UMA XÍCARA DE AÇUCAR

 

 

            Quando atingimos certa idade, é comum nossa mente viajar para o passado e tentar reviver doces momentos vividos, coisas simples de uma vida simples, muito diferente do que vivemos hoje, em uma correria desenfreada para ganhar a vida.

 

            Outrora não havia essa correria toda, as pessoas andavam mais, não havia condução farta, as pessoas andavam mais devagar, mesmo nas ruas das grandes cidades.

 

            Não havia shoppings centers e nem mesmo supermercados. O abastecimento era feito nos armazéns, escolhia-se os mantimentos e o dono do armazém sempre orientava seus clientes sobre a qualidade de cada produto. Sua clientela era fiel.

 

            As feiras livres eram abundantes pelos bairros e as aves eram vendidas vivas para as pessoas. Quando muito o feirante se encarregava de torcer o pescoço da galinha.

 

            Ao final dos dias as famílias esperavam o chefe da casa chegar para só então sentarem-se à mesa para o jantar. Em noites quentes muitos vizinhos saiam de suas casas e colocavam cadeiras nas calçadas para um gostoso bate-papo noturno. As crianças brincavam na rua e quando os pais chamavam-nas para dormir, todas obedeciam.

 

            Ninguém trancava as portas de suas casas durante o dia, pois sempre um amigo ou uma vizinha entrava em nossa casa com algum pretexto.

 

            Às vezes alguma vizinha entrava em minha casa com uma xícara e perguntava para minha mãe se ela poderia emprestar uma xícara de açúcar. E era mesmo um empréstimo, pois no dia seguinte lá ia a vizinha devolver o açúcar. Outras vezes alguém pedia uma xícara de farinha para fazer o bolo e, logo depois, a farinha era devolvida em um delicioso pedaço de bolo.

 

            Era uma vida calma, a gente passeava bastante e brincava muito, sem televisão que era ligada somente à noite e quase ninguém possuía telefone.

Era assim durante fins da década de 50 e meados da de 60, décadas que até hoje são curtidas por quem as viveram e até mesmo pelos mais jovens que nasceram em décadas posteriores.

 

            E você, me empresta uma xícara de açúcar?

 

Ivan Jubert Guimarães

 

01/02/2018

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