Pensamento do Dia

Os bons sempre vão primeiro!

BAIANO PORRETA UÁI

 

            Em 1992 o Brasil sequer possuía uma moeda. Nossa moeda era apenas um indexador chamado de Bônus do Tesouro Nacional ou BTN, afinal somos o país das siglas.

            Com a renúncia forçado de Collor, assume a presidência um ex-senador da República chamado Itamar Franco. Havia muitas desconfianças sobre o que iria acontecer no país. Itamar era um senador que havia adquirido um respeito grande devido aos seus pronunciamentos no Senado Federal. E só.

            Todos se referiam a ele como um mineiro, que na verdade foi por adoção, embora tenha nascido na Bahia. Mas isso foi um acidente de percurso. Itamar era um mineiro, um mineiro bem porreta.

            Na verdade, ele foi o pai do Plano Real, elaborado por Fernando Henrique Cardoso, então ministro da fazenda de seu governo.

            A voz popular sempre disse que mineiro é aquele que come quieto e foi numa foto tirada em um desfile de escolas de samba do Rio de Janeiro, que uma modelo (?) apareceu a seu lado sem a calcinha. Isso lhe tirou pontos na época em que tentou sua reeleição, perdendo sua candidatura para Fernando Henrique Cardoso.

            O que vale dizer sobre o homem e o político Itamar é que nunca teve sua imagem por escândalos. Era um homem simples, corajoso em seus pronunciamentos, afinal não é qualquer um que ataca Sarney em pleno Senado.

            Itamar tinha topete, nos dois sentidos, e não é porque morreu que o estou defendendo. Não gosto e nunca gostei de políticos, mas sei reconhecer que uns poucos se preocupam com o povo e creio que Itamar era uma deles.

            Quando assumiu o governo, substituindo Collor, tínhamos uma inflação que beirava de 4 a 4,5% ao dia e de repente a inflação passou para 2 ou 3% ao ano. Por si só, isso valeria a Itamar Franco uma medalha. Mas neste país dá-se medalha a qualquer um e tenho certeza de que Itamar, caso recebesse, a jogaria fora.

            Este homem, baiano de Juiz de Fora, vai deixar saudades. Claro que muitos nem sentirão sua falta, talvez até mesmo em Juiz de Fora. Mas eu, como brasileiro, vou sentir falta de seus discursos, às vezes, inflamados em defesa da Constituição.

            Em toda minha vida, respeitei muito o Deputado Ulisses Guimarães e também o Senador Itamar Franco.

            Que a alma de Itamar descanse em paz e que a cidade de Juiz de Fora saiba reconhecer seu filho como um grande homem.

 

Ivan Jubert Guimarães

02/07/2011

Pensamento do Dia

"Quem me dera agora eu tivesse uma viola pra cantar".

Edú Lobo

PÃO FRANCÊS E PÃO DE AÇÚCAR

 

            Coisas estranhas acontecem aqui neste país. O Grupo Pão de Açúcar, anos atrás, foi crescendo e aumentando de tamanho assustadoramente nos anos setenta, comprando todo supermercado que via pela frente, fosse uma rede tradicional como Peg-Pag, Barateiro, Sé ou lojas de pequeno porte. Tornou-se líder do setor com um faturamento muito grande e um poder de compra descomunal que pôs fim a pequenos fornecedores que ficaram à mercê do gigantismo do grupo liderado por Abílio Diniz. Abriram lojas até em Portugal.

            Apesar do poderio de compra e da pressão exercida sobre seus fornecedores, as lojas do supermercado nunca foram campeãs no quesito preço. Muitas marcas desapareceram do mercado, pois passaram a rotular seus produtos com as marcas do grupo Pão de Açúcar.

            O crescimento desordenado do Grupo fez com que quase acontecesse a falência do Pão de Açúcar que começou fechando lojas, vendendo sua sede principal na Avenida Berrini e demitindo funcionários, muitos funcionários. Abílio, praticamente expulsou a família Diniz da direção do grupo e passou sozinho a administrar seus negócios. Isso foi lá pelos meados da década de oitenta.

            Ainda na década de setenta surge o mocinho francês Carrefour que prometia preços sempre inferiores ou que devolveria o dinheiro pago a mais em suas lojas. O Carrefour adotou uma técnica até que inteligente, pois suas primeiras lojas ficavam em lugares de difícil acesso, só se chegando lá de automóvel. Foi uma seleção natural de consumidores que tinham um bom poder de compra. O Carrefour também cresceu e tornou-se a maior rede de varejo do país em faturamento, mesmo com um número inferior de lojas em comparação com o Pão de Açúcar.

            Mas chega um ponto em que ou se cresce mais ou se é engolido pela concorrência e o Carrefour também começou a comprar pequenas redes, incluindo-se aí a rede Eldorado. Abriu lojas em Shoppings e foi perdendo o que tinha de melhor que eram os bons preços das prateleiras e gôndolas, dada a elevação de seus custos operacionais. Perdeu, inclusive, a liderança em faturamento para o Pão de Açúcar que voltou a ser o maior centro distribuidor varejista do país.

            Agora, poucas décadas depois, a gente vê que uma fusão está prestes a acontecer entre as duas maiores redes de supermercados. Não se trata bem de uma fusão, mas da compra do Carrefour pela rede Pão de Açúcar. Há dinheiro para isso? Claro que não. Quem vai financiar a compra é o BNDES, ou seja, nós.

            Falando apenas de São Paulo, há lojas das duas redes uma de frente para a outra ou quase do lado uma da outra. Manda o bom senso que uma delas seja fechada e isso irá gerar um grande desemprego no setor.

            Fala-se, contudo, que a fusão irá facilitar a penetração de produtos brasileiros no mercado europeu. Balela! Mentira! Com essa fusão, o Novo Pão de Açúcar terá um monopólio do comércio varejista no país e inibirá que algum pequeno comerciante entre para este ramo e, mais uma vez, quem sairá perdendo é o povo. Este povo idiota que ainda irá se vangloriar de comprar em uma das maiores redes de supermercados do mundo. Sem direito de escolha de sua marca preferida, mas obrigado a comprar marcas da rede, como já acontece hoje. Pequenas e médias fábricas de compotas fecharam suas portas e hoje produzem apenas para Carrefour e ao de Açúcar e isso acontece com arroz, feijão, margarinas, leite e uma infinidade de produtos.

            Já neste século XXI o Pão de Açúcar comprou as Casas Bahia num negócio milionário.

Distribuição de renda? Só se for para os bolsos do senhor Abílio Diniz. Parece que os dias de cativeiro de anos atrás não o tornaram mais humilde.

 

Ivan Jubert Guimarães

30/06/2011

Pensamento do Dia

"Tristeza, por favor vá embora, minha alma que chora, está vendo o meu fim. Fez do meu coração a sua moradia, já é demais o meu penar, quero voltar àquela vida de alegria, quero de novo cantar"

Haroldo Barboza

AMAR AO PRÓXIMO

 

            Somos todos filhos de um mesmo Pai, irmãos, portanto. Entretanto, nós nos esquecemos disso e consideramos irmãos apenas aqueles que nasceram de nossos pais. E, mesmo assim, vê-se brigas entre eles, discórdia, inveja e violência. Na parábola do bom samaritano, Jesus explica quem é o próximo, mas ele não quis dizer que o próximo é aquele que está perto de nós. O próximo pode ser qualquer um, mesmo aquele que nunca vimos e nem conhecemos.

            Ele disse que deveríamos amar ao próximo como a nós mesmos. E será que nós nos amamos? Porque não nos amando, não podemos nunca amar ao próximo ou mesmo a ninguém.

            Você se ama? Tem certeza disso? É amor mesmo ou vaidade e egoísmo? Você já sabe quem você é? Onde você está? De onde você veio? E para onde você vai, se é que vai?

            Se não souber responder a essas perguntas eu posso afirmar com toda segurança que você ainda não se conhece e, não se conhecendo como pode amar-se?

            A história mostra que Sócrates costuma sentar-se em frente ao templo de Delfos e que, certa vez, alguém teria lhe perguntado como adquirir o conhecimento. Sócrates teria virado seu corpo e apontado para uma inscrição que havia no templo e que dizia: “Conhece-te a ti mesmo”!  E o que Sócrates quis dizer com isso? Por que dois pronomes na mesma frase? Se ele tivesse respondido apenas “conhece-te” já seria uma boa resposta. Mas quando ele diz “conhece-te a ti mesmo”, o pronome oblíquo reforça que temos que nos conhecer acima de todas as outras coisas materiais. Conhecer-se a si mesmo é a única maneira de chegar à Verdade.

            A partir do instante em que você se conhecer e reconhecer a verdade a que você chegou, neste momento, você será capaz de amar-se e, só então, será capaz de amar ao próximo. É assim, se você permitir que o outro seja quem ele é, você tem o direito de ser quem você é. Não julgar, jamais, “para não serdes julgados”, como disse o Cristo.

            Não é uma tarefa fácil, pois a grande maioria das pessoas faz julgamentos dos outros e os condenam por qualquer falha, muitas vezes pela falta de entendimento do que o outro disse.

            Somos sofredores porque as religiões judaico-cristãs sempre pregaram isso: que pare sermos felizes temos que sofrer, que ser abnegados. Cristo nunca disse isso!

Ao sentirmos dor, seja física ou pela perda de alguém, saibamos que ela, a dor, é inevitável, mas o sofrimento é opcional.

            Você pode ter riquezas, muito dinheiro, imóveis e automóveis, mas saiba que quando você por “para o outro lado” nada isso irá com você. Aliás, se você quiser entender a vida, passe uma manhã numa maternidade. À tarde, vá a um velório. Você verá que chega ao mundo sem nada e que sai dele também sem nada. A única coisa que você vai levar é o resultado das experiências vividas e resolvidas. Somente isso.

            Portanto, não acumule riquezas na terra, se você é rico ajude quem é pobre, se você é forte, ajude quem é fraco, se você é culto ajude quem não sabe. Assim você estará amando ao próximo como a ti mesmo!

 

Ivan Jubert Guimarães

29/06/2011

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