QUEM SALVARÁ ESTE PAÍS?

 

 

            Eu me lembro de que os primeiros presidentes da época da ditadura disseram frases memoráveis, uma no início de cada governo.

           

Castello Branco disse que o Brasil estava à beira do abismo. Seu sucessor, Costa e Silva, disse que o Brasil dera mais um passo e o presidente Médici disse que ninguém segurava este país.

           

Eram outros tempos e o país viveu momentos de um milagre econômico que foi inflou as empresas estatais e que mais tarde se provou que não houvera milagre algum, mas muita irresponsabilidade.

           

Ainda tivemos outros governos severos e um deles dizia que mandava prender, bater arrebentar. Mas com a abertura política e a chamada anistia geral e irrestrita. E os antigos bandidos voltaram posando de heróis e voltaram a ocupar altos cargos em um governo democrático.

           

Como era de se esperar, a herança do milagre econômico foi uma inflação sem controle que obrigou o primeiro governo civil a congelar os preços durante um ano e equiparar a nova moeda nacional ao dólar americano. Tudo isso por um decreto. O povo fez a festa, mas tudo que é bom (?) dura pouco, mas o Brasil conseguiu, finalmente, eleger seu primeiro presidente após mais de duas décadas de eleições indiretas. O novo presidente congelou o dinheiro da poupança logo no primeiro dia de governo e conseguiu com um simples decreto acabar com as diferenças sociais: todo mundo ficou sem dinheiro.

           

A moeda mudou de nome novamente e parecia que estávamos na época do império. O real também foi equiparado ao dólar, ou vice-versa, e vivemos um período de vacas gordas. Mas, de novo, tudo o que é bom (?), dura pouco e entramos na maior recessão econômica como nunca vista na história desse país.

           

Tentamos de tudo e nada deu certo, tentamos até colocar alguém do povo, mas quem nunca comeu ovo quando come se lambuza. Por que será? Talvez tenha sido pelo fato de sempre deixarmos os outros escolherem por nós e por não exercemos nossos direitos políticos e sociais, e ficarmos sempre a espera de um messias salvador da pátria.

           

Que fim terá levado Sassá Mutema?

 

Ivan Jubert Guimarães

 

27/12/2017

O HOMEM NO CASULO

 

 

            Nascemos todos iguais, peladinhos, chorando e com um aspecto não muito bonito, embora os pais achem que nada é mais lindo do que o filho ou a filha que acaba de nascer. Um pouco antes do nascimento o bebê ainda no útero sente medo, pois lá dentro ele se sente confortável e protegido.

            Nascemos, crescemos e as diferenças começam a tomar corpo dentro de nós. Um nasce em um lar de família rica, que mora em um bairro nobre. Outro nasce num barraco qualquer em um bairro distante e perigoso.

            Como essas duas crianças vão crescer? O que será delas? Um vai estudar nos melhores colégios e ter uma profissão igual a do pai, vai ser um doutor. Mas será feliz?  O outro vai crescer sem estudo em um meio marginalizado e irá conviver com bandidos e traficantes e seu sonho é se tornar um deles.

            Ambos, no entanto, vivem dentro de um casulo, sem vontade própria, e é o meio que ditará a maneira que irá viver. Muitas vezes acontece de que o menino pobre seja mais feliz que o rico, isso pode acontecer. Mas a chance do menino pobre se tronar um delinquente é maior, pois falta a ele o que o outro tem de sobra.

            Fala-se em livre arbítrio, mas será mesmo que isso existe? Quando se exerce esse livre arbítrio? De fato, somos responsáveis por nossas escolhas, mas nada é livre, pois estamos dependendo dos freios humanos, como religião, as leis que regem nossas vidas, a autoridade dos pais e por aí, vai. Pode-se exercer o livre arbítrio, mas tem-se que aguentar as consequências.

            A vida é uma prisão, onde poucos conseguem enxergar a luz, mas a maioria vive em um mundo de sobras, em completa escuridão, e cometem atos tenebrosos. Como alguém pode matar outro alguém, como alguém pode pisar, roubar, machucar outra pessoa? Eu mesmo posso pisar em alguém porque ainda estou preso na escuridão, não enxergo e então eu piso e faço alguém sofrer.

            Quando chega o mês de dezembro parece que o mundo fica diferente, existe muitas luzes espalhadas por quase todo o planeta. Quanto mais rica a cidade, mais luzes enfeitando prédios, árvores e ruas. As pessoas sentem-se mais felizes nessa época do ano e saem de seus casulos e têm vontade de ajudar os menos favorecidos. Cria-se uma harmonia diferente no ar, um sentimento de bondade toma conta de muitos corações, não de todos infelizmente, mas a maioria sente algo diferente no ar.

            Alguns reconhecem que somos todos irmãos, filhos do mesmo Pai e doam-se um pouco mais. A pergunta que fica é por que tão logo passe o Natal, voltamos a entrar no casulo e ficarmos encapsulados?  Por que não sermos humanos o ano inteiro?  Nós sabemos fazer isso e nos sentimos felizes então, por que não agirmos dessa maneira o ano inteiro?

            Fica aqui a sugestão!

 

 

Ivan Jubert Guimarães

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