ADEUS ÀS ARMAS

 

            Ernest Hemingway, um dos maiores escritores norte-americanos escreveu uma das mais belas histórias de amor cujo título tomei emprestado para esta crônica.

 

            No livro Hemingway fala do amor que acontece durante os horrores da Primeira Guerra Mundial, entre um soldado americano e uma linda enfermeira de quem recebe tratamento quando ferido.

 

            Alguns dos livros de Hemingway são mistura de ficção com realidade e nesta crônica procuro fazer a mesma coisa por motivos diferentes eu acho. Meu motivo é devido aos últimos acontecimentos na recente história do meu país, dos quais tenho reclamado muito, tanto da fraqueza do povo que faz parecer com que suas manifestações pareçam uma festa, bem como do comportamento despudorado dos políticos e grandes empresários brasileiros.

 

            A corrupção anda à solta por todo o país e em todos os níveis do cenário nacional e em minhas crônicas tenho feito críticas pesadas e até mesmo sugerido que devemos pegar em armas e lutar. Mas de uma hora para outra senti um estalo na mente e no coração e resolvi mudar de atitude. A mudança ocorreu ao ler uma mensagem de paz que recebi de um grande amigo e que transcrevo abaixo:

“Não vibrem raiva pelos políticos que caem”... vibrem GRATIDÃO pela limpeza ética que acontece,... mudem o foco...

- Sua raiva alimenta forças negativas (elas amam este combustível);

- “a gratidão alimenta a Luz de uma nova Era, aumentando os elos de uma corrente que se traduz em uma Nova Consciência Planetária: A Consciência Coletiva...”.

 

            Refleti muito sobre essas palavras e vi o quanto tenho errado em meus argumentos, já que proclamando a violência só estou ajudando o mal a se expandir.

 

            Uma amiga também me enviou uma mensagem com uma advertência do médium Divaldo Franco, na qual ele diz que os bons espíritos estão tendo dificuldades para ajudar o país, devido a falta de fé e de orações por parte do povo.

 

            Sou espírita e acredito que no estágio em que chegamos só o plano espiritual poderá ajudar o Brasil a sair do buraco em que se enterrou.

 

            Resolvi, então, dar adeus às armas que tenho usado e modificar minha atitude e passar a divulgar mais o amor entre os povos. Usando de violência e agressões estaremos nos igualando àqueles que tanto mal têm nos causado. Além do mais, os homens que causam o mal ao povo são os que mais necessitam de ajuda espiritual. É algo parecido com a parábola do Filho Pródigo.

 

            Não tenho mais vontade de lutar e estou conseguindo afastar o ódio de meu coração. Afinal de contas eles serão punidos, se não pela lei dos homens, mas pela lei da ação e reação.

 

            Por isso, “de hoje em diante vou modificar o meu modo de vida”, e fazer crônicas que falem mais de amor ao próximo e também de filosofia. Pode ser que perca leitores, mas isso não me impedirá de fazer o que eu acho correto. Afinal, eu sempre escrevi para poucos.

 

Ivan Jubert Guimarães

 

20/05/2017

BOMBA - BOMBA – BOMBA

 

 

            As bombas que acabam de explodir em Brasília me fizeram lembrar Ibrahim Sued. Era assim que ele comunicava suas notícias ou fofocas da elite brasileira.

 

            Nos meus tempos de estudante e também nos tempos em que prestei o Serviço Militar era comum fazermos algumas brincadeiras, gozações e até mesmo alguma arte mais danosa. Entretanto, mantínhamos o espírito de corpo, éramos fiéis dentro de nossa turma. Mas quando a coisa apertava, sempre tinha um que resolvia dedurar os outros, para escapar da punição.

 

            Quando isso acontecia na escola, éramos punidos, mas logo descobríamos o colega que se saia bem e, então, sabíamos quem era o alcaguete. Pegávamos o veadinho e o enchíamos de porrada.

 

            Já no quartel, era diferente, o alcaguete muitas vezes era punido pelos sargentos ou oficiais, justamente por não ter o espírito de corpo da corporação. Mas apanhava assim mesmo.

 

            Hoje é com muito pesar que assisto diariamente bandidos entregarem seus comparsas para escaparem ou então terem suas penas reduzidas, naquilo que chamam delação premiada.

 

            Realmente não sei o que é pior, ser bandido ou ser um bandido traidor de sua quadrilha. Nos tempos do faroeste o alcaguete era fuzilado pelos bandidos. Nos filmes de guerra, o traidor também era p unido com a morte.

 

            Aqui no Brasil o bandido alcaguete é premiado e fica livre da prisão ou tem sua pena muito reduzida. A covardia de um sujeito como esse é tão grande que ele até inventa coisas sobre o acusado.

 

            Não escapa ninguém na política brasileira, todos são bandidos e todos são alcaguetes, assim como os empresários também são. Aliás, os empresários são mais perniciosos que os políticos, pois são eles na verdade que governam o país.

 

            O povo, esse coitado, é que tem que pagar pela ingerência de seus governantes.

 

            Como pode uma empresa, de uma hora para outra ser o maior produtor de carne do mundo? Como pode uma empresa adquirir um capital de bilhões de reais para comprar e/ou abrir empresas pelo mundo?

 

            Todo mundo está envolvido nas falcatruas de empresários e dos governantes do país. Não escapa ninguém, mesmo aqueles que supostamente se dizem honestos, não o são. Cristo já dizia: “Diga-me com quem andas que te direi quem és”.

 

            Como um cidadão que quer parecer honesto, consegue viver entre bandidos?

 

            Quando eu era jovem, fui um militante estudantil. Era contra o governo militar porque ele me proibia de pensar por mim mesmo.  Não cheguei a lutar, mas fazia reuniões estudantis, escrevia textos contra o governo e os lia em recitais nas igrejas ou nas casas de amigos.

 

            Um desses textos, escrito em 1969, no dia da proclamação da República, reproduzo abaixo:

 

                        Não importa quantos tenham que morrer, temos que lutar para viver.

 

 

Por que o povo reclama tanto?

Como coisa que isto adianta muito.

Reclamam contra o imperialismo norte-americano?

E quem são os culpados?

Os americanos ou nós os brasileiros que só falamos?

 

Por que tanta revolta sem luta?

De que adianta reclamar só com palavras?

Abaixo aqueles que pregam a revolução com calças americanas;

Abaixo os que falam em fome com barriga cheia;

Abaixo aqueles que falam em miséria com dinheiro no bolso.

 

E o povo admira estes protestos

E dá valor aos que o fazem.

 

Ora, se um gigante bate em um anão,

E este reage só com palavras,

Provoca apenas risos no gigante;

Mas se impõe resistência,

Pode apanhar,

Mas será mais difícil para o gigante.

 

Somos uma nação gigante em terreno,

Mas somos anões na coragem,

Pois só falamos, não agimos.

 

Temos um solo rico mas não temos as riquezas,

E nós só falamos;

Temos bases norte-americanas espalhadas em nosso território,

E nós só falamos;

A Amazônia é conhecida no exterior como Amazon Land,

E nós só falamos;

Temos poucas escolas,

E nós só falamos.

 

Deixemos o conformismo e coloquemos de lado a conversa fiada,

Pois do jeito que está não pode continuar.

 

Parem de falar ó brasileiros,

Peguemos em armas e vamos lutar!

 

À demain!

 

Ivan Jubert Guimarães

 

17/05/2017

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