Blog de Pensamento Liberal
 

A POESIA ESTÁ MORRENDO

 

 

            Poetas nunca foram levados muito a sério neste país. Muitos foram grandes na arte de escrever versos, como Aluízio de Azevedo, Fagundes Varela, Casimiro de Abreu, Castro Alves, Machado de Assis, Vicente de Carvalho, Vinicius de Moraes, Augusto dos Anjos, J G de Araujo Jorge e tantos outros grandes mestres, sem esquecer Cecília Meireles e Cora Coralina.

            Eles não tiveram Internet à sua disposição para divulgar seus versos, mas, em compensação, tiveram uma época em a poesia era admirada pelas pessoas. Era comum os jovens copiarem versos de poetas e entregá-los às suas namoradas.

            Ninguém, nunca, falou de amor como os poetas falam. Sim, no presente mesmo, pois a morte não conseguiu apagar os versos escritos com sentimentos puros, levianos, insanos, dementes daqueles amantes todos que já se foram.

            Ontem senti uma tristeza enorme ao ver que meu site de poesias saiu do ar. Não que isso fosse uma surpresa, eu já esperava por isso, tanto é que já abrira um site com domínio próprio para continuar escrevendo e mostrando minhas poesias, já que quem hospedava o site Pensamento Liberal encerrou suas atividades. Não tem mais Geocities, onde poetas amadores divulgavam em lindas páginas seus versos mais íntimos.

            Num primeiro instante, pensei em deixar tudo fora do ar mesmo. Mas algumas pessoas insistiram para que eu o mantivesse vivo e, tardiamente, resolvi atendê-las.

            Não fui o único afetado, deve haver centenas de poetas que tiveram suas obras tiradas do ar. Alguns deverão fazer o que estou fazendo e o que muitos outros já fizeram; registrar um domínio próprio e refazer todo o trabalho.

            Ficarei fora do ar por uns tempos, mas em breve o site voltará com cara nova. Não virá completo ainda, mas aos poucos será atualizado com o que já estava publicado e com muita coisa nova também.

            Espero que vocês, meus leitores, continuem a prestigiar o site Pensamento Liberal, cujo endereço é www.pensamentoliberal.com.br .

            Sei que a maioria das pessoas, inclusive meus amigos, não gosta muito de poesia, mas o que seria da vida sem os poetas? Eles sempre viram a verdade antes dos outros. Certa vez, um amigo poeta escreveu em um de meus cadernos de poesia o que considero um dos maiores elogios que recebi:

“O Poeta é sempre um místico, mas muito o místico terá de aprender para se tornar poeta” – Nelson Luís Guimarães de Paula.

 

 

Ivan Jubert Guimarães

28/10/2009



Escrito por Ivan às 00h40
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  Pensamento do Dia

"lá fora amor, uma rosa morreu, uma festa acabou, nosso barco partiu, eu bem que mostrei a ela, o tempo passou na janela e só Carolina não viu"

Chico Buarque de Hollanda



Escrito por Ivan às 08h31
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            QUANDO A FICHA NÃO CAI

 

 

            Numa época de modernidades creio que muito pouca gente se lembra dos telefones públicos que, ao invés dos cartões de hoje, recebiam fichas para que se fizesse a ligação.

            Era comum de acontecer de você colocar a ficha, não conseguir a ligação e o aparelho engolia sua ficha e não a devolvia. A reação era encher de tapas o telefone, pois a ligação que se queria fazer era importante e aquela era sua única ficha. Os tapas não adiantavam, pois a ficha não caía.

            E na vida quase sempre acontece de a ficha não cair e você não consegue fazer a ligação entre um fato e outro. E, em não conseguindo, fica difícil de falar e, sobretudo, escutar. E sem o diálogo não há comunicação e sem comunicação não há o entendimento e muito menos a compreensão.

            Os pré-conceitos impedem que nossa razão articule os recentes acontecimentos. Muitas vezes acabamos por nos culpar de coisas das quais nem sonhamos ter praticado. Tudo isso porque a maldita ficha não cai.

            Há muitos anos eu escrevi que os poetas sempre descobrem a verdade na frente dos outros e hoje eu leio esta frase em livros, eu a ouço em entrevistas. Eu também escrevi que me considerava poeta, não pelos versos que eu escrevia, mas pela maneira como eu encarava a vida. Os anos se passaram e eu continuo a ver o mundo com os mesmos olhos de adolescente que enxergava muita esperança atrás da linha do horizonte.

            Seguia em frente e, por diversas vezes, ultrapassei a linha do horizonte e esta ia ficando cada vez mais difícil de atingir e a esperança ia se enfraquecendo.

            Eu não sabia o que de fato acontecia, pois a ficha insistia em não cair. Demorou para que eu compreendesse que a ficha que não caía não era por culpa do aparelho, mas por culpa de quem depositava a ficha de maneira errada dentro do telefone, a pressa sempre foi inimiga da perfeição.

            Depois de muito estudar filosofia, fui aprendendo a me conhecer melhor e até a respeitar meus defeitos. Mas aprendi, também, a reconhecer minhas virtudes. Com isso passei a conhecer melhor as pessoas com as quais eu convivo, bastando um simples olhar, uma leve observação de gestos, de conduta ou de fala. E as fichas começaram, finalmente a cair.

            Aprendi que a vida nada mais é do que um processo do qual nos valemos para um dia, quem sabe, atingirmos a evolução de nosso espírito. Aprendi que o sofrimento é a maneira mais fácil de evoluir; passar pela experiência é mais fácil do que meditar e mais fácil que imitar alguma grande mente que tenha passado pelo planeta antes de nós.

            Pessoas vêm e pessoas vão, mas algumas ficam e de alguma maneira entram em nossos corações para não mais sair de lá embora, muitas vezes, elas já não estejam presentes em corpo. Mais uma ficha que cai.

            O mundo precisa ainda dos antigos aparelhos telefônicos, que ao contrário dos modernos celulares não lhe deixa ver quando a ficha cai.

 

Ivan Jubert Guimarães

27/10/2009



Escrito por Ivan às 08h15
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