei o dia ouvindo trilhas sonoras de grandes filmes do cinema e não pude deixar de lembrar-me daquela jovem que é minha sobrinha por adoção. Na verdade foi ela quem me adotou como tio.

Fiquei a imaginar como seria a minha vida e achei que minha vida é uma poesia, mas que, às vezes, parece ser uma grande dança, um baile onde são tocados diversos gêneros musicais. Alguns deles eu consigo dançar mais ou menos, dançar nunca foi minha praia, mas muitas vezes a música me derruba e fica difícil me levantar e pegar o ritmo.

A trilha sonora de minha sobrinha é composta de músicas maravilhosas que parecem ter sido compostas especialmente para ela e sua vida vai evoluindo cada vez mais acompanhando o aumento dos acordes e baixando suavemente para logo subirem novamente.

E por falar em trilha sonora e baile, há quase dez anos, escrevemos junto um soneto intitulado Pelos Bailes da Vida.

Enquanto escrevo essas linhas me delicio com os acordes de Danúbio Azul e em minha imaginação me vejo dançando no espaço em uma magnífica trilha sonora!

 

Ivan Jubert Guimarães

 

07/01/2018

QUANDO?

 

 

            Muitas vezes nos perguntamos quando as coisas irão melhorar. Entra ano e sai ano e tudo permanece como sempre foi. Muitos fazem resoluções de ano novo, mas ficam apenas nos desejos como se esfregassem uma lâmpada e dela saísse um gênio para atender aos pedidos de cada um.

           

            Alguns fazem preces pedindo graças e se esquecem de perguntar a Deus o que Ele espera de nós. E assim vamos esperando, esperando e esperando. Na virada do ano, muita alegria e, talvez, um pouco de esperança. Mas a curtição provoca os excessos e aí você vê que tudo continua igual. O ano mudou, mas o resto continua do jeito que sempre foi, ou até pior.

 

            A vida é feita de escolhas e as pessoas sempre escolhem o jeito mais fácil de viver. Estudam para ser alguém na vida, trabalham para ganhar dinheiro e ter poder. Ter, ter, ter. Alguns até conseguem, mas se esquecem de Ser.

 

            O poder que algumas pessoas, ou muitas, desejam é ter dinheiro, entrar na política e mandar. Esse poder é efêmero, dura pouco, muito pouco. O verdadeiro poder está dentro de cada um e começa com o autoconhecimento. Quando você aprende a ser quem você é e passa a viver como você é, você adquire o poder. Esse poder é muito forte, você pode adquirir um carro de luxo, tem dinheiro para isso, mas você se abstém e aí você demonstra ter o poder. Quer beber ou fumar, você pode, mas se abstém. Ter o poder e se abster é poder duas vezes. Poucos têm esse poder.

 

            Muitos querem mudar o mundo, falam que desejam a paz mundial, mas agridem o próximo. Não se sabe ao certo quem disse que é mais fácil amar a humanidade do que amar o próximo. Uns dizem que foi Henry Ford, outros dizem que foi o italiano Luciano De Crescenzo, mas não importa a autoria, importa o conteúdo.

 

            Bernard Shaw disse para se ter “cuidado com o falso conhecimento; ele é mais perigoso que a ignorância”. Conhecer-se não é uma tarefa fácil, e o processo para autoconhecer-se é duro e penoso, muitos pensam que adquirem o conhecimento através dos livros. Não adianta ler muitos livros, é preciso ler livros bons, discutir as ideias de grandes pensadores que passaram pela humanidade como Buda, Cristo, Platão e tantos outros. Quando você muda a si próprio, você começa a mudar o próximo e a bola de neve vai crescendo cada vez mais e este é o caminho para o mundo bem melhor.

 

            Por que ter preconceitos raciais, sociais e intelectuais. Se você for forte, ajude o mais fraco, elimine os preconceitos que você adquiriu por influência dos pais ou de amigos. Mostre seu poder.

 

Ivan Jubert Guimarães

 

01/01/2018

QUEM SALVARÁ ESTE PAÍS?

 

 

            Eu me lembro de que os primeiros presidentes da época da ditadura disseram frases memoráveis, uma no início de cada governo.

           

Castello Branco disse que o Brasil estava à beira do abismo. Seu sucessor, Costa e Silva, disse que o Brasil dera mais um passo e o presidente Médici disse que ninguém segurava este país.

           

Eram outros tempos e o país viveu momentos de um milagre econômico que foi inflou as empresas estatais e que mais tarde se provou que não houvera milagre algum, mas muita irresponsabilidade.

           

Ainda tivemos outros governos severos e um deles dizia que mandava prender, bater arrebentar. Mas com a abertura política e a chamada anistia geral e irrestrita. E os antigos bandidos voltaram posando de heróis e voltaram a ocupar altos cargos em um governo democrático.

           

Como era de se esperar, a herança do milagre econômico foi uma inflação sem controle que obrigou o primeiro governo civil a congelar os preços durante um ano e equiparar a nova moeda nacional ao dólar americano. Tudo isso por um decreto. O povo fez a festa, mas tudo que é bom (?) dura pouco, mas o Brasil conseguiu, finalmente, eleger seu primeiro presidente após mais de duas décadas de eleições indiretas. O novo presidente congelou o dinheiro da poupança logo no primeiro dia de governo e conseguiu com um simples decreto acabar com as diferenças sociais: todo mundo ficou sem dinheiro.

           

A moeda mudou de nome novamente e parecia que estávamos na época do império. O real também foi equiparado ao dólar, ou vice-versa, e vivemos um período de vacas gordas. Mas, de novo, tudo o que é bom (?), dura pouco e entramos na maior recessão econômica como nunca vista na história desse país.

           

Tentamos de tudo e nada deu certo, tentamos até colocar alguém do povo, mas quem nunca comeu ovo quando come se lambuza. Por que será? Talvez tenha sido pelo fato de sempre deixarmos os outros escolherem por nós e por não exercemos nossos direitos políticos e sociais, e ficarmos sempre a espera de um messias salvador da pátria.

           

Que fim terá levado Sassá Mutema?

 

Ivan Jubert Guimarães

 

27/12/2017

O HOMEM NO CASULO

 

 

            Nascemos todos iguais, peladinhos, chorando e com um aspecto não muito bonito, embora os pais achem que nada é mais lindo do que o filho ou a filha que acaba de nascer. Um pouco antes do nascimento o bebê ainda no útero sente medo, pois lá dentro ele se sente confortável e protegido.

            Nascemos, crescemos e as diferenças começam a tomar corpo dentro de nós. Um nasce em um lar de família rica, que mora em um bairro nobre. Outro nasce num barraco qualquer em um bairro distante e perigoso.

            Como essas duas crianças vão crescer? O que será delas? Um vai estudar nos melhores colégios e ter uma profissão igual a do pai, vai ser um doutor. Mas será feliz?  O outro vai crescer sem estudo em um meio marginalizado e irá conviver com bandidos e traficantes e seu sonho é se tornar um deles.

            Ambos, no entanto, vivem dentro de um casulo, sem vontade própria, e é o meio que ditará a maneira que irá viver. Muitas vezes acontece de que o menino pobre seja mais feliz que o rico, isso pode acontecer. Mas a chance do menino pobre se tronar um delinquente é maior, pois falta a ele o que o outro tem de sobra.

            Fala-se em livre arbítrio, mas será mesmo que isso existe? Quando se exerce esse livre arbítrio? De fato, somos responsáveis por nossas escolhas, mas nada é livre, pois estamos dependendo dos freios humanos, como religião, as leis que regem nossas vidas, a autoridade dos pais e por aí, vai. Pode-se exercer o livre arbítrio, mas tem-se que aguentar as consequências.

            A vida é uma prisão, onde poucos conseguem enxergar a luz, mas a maioria vive em um mundo de sobras, em completa escuridão, e cometem atos tenebrosos. Como alguém pode matar outro alguém, como alguém pode pisar, roubar, machucar outra pessoa? Eu mesmo posso pisar em alguém porque ainda estou preso na escuridão, não enxergo e então eu piso e faço alguém sofrer.

            Quando chega o mês de dezembro parece que o mundo fica diferente, existe muitas luzes espalhadas por quase todo o planeta. Quanto mais rica a cidade, mais luzes enfeitando prédios, árvores e ruas. As pessoas sentem-se mais felizes nessa época do ano e saem de seus casulos e têm vontade de ajudar os menos favorecidos. Cria-se uma harmonia diferente no ar, um sentimento de bondade toma conta de muitos corações, não de todos infelizmente, mas a maioria sente algo diferente no ar.

            Alguns reconhecem que somos todos irmãos, filhos do mesmo Pai e doam-se um pouco mais. A pergunta que fica é por que tão logo passe o Natal, voltamos a entrar no casulo e ficarmos encapsulados?  Por que não sermos humanos o ano inteiro?  Nós sabemos fazer isso e nos sentimos felizes então, por que não agirmos dessa maneira o ano inteiro?

            Fica aqui a sugestão!

 

 

Ivan Jubert Guimarães

WHO AM I?

 

Who am I? Would I be a poet, or a chronicler? Maybe a writer? I don’t know. I really don’t. I’ve always like to write, but sometimes I think I haven’t learned how to.

Where did I come from? Where did I head it to?

On earth, but what I am doing here? Just living? For what?

For a long time these questions have been distracting my mind, but finally I know the answers.

I am a set of ideas living in the third dimension. I came from de fourth dimension to add experience to my spirit and become a better version of myself. I am struggling to material things and my eyes are looking for Jesus words.

Today I know that to learn about life it is enough to visit a maternity in the morning and in the afternoon go to a funeral. You’ll see that you came without anything and go back without anything as well.

And now that Christmas is close, would be good if each one could be a better person, but not only in the Christmas time, but all the time. You can change yourself.

Like Lennon said, you can change the world if you want it.

Everything will be easier if each one change yourself first. Your neighbor will see you and will desire to change too, and finally all the people will be better.

Who knows if it happens to our country, Brazil won’t be better too? It is possible!

It depends only of us!

Think about it. First get to know yourself and a Merry Christmas!

 

Ivan Jubert Guimaraes

 

2017/12/17

DIVAGANDO NUMA MANHÃ DE DOMINGO

 

 

            Hoje pela manhã tive uma queda brusca de pressão e minha cuidadora fez com que eu voltasse para a cama. A janela de meu quarto já estava aberta e pude ver o azul maravilhoso do céu. Comentei com ela que o dia estava muito lindo!

Quando ela saiu de meu quarto fiquei olhando para o céu e me lembrei de uma vez em que me perguntaram se eu já havia imaginado o céu com outra cor que não fosse o azul. Nunca havia imaginado isso, mas já tinha observado o nascer e o pôr do sol com cores amareladas e avermelhadas, mas o resto era azul.

Então, pus-me a imaginar o céu de outras cores e comecei pelo vermelho. Creio que em tardes de temporais seria assustador e nas praias, no verão, ou no sertão, seria mais abrasador do que é hoje. Não gostei.

Passei para o verde e fiquei imaginando de que cores seriam os gramados e as florestas. Principalmente nestas, seria difícil identificar o que era o quê. Não gostei.

Imaginei, então, o céu amarelo. Achei que o sol deveria ter outra cor, do contrário não iria aparecer e as nuvens, coitadinhas, não poderiam mais ser branquinhas como são. Não gostei.

Claro que existem outras cores, o branco, o marrom e tantas outras. Não gostei.

Voltei a contemplar o céu azul, lindo como sempre. Deus fez tudo certo!

E adorei!

 

Ivan Jubert Guimarães

 

17/12/2017

ELEGÂNCIA DESNUDA

 

 

Existem pessoas com as quais a gente não tem nenhum contato e só as vemos em fotografias nas revistas ou entrevistas e reportagens na televisão.

Sempre cultivei uma enorme simpatia por uma mulher que eu sabia que jamais iria conhecer, uma mulher com muito carisma e elegância e muito bonita.

 Carmen nasceu na mesma cidade em que eu nasci, Pirajuí no interior de São Paulo e mais tarde radicou-se no Rio de Janeiro que com sua presença ficou ainda mais maravilhosa.

Carmen Mayrink Veiga partiu enquanto dormia, privilégio que poucas pessoas desfrutam. O tempo não tirou sua elegância, mesmo quando passou a se locomover em cadeira de rodas.

Dizem que ela foi um ícone da elegância e eu concordo com isso, embora nunca tenha acompanhado as colunas sociais dos jornais. Carmen sempre esteve acima disso tudo.

O Brasil fica mais deselegante com a partida de Carmen, mas o céu ficará muito mais bonito.

 

Ivan Jubert Guimarães

 

04/12/2017

CARRO VELHO

 

 

            Meu carro vinha apresentando pequenos defeitos ultimamente e precisei leva-lo ao mecânico. Logo ao entrar na oficina, entretanto, o rapaz já veio me dizendo que não poderia pegar meu carro, pois estava lotado de serviço. Olhei ao redor e não vi assim tantos carros, mas ele me disse que não era a quantidade de veículos, mas os reparos que precisava fazer.

            Pedi que desse uma olhada em meu carro apenas para que eu soubesse o que deveria ser feito para coloca-lo em ordem. O rapaz concordou e passou a olhar meu carro com uma chave de fenda na mão. Usava a chave como se fosse um bisturi, cutucando aqui e ali. A cada cutucada eu gemia, não suporto mecânico que faz isso. Parece até um médico ansioso para te operar.

            Suspendeu o carro e começou a falar: “Olha doutor, (o doutor era ele), é o seguinte: a suspensão do carro está muito ruim, é como se o carro estivesse andando meio curvado para frente. O senhor nunca percebeu isso?” Eu disse que nunca tinha percebido, talvez porque eu já andava meio curvado. Olhando o escapamento ele disse que o carro estava soltando muitos gases e que o catalisador estava quebrado, tinha que trocar. A comparação comigo mesmo era inevitável, mas eu não tinha nenhum catalisador.

            Ele tirou as rodas e disse que os pneus estavam carecas e não sabia como eu andava daquele jeito, pois o carro pendia ora para um lado ora para outro. Eu achava normal, pois eu mesmo quando andava pendia para os lados.

            Olhou os freios e se espantou: “Doutor como é que o senhor anda com o carro nesse estado”?  “Na descida seu carro não para!” Novamente comparei o carro a mim mesmo, pois quando estou andando em uma descida, não consigo parar e sem querer pareço correr, sem falar que na subida também não consigo parar para tomar fôlego e sempre volto alguns passos. Estou sem embreagem.

            Mas até aí tudo ia bem até a hora em que ele abriu o capô para examinar o motor. Pensei comigo: “Fodeu!” Ele pôs defeito em tudo, o motor estava muito sujo e segundo ele poderia fundir a qualquer momento; desgaste nas velas, o injetor de gasolina entupido o que fazia o carro demorar a andar. Novamente pensei que o mesmo acontecia comigo. Cada vez que eu precisava andar parecia que meu motor engasgava e eu ia tropicando. O reservatório de água estava seco e precisava de aditivo. Eu também precisava.

            Fechou o capô após me falar de outros defeitos e foi examinar a parte elétrica. Os faróis pareciam iluminar cada um para um lado. Pensei comigo que eu também precisava ir a um oftalmologista. Tocou a buzina e quase não se ouvia nada, e pensei: “preciso ir a um otorrino”.

            Cansado e aborrecido com tudo que ouvi do mecânico, deixei o carro internado e peguei um taxi e fui consultar meu médico.

 

Ivan Jubert Guimarães

 

30/10/2017

POESIA NÃO TEM IDADE

 

            Poesia não tem idade, só o poeta é que tem. Há cinquenta anos escrevo poesias; parece que as escrevo todos os dias.

            Nos meus versos coloco a dor que escorre pelo meu rosto o que faz com que eu pareça mais doente do que estou.

            Pensei que fosse morrer no hospital, mas as preces dos amigos foram revigorantes. E agora, revigorado, vou me fortalecer cada vez mais. A doença não vai me vencer tão fácil assim. Sou forte, ela não sabe a força que há dentro de mim.

            Vou continuar vivendo com muita intensidade.

 

Ivan Jubert Guimarães

 

22/06/2017

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