Blog de Pensamento Liberal
  Pensamento do Dia

As pessoas escolhem como querem morrer ou serem sepultadas. Por que não escolhem como viver?

Escrito por Ivan às 06h23
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FITA AMARELA

 

           

            Nesses últimos dias uma música de Noel ficou tocando em minha mente. Trata-se de Fita Amarela, onde o poeta dizia como gostaria de ser sepultado e ter satisfeitas as suas vontades, sem choro, sem vela, apenas uma fita amarela. Ele ia mais longe, na verdade, pois queria uma mulata sambando sobre seu caixão, dizia que nunca pagou ninguém e que não possuía herdeiros. Mas uma coisa que a canção acerta em cheio é quando Noel diz que “meus inimigos que hoje falam mal de mim, vão dizer que nunca viram uma pessoa tão boa assim”.

            Eu confesso que a morte de Dercy Gonçalves não me abalou e, na verdade, não deve ter abalado muita gente não. Ela viveu bastante e creio ter vivido como quis. Entretanto, Dolores Gonçalves da Costa, deixou de existir há muito tempo, desde quando Dercy encarnou em sua personagem fazendo Dolores desaparecer.

            Dercy ficou um longo tempo longe dos palcos e das televisões, mas continuou sendo Dercy, com aquele seu jeito de falar, sem muitas vezes terminar as frases, fazendo apenas um muxoxo ou então dizendo um sonoro palavrão. Nisso eu acho que ela foi pioneira na televisão provocando espanto e ao mesmo tempo os risos de apresentadores. A partir daí o palavrão deixou de ser palavrão, virando quase um mote, um jargão.

            A personagem, a artista, Dercy morreu. Mas Dolores já estava morta há muito tempo, Dolores, a sofrida Dolores, que de tantas dores deixou que Dercy assumisse seu lugar.

            Com sua habitual extravagância, Dercy quis ser sepultada em pé. Não se pode nem dizer que “agora descansou”. Bateria de Escola de Samba tocando, gente aplaudindo, aliás, um fato que se tornou comum nos enterros é aplaudir o morto, muitas vezes vaiado durante toda sua vida. Não foi o caso de Dercy, mas acontece em enterros de gente comum, onde alguém diz alguma coisa e começa a bater palmas e os outros se vêem obrigados a acompanhar. É aquele verso do Noel: “vão dizer que nunca viram uma pessoa tão boa assim”.

            Eu me lembro de que quando Bob Kennedy morreu, seu irmão Edward disse em seu velório umas palavras que nunca mais eu esqueci, foi assim: “Meu irmão não deve ser engrandecido ou enaltecido na morte além das qualidades morais que teve em vida”. Sábias palavras!

            Claro que a gente deve respeitar a vida, mas deve-se também respeitar a morte e não fazer dela um show espetacular. Para quem entende a vida e também entende a morte, sabe que essas coisas são uma tremenda bobagem.

Mas deixa isso para lá! Xô perereca, xô perereca!

 

Ivan Jubert Guimarães

23/07/2008

           

           

           



Escrito por Ivan às 06h17
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  Pensamento do Dia

Todo dia é sempre!



Escrito por Ivan às 06h43
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UM DIA, EM TUA VIDA

 

 

            Sempre chega o dia em que temos que fazer um teste para avaliar o nosso aprendizado aqui neste planeta. Esse dia chega assim meio que de repente e como dizia Vinicius, não mais do que de repente.

            Tu estás bem, estás alegre, estás quase feliz! Segue teu caminho com tranqüilidade e em paz e de repente tens que optar. Aquelas vozezinhas dentro de ti enchem a tua cabeça e te colocam em um verdadeiro dilema. E dilema é quando tu te encontras entre duas situações difíceis e não sabe qual delas deves escolher. Nem sempre o dilema se apresenta com situações ruins, não! Às vezes, estás em um jantar e existem duas sobremesas, tu só podes escolher uma delas, mas gostas das duas e o ambiente não te favorece para pedires um pedaço de cada. Elas não combinam uma com a outra e tens que optar. Não é fácil optar; vê os anagramas dessa palavra: prato, topar, rapto, parto, porta, trapo e, talvez, existam mais algumas. O que quero demonstrar é que uma opção errada pode fazer com que tu faças algo bem diferente daquilo que realmente deseja.

            Nós somos os responsáveis pelos nossos atos e todos eles derivam, normalmente, das escolhas que nós fazemos. Somos nós os responsáveis por nossa felicidade. Sempre! Um amor que nos deixa não tem o poder de nos tornar infelizes, pode nos deixar tristes, mas não infelizes.

            Assim ocorre quando nos vemos diante de escolhas e tememos fazer a escolha errada. Em primeiro lugar, não existe certo e errado, o que existe é resultado e ele pode não ser o que esperamos, mas será de grande utilidade para ti, se levares em conta o resultado obtido e dele tirares a experiência necessária, o aprendizado.

            Muitas vezes acontece de que as escolhas apenas nos obriguem a uma determinada renúncia; tu já tens duas coisas e tens que optar por uma delas apenas. As duas são ótimas para ti; tu gostas das duas, precisas das duas, mas uma delas é a vai deixar-te mais feliz.

            As vozes internas e externas causam confusão em tua mente e ficas pensando nas conseqüências que tua escolha poderá causar. Não penses, há decisões na vida que só o coração pode tomar. Só ele! Portanto, relaxa, fecha os olhos e vê passar dentro de tua cabeça as duas situações e sintas-as com toda sua intensidade. Depois, analisa o teu comportamento e vê qual das duas sensações deixou-te mais feliz, num estado de maior paz. E faz então tua escolha, tua opção de vida lembrando-te, sempre, que a porta nunca será fechada, ela estará sempre à tua disposição, qualquer que seja a tua opção. É só voltares um pouco no texto e veres o anagrama de optar. A porta está lá e lá sempre há de ficar.

            A vida é o agora! Não existe o amanhã. O que é melhor para ti agora? Não entendas isso como uma indução à tua escolha, não é o que pretendo fazer. Mas sente, fecha os olhos e apenas sente o que te faz mais feliz agora.

 

Ivan Jubert Guimarães

21/07/2008



Escrito por Ivan às 06h33
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  Pensamento do Dia

O tempo não muda porque sempre é agora.

Escrito por Ivan às 09h18
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AS TAIS DOENÇAS HEREDITÁRIAS

 

 

            Doença poder-se ia dizer que é a ausência de saúde. São tantas que deveria haver um dicionário só para elas, embora o dicionário logo se tornasse obsoleto, tal é o número de doenças que se descobre por aí.

            Hoje eu estava lendo uma matéria na Folha sobre medicamentos para combater o colesterol em crianças. É, este mal já atinge crianças de todo o mundo e logo teremos crianças de 8, 9 ou 10 anos com problemas cardíacos mais sérios.

            Falam numa tal de doença genética chamada hipercolesterolemia familiar. Já ouviram falar disso? Aposto que não. Claro que alguns sim, pois meu blog é lido por alguns médicos também.

            Apesar de a medicina dizer que existem doenças hereditárias de fato, eu ainda sou daqueles que acreditam que todas as doenças são provenientes de desarmonias em nosso corpo, todas elas, mesmo as ditas genéticas ou hereditárias.

            Para quem acredita em Deus e acredita que Ele seja justo, não seria uma injustiça que uma criança ou um adolescente desenvolvesse uma doença aos 13 ou 14 anos, só porque o pai ou o avô dele teve tal doença? É justo?     É claro que se essa criança for fazer exames, os genes dos pais estarão presentes neles e, portanto, a doença. Ou não. Só os genes estarão presentes e eles somente irão se manifestar se um dia a criança assim o permitir. Sabe? Papai e mamãe estão conversando e o pai fala para a mãe coisas do tipo: “Falei com o médico e ele me disse que minha doença é familiar e que provavelmente nosso filho a herdará de mim quando estiver com seus vinte anos”. A criança que está ali por perto, brincando com seus carrinhos, ouve a conversa, mas nem dá bola, mas a informação fica registrada em seu subconsciente e quando ela for apagar as velinhas de seu aniversário de 20 anos, a doença se manifesta.

            Crianças com pressão alta. É normal isso?

            Fim das bolachas recheadas, ingestão de refrigerantes e doces lights e idas ao McDonald's apenas uma vez por mês. Essa é a nova rotina de uma garota de 7 anos. Com uma rotina de vida parecida com essa, só podia dar no que deu. A menina herdou a doença da mãe e de algumas tias. Mas eu pergunto se ela herdou a doença ou herdou os hábitos? A garota tem tendência à obesidade, assim como grande parte das crianças americanas. Desculpas, meras desculpas, o lobby deve ser muito grande para permitir que coisas como essas continuem a acontecer em nosso país.

            Nas palestras sobre nutrição que faço em um hospital eu digo que quando der vontade de ir ao McDonald’s e pedir um Big Mac você deve tirar o sanduíche da caixinha, jogá-lo fora e comer a caixinha, pois é muito mais saudável. Não é a toa que depois de prontos há 5 ou 7 minutos sem que tenha havido um pedido, os sanduíches são jogados fora, mesmo estando depositados em recipientes que mantém o calor. Ou você acha que a lanchonete se preocupa tanto assim com você que o seu sanduíche deva ser comido à determinada temperatura? Fosse assim, eles não fariam entregas.

            Mas o bom de tudo isso é que essas redes, uma a uma estão indo embora do país: foi assim com os frangos fritos, com as pizzas Hut e com outras que já nem me lembro o nome. As opções que você tem nesses lugares são numerosas, mas seja lá o que você escolher, o sabor é sempre o mesmo.

E a culpa é do papai e da mamãe que possuem genes malvadinhos dentro deles. A única culpa que eles possuem é a de terem o mesmo hábito e de terem transmitido esse hábito para os filhos. Mas você pode dizer que nem faz uma batatinha frita como o McDonald’s faz.

Mas voltando às tais doenças hereditárias, as crianças da Somália, da Etiópia, do Sudão e da Eritréia possuem a mesma doença que seus pais e que seus antepassados: fome! Elas certamente não têm colesterol e nem triglicérides altos. Pressão? Acho que... olha... deve ser baixinha!

 

 

Ivan Jubert Guimarães

20/07/2008



Escrito por Ivan às 09h14
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  Pensamento do Dia

"A vida só pode ser compreendida olhando-se para trás; mas só pode ser vivida, olhando-se adiante".

Kierkegaard



Escrito por Ivan às 09h31
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NÃO COMI E NÃO GOSTEI

 

 

            Já faz muito tempo que eu lia um gibi do Pato Donald e havia nele uma história do Peninha e uma degustadora aproxima-se e lhe oferece um pedaço de torta de quiabo e Peninha afasta-se dizendo: “não comi e não gostei!” O fabricante da torta que a tudo assistia admirou-se do jargão inventado por Peninha: “não comi e não gostei”. Peninha foi contratado para ser o garoto propaganda das tais tortas de quiabo que se tornaram um sucesso de vendas, porque só mesmo de ouvir falar em tortas de quiabo, todos se afastavam do produto, embora nunca tivessem provado dele.

            E atitudes como essas, nós costumamos carregar pelo resto da vida. Muitas vezes há um grande filme sendo exibido nos cinemas e a gente não vai vê-lo por causa do título. Com um livro acontece a mesma coisa. Até que alguém leia e comente com você e você sai correndo para comprá-lo ou vai ao cinema e o filme já saiu de cartaz.

            Realmente existem pessoas assim e eu me pergunto se essas pessoas costumam decidir as roupas que vestem, o que comem, o que bebem, se compram o carro que gostam, ou se deixam atingir apenas pelos comerciais de televisão ou mesmo pelos anúncios em revistas. Como pessoas assim podem formar opinião sobre alguma coisa?

            São tão dominadas por uma Mente Coletiva que fazem julgamentos sem mesmo ter visto, ter lido, ou comido a tal torta de quiabo.

            Algumas dessas pessoas exercem influência sobre outras pessoas de mentes mais fracas e esse pseudo-domínio provoca apenas a impossibilidade de se adquirir a experiência. Não que ela seja a única forma para se atingir a evolução, mas é a mais comum delas, por ser a mais fácil.

            Passam pela vida como um trator e acham frescura ver um homem que sente atração por flores, ou ver um homem se emocionar até às lágrimas apenas por presenciar um casal de velhos se abraçando com ternura nas ruas. São pessoas que não sabem o que é receber um abraço de uma criança doente que não seja o filho delas.

            São pessoas que reclamam porque ouvem os outros reclamarem, mas na verdade nem sabem do que reclamam e têm sempre na ponta da língua uma frase pronta para negar tudo o que os outros lhes dizem.

            Não é fácil viver a vida, porque a vida é feita para os fortes, para aqueles que conseguem passar por sobre os problemas que a vida lhes oferece, apenas mudando de atitude. Realmente, não é para qualquer um. É preciso Coragem, não valentia, nem ser herói.

            E agora, vocês aceitariam provar um pedaço de torta de quiabo?

 

Ivan Jubert Guimarães

19/07/2008

           



Escrito por Ivan às 09h28
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  Pensamento do Dia

"Não faça de sua vida um rascunho, pois você pode não ter tempo de passá-la a limpo".

A. Rossato



Escrito por Ivan às 06h39
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EU CONFIO NA JUSTIÇA!

 

            Não me entendam mal, por favor. A frase-título não é minha. É de Alberto Salvatore Cacciola, alguém ainda se lembra dele? Claro que sim, não existe crime perfeito. Existe justiça perfeita e é por isso que ao ser extraditado para o Brasil, o sujeito vem elogiando a Polícia Federal e dizendo acreditar na justiça.

            Afinal de contas, o que é justiça?

            As vítimas ou parentes de vítimas mortas clamam por justiça o tempo todo e nada acontece. Choram diante das câmeras de televisão, imploram por justiça e ninguém parece saber o que é. De vez em quando, um ou outro acaba ficando preso exatamente por não confiar na justiça. É, é isso. Os que estão presos são exatamente aqueles que não confiam na justiça, ou cujos advogados obtiveram seus diplomas em faculdades que não ensinaram o que justiça quer dizer.

            Toda aquela turma do mensalão acredita na justiça. Disseram isso e estão livres. Quem diz que espera que seja feita justiça é porque não acredita e por isso continua presa ou então fica clamando por ela diante das televisões.

            A fé na justiça é tão grande, por parte de alguns, que eles chegam presos e aparecem sorrindo, dando entrevistas. Vá ter fé assim na... Vocês sabem onde.

            Daqui a pouco ninguém mais irá encontrar Daniel Dantas, sabe como é, banqueiro acredita na justiça, Cacciola que o diga. Naji Nahas deve ser outro que acredita na justiça. Já o Pitta, está sempre de cara amarrada, perdeu a pose, perdeu a família, esse certamente não crê na justiça e talvez fique mais tempo na cadeia, até porque a cor de sua pele não o favorece diante da lei. Quanta injustiça!

            E Cacciola diz que saiu legalmente do país para passar uns dias na Itália, oito anos mais precisamente.

            Cacciola é apenas mais um que veio para renovar seu Habeas Corpus e depois volta para o Principado de Mônaco, livre como um passarinho. Mas isso irá acontecer apenas porque ele acredita na justiça.

            Não há e nem pode haver Justiça (aqui sim com letra maiúscula) sem a Verdade. Alguns companheiros de curso sabem de qual Justiça estou falando.

            Por enquanto, vamos ficar com esse conceito: Polícia prende, justiça solta!

 

Ivan Jubert Guimarães

18/07/2008



Escrito por Ivan às 06h36
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  Pensamento do Dia

"Somos o que fazemos, mas somos principalmente o que fazemos para mudar o que somos".

Eduardo Galeano



Escrito por Ivan às 07h00
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O CIRCO

 

            O circo está lotado, mas o picadeiro ainda está vazio. O vento que sopra para dentro da tenda traz o cheiro dos animais e de suas fezes, mas o público bate palmas, desejando que o espetáculo se inicie logo.

            O apresentador aparece carregando na mão um microfone sem fio e, parando no centro do picadeiro, ele anuncia: “Respeitável público...” A platéia se sente elogiada por ser chamada de respeitável e começa a bater palmas novamente e não ouve nada do que o sujeito lá embaixo está dizendo.

            O show começa e exibe um quadro onde três sujeitos são levados à cadeia por um palhaço vestido de policial e dali a pouco chega um indivíduo de terno e agitando uma folha de papel e o guarda então abre a cadeia e solta os prisioneiros. O guarda senta-se na cadeira e mal começa a ler, os caras chegam de novo e ele tem que novamente abrir a cela e lá se alojam os três ex-prisioneiros. O guarda fecha a porta da cela e antes mesmo de guardar a chave o mesmo engravatado chega agitando outro papel e ele tem que abrir a porta da cadeia outra vez e os prisioneiros saem da prisão. O guarda, com raiva, dá um chute da cela e ela se desmonta toda. A platéia delira e os aplausos se fazem ouvir por toda a tenda.

            Logo depois, outra cena se inicia, parece mais um drama, mostrando um conjunto de policiais fingindo uma perseguição a outro carro e dando tiros e o carro pára com seus ocupantes mortos e os atores que fazem o papel dos policiais fingem tirar os corpos de dentro do carro, puxando-os por sob as axilas e deixando-os no solo do picadeiro. De novo a platéia delira e irrompe em aplausos. Lá embaixo os atores discutem: “foi acidente, foi acidente”. Em seguida outro carro parado e policiais vindo a pé diante dele também atirando e uma mulher joga a bolsa pela janela, mas os caras continuam atirando e uma criança é morta. E a frase tão ensaiada é repetida outras vezes: “foi acidente, foi acidente”.

            Sem esperar a reação da platéia começa o número mais esperado da noite: o trapézio! E um casal entra no picadeiro junto com uma menina graciosamente vestida e todos eles sobem pela corda. O que parece ser o pai começa a balançar lá no alto apoiado pelas pernas e aí a mulher, salta no ar e o homem a segura e eles fazem alguns movimentos bem ensaiados. A platéia bate palmas e com as cabeças erguidas esperam o início da apresentação da garotinha. Ela se prepara e salta nos braços do pai e fazem acrobacias maravilhosas enquanto a mãe se balança sozinha fazendo gestos típicos de “vem cá meu bem”. O pai toma impulso e enquanto o trapézio volta para o centro do picadeiro, ele lança a menina, mas a mãe está lá do outro lado e não alcançando a garotinha ela se estatela lá no chão.

            A platéia fica atônita, alguns se levantam e tornam a se sentar comandados pelos gritos de quem está atrás e também pela voz do locutor lá embaixo. Ninguém entende porque a menina se estatelou no picadeiro, havia uma rede de proteção e o responsável por ela vai olhar e vê que tem um buraco na rede e alguém começa a gritar: “foi acidente, foi acidente”.

            Mas o show não pode parar e a platéia grita: “parou por quê? por que parou?” e os gritos se sucedem. Mas o porta-voz do circo entra em ação e avisa que será distribuída pipoca grátis para todos os presentes e o público aplaude!

            Entra em cena um sujeito meio atarracado ostentando uma faixa verde e amarela no peito e fazendo gestos com a cabeça como que perguntando: “o que aconteceu, o que aconteceu? eu não vi nada, ninguém me conta nada, o que foi? Cadê o delegado?”. Nisso, uma balão de ar estoura e um monte de gente de terno preto irrompe no picadeiro e se joga sobre o sujeito atarracado e o locutor então mais uma vez entra em ação: “Respeitável público, por motivo de segurança nacional somos obrigados a dar por encerrado o espetáculo da noite!”

            Aí um garotinho pergunta para o pai: “mas cadê os palhaços?” e assim que ele fita o rosto do pai ele percebe onde os palhaços estão.

 

Ivan Jubert Guimarães

17/07/2008



Escrito por Ivan às 06h57
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  Pensamento do Dia

"Não é digno de saborear o mel aquele que se afasta da colméia por medo das picadas das abelhas".

Shakespeare



Escrito por Ivan às 07h16
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EU FUI UM GAROTO QUE AMAVA OS BEATLES E OS ROLLINGS STONES

 

 

Foi logo após o golpe militar de 1964 e eu tinha na época 16 anos e acreditava muito naquilo que eu ouvia e via na mídia. Achava legal até um marechal ser presidente do país. Tinha assistido a uma marcha da família pela liberdade e sempre ouvi que os russos eram o inimigo número um do mundo.

Todos os filmes a que eu assistia, os russos eram os inimigos, comunistas comiam criancinhas, atributo que hoje é reservado aos padres, e precisavam ser derrotados. Não entendia direito aquele negócio de guerra fria e foi uma guerra que durou décadas e nunca vi ou ouvi falar que tiros houvessem sido disparados. Parecia-me uma briga de casal, onde um xinga o outro e vice-versa. De vez em quando eles iam brigar em outros países, Coréia, Vietnam e até mesmo perto de Cuba, num lugar adequadamente chamado de Bacia dos Porcos.

Mas para mim, naquela época isso não dizia muita coisa. Somente quando eu já estava com dezessete ou dezoito anos eu comecei a entender melhor as coisas e, aos dezenove, eu já não era mais a mesma pessoa.

Aquela coisa de patriotismo que eu ouvia dentro das fileiras do exército, então poderoso, começava a não me cheirar bem e o terrorismo interno aplicado sobre os recrutas, como eu, era assustador, para quem estava acostumado a ouvir canções de amor dos Beatles, dos Rolling Stones e de Roberto Carlos que tinha roubado a namoradinha de um amigo dele.

Na hora do rancho, eu comia em bandejas, com talheres e canecas de alumínio onde se lia US ARMY e era a mesma marca que tinha nos cantis de água.

E eu ficava imaginando se tudo aquilo havia sido usado por soldados mortos na Coréia ou no Vietnam. Sabe? É que havia algumas ou muitas coisas que tinham um amassadinho aqui ou ali.

Nessa época eu ficava imaginando que o nosso exército e, conseqüentemente, o nosso país era comandado por outros generais não brasileiros. E o ano de 1964 voltava sempre à minha mente e eu me via em uma fila enorme na Rua Sete de Abril, no centro de São Paulo, para entrar no saguão dos Diários Associados e lá deixar um anel de ouro com uma enorme pedra de rubi, que eu havia ganhado de meu pai, para doar para o meu país. Em troca, eu ganhei uma aliança onde estava inscrita a frase “Eu doei ouro para o bem do Brasil” Saí de lá orgulhoso na época, mas esse orgulho logo virou desencanto quando vi aquela montanha de ouro ser carregada num navio da Marinha Brasileira e tomar rumo sabe Deus para onde. Joguei fora aquela aliança porque ela era o sinal de minha idiotice. A capital já havia mudado para Brasília e eu me perguntava aonde ia aquele navio já que Brasília fica no Brasil Central e não tem mar por lá.

Tivemos um rei, D. João VI, que pedia propinas, roubava de si mesmo, tudo bem ele era português, mas isso não vem ao caso. O grande culpado de tudo foi Pero Vaz de Caminha que escreveu que aqui a terra era rica, boa e generosa. Não foi bem assim que ele escreveu mas a informação era o mais importante. Safado, ele nem mostrou a carta para seu comandante Pedro Álvares Cabral e a encaminhou diretamente ao rei de Portugal. Não se sabe o que aconteceu a Cabral a não ser que foi destituído de seu cargo e morreu anos depois esquecido da fidalguia. E pobre. Certamente não era um político.

Eu só queria ter meu anel de volta!

 

Ivan Jubert Guimarães

16/07/2008



Escrito por Ivan às 07h13
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  Pensamento do Dia

"Eduquemos as crianças e não será necessário castigar os homens"

Pitágoras



Escrito por Ivan às 07h35
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