QUOSQUE TANDEM?

 

 

            Até quando Senhor, devemos esperar por um mundo melhor? Eu sei que tudo depende de nós mesmos, mas o mundo parece estar todo confuso e fica difícil entender como consertar as coisas. Parece estarmos vivendo nas trevas e eu gostaria de poder dizer “Faça-se a luz” e clarear toda escuridão.

            Sei que não tenho esse poder e não estou fazendo críticas à Sua criação. Reconheço o meu tamanho.

            Na busca pela evolução fomos deixando muita coisa para trás, coisas importantes eu acho. Desde os primórdios da civilização o homem dotado do livre arbítrio entendeu tudo errado e achou que podia fazer o que bem entendesse. E vem fazendo tudo que sua mente imagina poder fazer.

            No passado, quando eu ainda era um estudante, lia nos livros de História, onde todas as civilizações viviam de conquistas através de guerras violentas e saques para se enriquecerem.

            A vinda de Jesus, o tão sonhado Messias que os hebreus esperavam, foi desprezada pelos próprios hebreus que desejavam um rei lutador. E isso aconteceu numa região onde os povos que a habitavam eram os únicos que tinham a crença em um único Deus. Aquele que deveria ser o salvador foi traído, preso, torturado e morto por crucificação.

            Sei que o Senhor sabe de tudo isso e que muito provavelmente foi tudo planejado. Deu certo, a mensagem de paz e de amor que Jesus nos deixou, chegou aos corações de muitos homens e ainda perdura em milhões de corações. Mas meu Senhor, milhões também não acreditaram em Cristo e até hoje não acreditam e fazem guerras religiosas, guerras sangrentas, tudo para impor seus podres poderes aos derrotados que são escravizados.

            Confesso que mesmo tendo passado tanto tempo não aprendemos nada e continuamos fazendo bobagens.

            Os povos do Oriente Médio fazem guerras que nunca acabam. Outros homens inventaram o patriotismo e conseguiram impor uma mente coletiva que não age com razão. O patriotismo trouxe junto com ele a discriminação racial, veio a intolerância religiosa, o desrespeito à cultura de cada povo, aos costumes. Parece que ninguém entende que somos todos habitantes de um mesmo planeta e nos tornamos inimigos por natureza.

            Até quando Senhor, ficaremos à mercê de tanta desordem que o homem vem praticando? Não estamos conseguindo espalhar a paz e o mais triste é ver que muitos intelectuais dizem que a paz só existe porque existe guerra. Não parece uma idiotice?

            Cristo nos disse que “bem aventurados sejam os pobres de espírito porque deles é o reino dos céus”. Suas palavras eram dirigidas aos humildes, que pela humildade ajoelhavam-se diante do Senhor. Mas somos arrogantes e orgulhosos e fazemos da vaidade as nossas roupas. Tornamo-nos seres que vivem o Ter ao invés de viverem o Ser. Em nossas relações criamos castas de amigos e separamos os humildes dos mais ricos e poderosos, porque podemos precisar deles um dia.

Ao darmos uma festa deixamos de lado os humildes com a desculpa de que não os convidamos porque eles não se sentiriam bem em um ambiente mais requintado e, assim, lavamos nossa consciência.

A televisão que muitos julgam ser a maior invenção humana nos tornou consumistas, alienados e tem estragado nossas crianças que assistem a todo tipo de coisa: realities shows, programas policiais que mostram a violência no mundo e que ainda ensina como se deve preparar uma bomba caseira.

Nos esportes, no futebol principalmente, o que vemos são guerras entre torcidas. Nos estádios os torcedores são separados por tropas e essas tropas se agridem no campo e fora dele. Dia de jogo é dia de morte.

Os assaltos crescem a cada dia e os ladrões estão cada vez mais ousados e criativos e nos telejornais assistimos ao vivo alguém matar alguém. As leis elaboradas por políticos corruptos protegem mais aos bandidos do que o cidadão comum. Os corruptos são verdadeiros assassinos pois roubam e desviam muito dinheiro que deveria servir para melhorar a vida do povo.

Alguns crimes são tão selvagens que hoje se mata por qualquer coisa, usa-se qualquer tipo de arma, até arco e flecha, facas que mutilam pessoas depois de mortas e isso acontece por causa de um celular, uma moto, um carro ou mesmo dinheiro que o cidadão carrega consigo.

Todos os dias vemos que a polícia prende um chefão do tráfico, mas eles não sabem que esses bandidos não são os maiores chefões não. Para controlar um negócio que é responsável pelo maior faturamento do mundo é preciso ser gente muito poderosa, muito influente tanto no meio empresarial como político. Bandido criado na favela não possui inteligência para isso e não passa de testa de ferro.

Com a tecnologia existente hoje é fácil descobrir em todo o planeta onde há plantio de ópio, de coca, de maconha e porque ninguém destrói essas plantações?

Sei que fiz aqui alguns julgamentos e que não deveria fazer essas coisas, mas não dá mais para aguentar tal situação. É difícil manter o ódio longe da gente Senhor! É intolerável ver filhos matando pais, pais matando filhos e filhos sendo mortos na rua, em frente de casa, na escola. Os crimes sexuais crescem a cada dia e o que se vê é uma indiferença social, pois tudo isso já se tornou normal.

Perdoe-me Senhor por este desabafo. Só queria saber o que fazer para ajudar. Sei que estamos passando por um carma coletivo e que eu devo ter forças para suportar com serenidade o que eu não posso mudar.

 

Ivan Jubert Guimarães

 

20/09/2016

O DIA SEGUINTE NA POLÍTICA

 

 

            Comemorar é com a gente mesmo. Não importa o quê! Nascemos e fomos criados para fazer comemorações.

 

            Dias atrás comemoramos o impeachment da presidente Dilma e no mesmo dia já ocorriam manifestações pedindo o afastamento de Temer. Este assumiu o governo e viajou em seguida para a China, nem colocou a faixa presidencial, pelo menos eu não vi.

 

            Após cumprir seu mandato de dois anos, Ricardo Lewandowski passou a pasta para sua sucessora a ministra Carmen Lúcia. Assisti seu lindo discurso de posse, mas fiquei arrepiado de ver Lula entre os convidados para o evento, sorrindo ao lado da nova ministra do STF.

 

            Para mim seu discurso perdeu o valor. Foram belas palavras, mas como Francesco, houve um tempo em que eu também acreditei em palavras.

 

Ivan Jubert Guimarães

 

13/09/2016

E TUDO ACABOU EM PIZZA!

 

 

            No final tudo acabou do jeito que foi planejado. Durante uma semana fiquei em frente da televisão, no canal da TV Senado, assistindo os depoimentos de senadores e advogados falando pró e contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff.

           

Eu sei que foi um tempo perdido, mas eu queria assistir “in loco” o que iria acontecer. Não houve surpresas, já que o impeachment foi aprovado. Eu confesso que agora que tudo terminou, não estou feliz. Aliás, eu me aborreci muito vendo e ouvindo senadores desonestos bradando pela bandeira da honestidade. Muitos deles, certamente, mereciam estar no banco dos réus. É estranho ver que o vice-presidente recém-empossado viaje na mesma noite para a China, talvez um dos lugares mais distante do Brasil, senão for o mais longínquo. Acho que deveria se resguardar um pouco e tomar as primeiras providências de um novo governo. Mas tudo bem, muitos dirão que uma reunião do G20 dos países em desenvolvimento. O que faremos lá se se o país está andando para trás?

 

Maldades à parte, Não sei se será bom para o presidente empossado estar presente em uma reunião no dia seguinte ao dia de sua posse. Talvez alguns países não concordem com a legitimidade do processo que acabamos de viver. Mas, em política, tudo é possível até porque vivemos no reino de todas as possibilidades.

 

Confesso que “já nem sei se sou feliz ou não”. Isso porque o julgamento como um todo me pareceu um grande circo, com discursos repetitivos de ambos os lados como se fosse um ensaio programado com desfecho impactante. Não houve impacto, entretanto, apesar dos risos e lágrimas. Grande parte dos senadores não prestavam atenção enquanto outro senador falava, talvez pelo fato de já estar tudo combinado e a cena já era conhecida.

 

De fato, eu acho que mais uma vez tudo acabou em pizza, só que desta vez, a pizza é meio a meio, metade de falsidade e metade de palhaçada.

 

Ivan Jubert Guimarães

 

31/08/2016

A JUSTIÇA

 

 

            Eu estava cursando os primeiros anos do antigo Ginásio e tive um professor de Português que me deu aulas nos quatros anos do curso. Eu me lembro de uma vez em que ele cochilou durante uma aula de leitura e a classe fazia a maior algazarra enquanto um aluno lia. Começou uma guerra de papel e por acidente uma bolinha de papel caiu na cabeça do professor. Silêncio total na classe com todos temendo o que estava por vir.

 

            O Professor Cunha calmamente se dirigiu à classe: “Sabem de uma coisa? Além de professor eu sou dentista, mas desisti da profissão. Eu também sou advogado e também desisti da profissão. O motivo foi que eu jamais poderia ganhar dinheiro com a dor ou com o sofrimento dos outros. Então optei por ensinar e escolhi ser professor de Português. Achava que estaria dando minha humilde contribuição fazendo o bem para meus alunos. A aula de hoje está encerrada”.

 

            Quando se aproximava a formatura convidamos o professor Cunha para ser nosso paraninfo, mas ele recusou o convite.

 

            Esta foi uma das maiores lições que recebi na vida, até então. Quando eu me preparava para prestar os vestibulares, ia fazer exames para a Faculdade de Direito e lembrei-me de meu professor e acabei optando por fazer Administração de Empresas. Cheguei a prestar exames para a Faculdade São Francisco, mas confesso que não estudei absolutamente nada para os exames. Eu achava que para ser advogado, teria que ser lá. Qualquer outro lugar não servia. Naquela época o curso de Direito proliferava no país e tinha primos e amigos que estudavam em cidades do interior e tinham aulas apenas nos finais de semana a cada 15 dias. Na verdade queria apenas o título de doutor, nunca advogaram na vida. Por isso desisti de fazer o curso.

 

            Tenho muitos advogados na minha família e em meu círculo de amigos e passei a observar os advogados com mais atenção. Em reuniões que participei, quando me apresentavam a um grupo de advogados eles me perguntavam se eu também era advogado. Quando dizia que não, a conversa não seguia adiante. Até que um dia, em uma churrascada em um sítio, alguns homens vestidos apropriadamente para um churrasco, usando ternos e gravatas, me fizeram a mesma pergunta e eu respondi que não, porque eu tinha preferido estudar e saí de perto daquele ridículo grupo.

 

            Vi muitos advogados ganharem muito dinheiro para tirar algum filho de seus clientes da cadeia. Eles diziam que precisavam de uma quantia para pagar um juiz ou um delegado. Tudo mentira, é claro. Ele já estava com o alvará de soltura em mãos. O dinheiro era para ele, além dos honorários advocatícios.

 

            Perdi o respeito pela profissão e passei a fazer comentários jocosos com os doutores da lei, coisas do tipo: “Um mundo bem melhor não precisa de advogados”; ou “Falem bem dos advogados porque um dia você pode precisar de um”.

 

            Eles são inteligentes, na maior parte dos casos, pois sempre encontram brechas na lei para botar criminosos na rua. Temos visto isso acontecer diariamente com empresários e políticos corruptos.

 

            O que me chateia de verdade é ver que nossas leis são arcaicas e as penas parecem brincadeira. Cada decisão de um juiz é soberana, ele decide a seu bel prazer quantos anos um sujeito deve ficar na prisão, independentemente do crime.

 

            Eu fico imaginando um trabalhador qualquer, digamos um jornaleiro. O sujeito trabalha horas a fio, acorda cedo para ir às distribuidoras de revistas apanhar o reparte daquele dia. Ele quer investir e aluga um terreno para construir sua nova banca de jornais. Faz o negócio, constrói sua banca e logo é despejado do local. Recorre à justiça e o juiz não lhe dá ganho de causa. O homem, agora já sem sua banca de jornais ofende o juiz nas redes sociais. Uma juíza tomas as dores do colega e manda prender o jornaleiro com uma pena de prisão de mais de sete anos. O homem fica na cadeia junto com outros presos perigosos, até que seu advogado consegue tirá-los da prisão de segurança máxima depois de passar um bom tempo preso.

 

            Mas este é um caso inventado, então vamos falar de uma situação de briga doméstica. A mulher se separa do marido por causa dos maus tratos e vai viver com a criança, fruto dessa relação. O homem não aceita a separação e ainda quer ficar com a guarda da criança e começa a ameaçar a ex-esposa. Vai à casa dela e bate nela. A mulher trabalha fora, digamos que seja enfermeira, e sofrendo ameaças constantes resolve ir a uma delegacia prestar queixa contra o antigo companheiro. A delegada de plantão solicita que seja expedido um mandato que obrigue o homem a não se aproximar da mulher. Vamos fazer de conta quer agora não é um juiz, mas uma juíza que analisando o pedido da delegada indefere o pedido desta alegando que não se trata de briga doméstica, mas de discussão para a posse da criança. A enfermeira fica, então, sem proteção. Passam-se dois meses e o marido mata a enfermeira.

 

            Casos como esses acontecem de verdade por este país onde a justiça não funciona. Dizem que a justiça é cega, mas além de cega ela é burra e corrupta. Quem tem um advogado famoso, desses que cobram caro, sempre se liberta e se calhar de ser preso, vai receber regalias e logo volta às ruas.

 

            Por que que o jornaleiro não estudou Direito? E a coitada da enfermeira resolveu cuidar de pessoas doentes sem receber nada em troca, por que não foi ser juíza, por exemplo?

 

            Encerro esta crônica dizendo que todos os fatos aqui apresentados são fictícios e que qualquer semelhança com fatos reais é mera coincidência.

 

Ivan Jubert Guimarães

 

27/07/2016

A TOCHA E OS TROUXAS

 

 

 

            Quando passou pela Grande São Paulo e pelas ruas da Capital paulista, vi muitas celebridades carregando a dita tocha, mas quase não vi atletas olímpicos fazendo o mesmo. A Rede Globo colocou jornalistas, apresentadores de seus telejornais esportivos ou de notícias para carregarem a tocha..

 

            Embora estejamos no inverno, esta é uma olimpíada de verão para o resto do mundo, resto que também realiza  olimpíadas de inverno. Mas voltando à tocha, aqui ela percorreu a maior parte de seu percurso previamente estipulado de avião, de barco numa verdadeira palhaçada e despesas pagas sei lá por quem. O governo diz que não teve gasto algum com a Olimpíada, sei.

 

            A Vila Olímpica está nos enchendo de vergonha perante o mundo. As delegações foram chegando e quase no mesmo instante indo para hotéis. O idiota do prefeito do Rio de Janeiro ainda quis fazer piada dizendo que se os australianos quisessem se sentir em casa ele providenciaria cangurus. A resposta foi imediata: “não precisamos de cangurus e sim de encanadores”.

 

            Mas a tocha ainda está viajando, agora, creio, a caminho do Rio. Teve de tudo, policiais dando trombadas e caindo de sua motos e bicicletas, gente invadindo o caminho para tentar segurar, quem sabe roubar a tocha. Quem precisasse ir para um hospital tinha que esperar a tocha passar. Ocorre que atrás dela e também ao lado, milhares de pessoas seguiam os corredores. Alguns corriam pulando como fossem macacos. Confesso que senti vergonha.

Mas a vergonha ainda será maior na cerimônia de abertura e também na de encerramento.

 

Sarah Brightman, José Carreras, Montserrat Caballé, Fred Mercury, Whitney Houston, Plácido Domingo, Glória Stefan, Olivia Newton-John, Andrea Bocelli e Paul Mc McCartney formam uma lista de nomes que participaram da abertura e do encerramento de alguns jogos olímpicos. E quem o Brasil tem à altura para se fazer representar? Nada mais, nada menos do que Anitta.

 

As forças Armadas e as polícias federais e estaduais, além da guarda municipal estão fazendo treinamento contra possíveis atentados terroristas, mostrando ao mundo suas táticas de repressão. Esquece-se que o verdadeiro terrorismo está acontecendo pelas construtoras que ergueram estádios e os prédios da Vila Olímpica. O fato de a Odebrecht ser uma delas é meramente coincidência.

 

            Os jogos de futebol serão realizados fora do Rio o que obrigará possuidores de ingressos a viajar pelo país. Será que sabiam disso? Mas isso é somente mais um detalhe dessa palhaçada global e petista.

 

Ivan Jubert Guimarães

 

26/07/2016

COMO É QUE É COMO É QUE É?

 

 

 

            Eu queria viver um pouco antes de morrer. Já passei antes por isso e talvez não tenha aprendido a lição, por isso, tenho que repetir a experiência.

Empobreci jovem ainda, da noite para o dia. Perdi muita coisa naqueles tempos, inclusive os amigos. Em minha casa ficaram apenas as camas, um fogão e uma geladeira. O resto foi tudo embora com oficiais de justiça. Foram dias de muita incerteza, eu não arrumava emprego, pois não estava quite com o Serviço Militar.

 

            Os anos passaram, tive bons empregos e ótimos salários. Fui fazendo carreira por onde passava. Sempre me destaquei profissionalmente e sempre chega a hora em que se resolve tentar a carreira solo. Fui comerciante, editor e publicitário. Casei, descasei e tornei a casar, mas as doenças foram surgindo e fui perdendo clientes e também a força. Nova separação conjugal e hoje, além da solidão, ficou a tristeza do sentimento de abandono.

 

            Os amigos tornaram a desaparecer, os convites nunca mais chegaram para passeios ou festas. Os parentes agregados, então, nem se fala. Basta separar-se do cônjuge e você passa a estar separado de toda a família.

 

            Leio muitos livros e estudo muito também. Não tenho uma formação intelectual como alguns filósofos e historiadores da atualidade que ocupam a mídia mais tempo do que as salas de aula. Mas tenho os meus talentos também e humildemente gostaria de poder conversar com eles um dia qualquer, embora eu ache que todos eles possuem um arsenal de frases feitas que usam em quase todas as suas palestras. Nada contra as frases feitas, eu as uso também. Talvez eu esteja mais interessado nas frases feitas do que em suas opiniões. Eu já dei muitas palestras e escrevi dois livros, além de mais de mil crônicas e quase outro tanto de poesias e muitos contos. Mas não faço sucesso. Escrevo para poucos.

 

            Ontem ouvi pensamentos de Hélio Ribeiro, meu mentor poético. Coisas ditas em seus programas de rádio há mais de trinta anos e que ainda são tão atuais. Meu pensamento voou àqueles tempos e pude constatar que nada mudou no mundo, apenas o avanço tecnológico que tem afastado os homens dos outros homens, embora eles achem o contrário. Conseguimos a proeza de afastar as famílias do convívio social. Hoje as pessoas não falam, elas digitam e criaram um novo idioma cibernético. Da mesma forma os palestrantes usam palavras estrangeiras e se autodenominam com nomes que os fazem parecer mais importantes do que realmente são.

 

            Abrindo parênteses quero salientar que este texto não é proveniente de um sentimento de auto piedade  Não mesmo. Não sinto pena de mim; no momento estou em pleno gozo da indiferença aos seres humanos, cujas atitudes egoístas e consumistas só contribuem para o estado de coisas que vemos diariamente nos noticiários. O triste é que isso tudo não é um problema do Brasil, mas mundial.

            Quanta barbárie tem acontecido em tantas regiões do planeta, isso sem falar dos desastres naturais e das doenças novas que surgem de tempos em tempos e que estão ceifando vidas. Os esotéricos dizem que tudo isso já estava previsto para acontecer. Pode ser, mas se não podemos mudar essas coisas, de que nos serve o propagado Livre Arbítrio?

 

            O mundo está do jeito que está porque nós queremos que seja assim. Nossa evolução depende do convívio social, mas ainda estabelecemos fronteiras entre os países. Muitos não querem perder suas posições de reis, de presidentes, ditadores. A própria saída do Reino Unido da Comunidade Europeia é uma prova disso. Na verdade, os ingleses saíram de um lugar onde nunca estiveram, já que nunca oficializaram o Euro como sua moeda e continuaram usando a Libra.

 

            As fronteiras inibem o direito do homem de ir e vir. Já os animais podem atravessar fronteiras sem ter que apresentar documentos e passaportes. São mais livres do que nós.

 

            Algo de muito grave está para acontecer e vai acontecer muito em breve.

 

Eu confesso que estou cansado e, por isso, iniciei este texto dizendo que gostaria de viver um pouco antes de morrer.

 

 

Ivan Jubert Guimarães

 

12/07/2016

SOCIEDADE HIPÓCRITA

 

 

            O mundo é tão hipócrita que atualmente vive produzindo filmes que se utilizam de atores do todas as idades, adultos, velhos e principalmente crianças para emocionar cidadãos de todos os países, coisa fácil de se fazer através das redes sociais. A quem querem emocionar e o que pretendem com isso?

 

            Os vídeos mostram situações que misturam atores com gente do povo; mostram diversos tipos de reações de indiferença e desprezo quando a criança pede um lanche, ou um livro como vi num vídeo recente. Alguns dos passantes até fingem atender aos pedidos, afinal somos todos atores.

 

            O mendigo da Avenida Paulista é diferente do mendigo da periferia. Nos lugares mais luxuosos da cidade as pessoas correm o risco de estarem sendo observadas e demonstram uma solidariedade inexistente em seus corações. Isso se tornou banal ultimamente. Reportagens e vídeos que mostram apenas o quanto a sociedade é hipócrita e o quão mentirosa são as redes de televisão espalhadas pelo mundo!  Criam a emoção, as pessoas pensam no assunto, mas não mudam de atitude. Continuam sendo egoístas fingem praticar o bem, mas não estão nem aí.

 

            Nos semáforos motoristas fecham os vidros dos carros com medo que o pedinte seja um assaltante armado. Eu não dou esmolas nos semáforos, porque enquanto eu distribuir moedinhas para pedintes ou falsos acrobatas, eu estarei contribuindo para que isso não acabe nunca. Mas converso com algumas crianças, ou mesmo adultos, dou-lhes a atenção que merecem, pois muitas delas querem apenas conversar, serem ouvidas ou ouvirem palavras de encorajamento e de esperança.

 

            Temos medo da violência que assola as ruas das cidades e esse medo tem fundamento, pois não paramos de senti-lo porque só pensamos nisso e esquecemos que nosso pensamento é energia e atraímos aquilo que pensamos.

 

            Diariamente chegam até nós notícias do mundo inteiro, mostrando crimes dos mais violentos, onde pessoas morrem em atentados terroristas, em assassinatos dentro dos lares, com filhos matando pais, pais matando filhos, crimes passionais, crimes que nem deveriam acontecer, mas que acontecem pelos motivos mais fúteis. Ninguém escapa, pois ninguém está ileso de ser assaltado, ter um celular roubado e ser morto mesmo que não esboce reação.

 

            As televisões criaram até programas especializados na violência urbana e seus apresentadores passam repetidamente a violência e reprisam, reprisam até que surjam novos crimes hediondos ou um novo ataque terrorista.

 

            Criticamos o Estado Islâmico pelas matanças que provocam pelo mundo. São ataques que exterminam vidas e deixam milhares de pessoas feridas. Criticamos nossos governantes, mas os governantes de todos os países são iguais já que todos são políticos.

            Precisamos deles, pois não saberíamos viver sem lideranças, seria o caos.  E é por isso que o homem criou os freios humanos, leis que regulamentam nossas ações. O homem também criou as religiões com o mesmo objetivo de frear nossa conduta para não pecarmos.

 

            Os homens que surgiram em diversas partes do mundo com o objetivo de criar a paz, morreram por ela. Gandhi, Malcolm X, Martin Luther King e tantos outros em todos os tempos. Se voltarmos ainda mais no tempo, podemos perguntar quem matou Jesus? Terá sido Tibério, Imperador de Roma, ou Pôncio Pilatos?  Talvez Caifás ou os judeus? Na verdade não foi nenhum deles, fomos cada um de nós que preferiu escolher um ladrão e assassino chamado Barrabás. E tem sido assim, sempre! Quando votamos, quem elegemos? Bandidos, ladrões e assassinos.

 

            Se nós mesmos não nos conhecemos, como poderemos conhecer o outro? Sócrates, outro que foi condenado e morto pela lei de sua época, respondeu a um discípulo que lhe perguntara como ter o seu conhecimento. Sócrates, sem se virar apontou para trás onde no Templo de Apolo, em Delfos, estava inscrito: “Conheça-te”.

 

            Mas poucos são os homens que se conhecem a si próprios. Todos têm medo de reconhecer suas virtudes e seus defeitos, porque são hipócritas. É muito mais fácil criticar os outros do que fazer o que é direito. Aliás, esta é outra palavra muito usada pelos hipócritas, pois todos acham que têm direito a alguma coisa, a um governo honesto, a trabalho bem remunerado, etc.. Eles confundem direito com Dever. Honestidade não é virtude, é dever. Amar ao próximo não é virtude, é dever.

 

            Como amar ao próximo se nós mesmos não nos amamos? Estragamos nossos corpos com fumaça, com álcool, com carnes de cadáveres de animais

(e eu ainda como carne), com drogas alucinógenas, com sexo sem amor, exagerado e sem proteção.

 

            O apóstolo Paulo foi muito claro ao dizer: “Não vos iludais, a Deus não se engana, tudo aquilo que o homem semear haverá de colher”.

 

            Você quer um mundo bem melhor? Comece por você!

 

 

Ivan Jubert Guimarães

 

03/07/2016

O INIMIGO DA ONÇA

 

Dois caçadores conversam em seu acampamento:

— O que você faria se estivesse agora na selva e uma onça aparecesse na sua frente?

 

— Ora, dava um tiro nela.

 

— Mas se você não tivesse nenhuma arma de fogo?

 

— Bom, então eu matava ela com meu facão.

 

— E se você estivesse sem o facão?

 

— Apanhava um pedaço de pau.

 

— E se não tivesse nenhum pedaço de pau?

 

— Subiria na árvore mais próxima!

 

— E se não tivesse nenhuma árvore?

 

— Sairia correndo.

 

— E se você estivesse paralisado pelo medo?

 

Então, o outro, já irritado, retruca:

 

— Mas, afinal, você é meu amigo ou amigo da onça?

 

 

O Amigo da Onça é um personagem que foi criado pelo cartunista Péricles e que durante anos saía semanalmente na revista O Cruzeiro. O personagem era um sujeito que sempre deixava os outros em situações vexatórias e até mesmo perigosas, e a expressão “amigo da onça” tornou-se muito popular para designar o falso amigo.

 

Esta semana começou um tanto trágica para uma onça. Quando ouvi a notícia de que tinham matado Juma, pensei na personagem de Cristiane de Oliveira na novela Pantanal. Depois, lendo toda a notícia, fiquei com um sentimento de raiva e de indignação. Levar uma onça para uma cerimônia de passagem de uma tocha olímpica é para mim um despropósito. Aliás, esse desfile da tocha por todo o país já é, por si só, um despropósito. Não sei se em Olimpíadas anteriores a tocha andou tanto de avião, como aqui no Brasil. Apagam a tocha e acendem uma lamparina que leva o fogo sagrado (?) para todos os confins do país.

 

Seria muito mais bonito, se ela saísse da Grécia e viesse diretamente para o Rio de Janeiro, cidade sede do evento.

 

Fala-se tanto em preservação da fauna brasileira e muitos animais selvagens vivem em cativeiro, privados de seu bem maior que é a liberdade. A TV mostrou um atleta (?) esperando a chegada de outro que trazia a tocha acesa. Deu para perceber o medo estampado nas caras dos carregadores da tocha olímpica por estarem próximos da onça. Esta estava presa por uma corrente nas mãos de um soldado do exército brasileiro. As primeiras notícias davam conta de que a onça se libertou e que poderia atacar alguém. Nosso valoroso exército atirou e matou a onça.

 

Mas logo, como sempre acontece neste Brasil varonil, veio o desmentido: a onça morta não era a onça que participava da cerimônia, mas tratava-se de Juma, outra onça, também acorrentada que estava próxima do local porque ia passar por uma consulta veterinária. Triste coincidência, se é que ela existe.

 

Gorilas, crocodilos e onças podem ser selvagens, mas não são burros como o ser humano. Tirar animais de seu habitat natural e expô-los à visitação pública é uma grande idiotice do homem. Mas poderão dizer que enjaular animais nos zoológicos serve para mostrar os bichos para as crianças que não teriam oportunidade de vê-los ao vivo se não fosse assim. Eu pergunto: quantas crianças das grandes cidades já viram um cabrito ou uma ovelha?

 

Os ambientalistas dizem que defendem os animais, que querem preservá-los da extinção. O IBAMA proíbe que você tenha um papagaio em sua casa, ou uma arara ou qualquer outro animal exótico. Durante anos discutiu-se a preservação do mico leão dourado. Esquecem-se da lei natural de evolução das espécies. Ainda bem que os homens das cavernas não preservaram os dinossauros e nem outros monstrengos da pré-história. Já pensaram nisso? Matam elefantes para a retirada de suas presas, matam onças e tigres para fazerem casacos ou tapetes. Matam-se alces e veados para colocarem suas cabeças nas paredes como se fossem autorretratos dos caçadores.

 

Mais uma onça morreu, eu diria que assassinada pelo nosso grande exército, que é capaz de atirar em um animal acorrentado, que deveria estar sedado, Nosso valoroso exército, entretanto, não é capaz de vigiar nossas fronteiras e impedir a ação de traficantes de drogas que matam nossos jovens e também nossas crianças. Afinal ninguém liga para a preservação da espécie humana.

 

Bless the beasts and the chidren como cantava Linda Carpenter.

 

https://www.youtube.com/watch?v=AhR36gV6vW4

 

 

Ivan Jubert Guimarães

 

24/06/2016

SURPRESA

 

 

            Hoje pela manhã tive uma surpresa ao ver os noticiários.  A notícia que me despertou a atenção foi a de que a Câmara dos Vereadores de São Paulo votou a mudança do que chamamos de Minhocão. Fiquei pensando que merda os vereadores de São Paulo fizeram dessa vez. Depois de muito tentar adivinhar que nome iria substituir o atual, deduzi que o nome escolhido seria salsichão. Mas não, as bestas substituíram o nome oficial da ligação Leste-Oeste de Elevado costa e Silva para elevado João Goulart.

 

            Estes merdas substituíram o nome de um marechal do exército que foi presidente do Brasil no governo militar pelo nome de um ex-presidente comunista que foi deposto no golpe de 1964.

 

            Aqui em São Paulo existem obras com os nomes de outros militares do governo da ditadura; muitas dessas obras são do governo estadual, como a Rodovia Castello Branco, por exemplo.

 

            Não sei qual é a função de um vereador além de dar nome às ruas, (como fazia Adão que dava nome às coisas), e aumentar os próprios salários. Eles também aprovam tudo o que o meninão Haddad faz, como por exemplo, criar faixas de ônibus em duas importantes ruas de São Paulo, onde os ônibus não circulam. Isto sem falar nas ciclovias. E por falar nelas, a prefeitura tem planos de pagar aos ciclistas R$ 50,00 por mês pelo fato de andarem de bicicleta.

 

            Numa época em que o país passa por dificuldades políticas, financeiras e econômicas, prefeito e vereadores sempre acham maneiras de gastar dinheiro com bobagens.

 

            Acho que os vereadores de São Paulo deveriam mudar o próprio nome de seus cargos para ladrões. Creio que toda a população aprovaria. Quanto ao nome do elevado vou continuar chamando-o de Minhocão. e pensar que até outro dia estavam querendo demoli-lo.

 

Ivan Jubert Guimarães

 

23/06/2016

MINHA PRIMEIRA MANHÃ DE INVERNO

 

 

            Não adianta fugir, o inverno sempre chega e à medida que vamos envelhecendo, ele parece ser cada vez mais forte. Antes eu quase não sentia frio, mas pelo menos ainda não uso guarda-chuva.

 

            Hoje acordei cedo, como sempre faço, mas o frio era tanto que levantei rapidamente da cama e fui preparar meu café. É estranho, mas parece que no inverno o café sempre fica morno. Esquentei um pãozinho na chapa, comi um pedaço de mamão, enquanto assistia o jornal da manhã. Estava bem, até que a moça do tempo me tirou do sério, coisa que ela sempre consegue. Mudei de canal e tinha outra moça do tempo na tela. Desliguei a televisão e tomei uma sábia decisão: voltei para o calor que ainda restava em minha cama.

 

            Adormeci por cerca de mais uma hora e acordei pensando que ainda teria que fazer o café. Que alegria saber que eu já o havia tomado. Fiquei enrolando buscando um motivo para me levantar, e o motivo estava ali do lado: o relógio.

 

            Quase dez horas, não tive outro jeito senão pular da cama. Pular é modo de dizer. Hora do banho e fiquei buscando coragem para ir até o chuveiro. O tempo ia passando rapidamente e eu tremendo de frio.

 

            Algumas pessoas me chamam de gato, é verdade, então agi como um gato e quis fugir da água, mas o cheirinho que vinha do pijama me convenceu a abrir a torneira do chuveiro. A cada segundo eu esticava a mão para a água que caia para ver se estava quente. Estava um pouco mais do que morna e outro dilema surgiu: como tirar o pijama?

 

            Comecei pelas meias e tornei a por os pés nos chinelos. Falei para mim mesmo “seja homem” e tira a calça do pijama. Tirei, e fiz isso simultaneamente tirando também a cueca. Livre e solto, faltava apenas tirar a blusa do pijama. À medida que eu levantava a blusa batia um friozinho na barriga e eu perdia a coragem. “Fiquei pensando no autor da frase ‘seja homem” e quis manda-lo para a Groenlândia. A água ainda não estava quente como eu desejava e fui macho entrando debaixo do chuveiro com a blusa do pijama. Que delícia! O pijama foi ficando quentinho e eu quase estiquei o braço para pegar a calça também.

 

            As partes baixas estavam nuas e até que foi fácil lavá-las, mas como lavar o peito e as costas? A solução veio rápida, bastou que eu esticasse a frente da blusa do pijama e deixasse a água escorrer por dentro da blusa. Depois de alguns minutos, a blusa do pijama começou a esfriar. Era hora de sair do banho e nova dúvida. Sairia com ou sem a blusa? Estava já estava grudada na pele e não sairia com facilidade. Saí do chuveiro vestindo a blusa do pijama e dei uma rápida secada com a toalha que logo ficou ensopada. Corri para o quarto pensando em pegar o secador de cabelos e secar a blusa, mas vivo sozinho e não tenho secador de cabelos. Como já estava no quarto, eu me joguei de novo na cama e me esfregava sob as cobertas para secar a blusa do maldito pijama. A blusa se soltou da pele e rapidamente coloquei uma camiseta que logo ficou molhada também. Tirei-a e ela serviu como toalha, já que esta estava ensopada. Finalmente consegui me vestir, calçando primeiro as meias, abri a gaveta das cuecas e nova surpresa, pois não tinha nenhuma cueca limpa lá dentro. Tive que ir até a área de serviço e procurar por uma que estivesse seca no varal. Lá mesmo eu a vesti, mas como não tinha enxugado direito as partes baixas, logo ela ficou úmida. Vesti as calças e aquela umidade da cueca passou para a calça, que droga, tinha acabado de tirar a calça do cabide. Calcei os sapatos e estava pronto para iniciar meu dia. Olhei o relógio e já estava na hora de preparar o almoço e tornar a mexer com água fria. Perdi o apetite só de pensar na louça que teria que lavar após o almoço.

 

            Mas ainda tinha que secar a cama e isso foi fácil, liguei o ferro de passar e passei colcha e lençol já esticados na cama, coisa que se mostrou muito mais fácil do que usar tábua de passar roupa.

 

Ivan Jubert Guimarães

 

21/06/2016

NUNCA FOI SANTO

NUNCA FOI SANTO

 

 

            Ele ainda era um menino, mas já tinha dentro de si o sentimento das diferenças sociais e raciais. Costumava perguntar coisas à sua mãe que tinha dificuldades em responder suas questões. Como explicar a um garoto negro o porquê dos anjos serem brancos, de Jesus ser branco pelas imagens que ele conhecia.

            Sabendo que os anjos eram brancos, ele perguntava para sua mãe se quando ele morresse ele iria para o céu porque ele era um garoto negro.

            Ele cresceu e carregava dentro dele um sentimento de inconformismo por ser diferente. Transformou-se em lutador de boxe e foi campeão olímpico.

Quando voltou para sua cidade, Louisville, colocou a medalha no peito e foi em um restaurante local, entrou, sentou-se e pediu café e um hot-dog. O garçom disse que eles não atendiam negros e foi chamar o gerente diante da insistência do campeão olímpico. O gerente chegou e disse que ele teria que ir embora, porque eles não serviam negros e ele respondeu que ele não queria comer negros, mas um hot-dog. Mas teve que deixar o local.

            Dizem que depois disso jogou a medalha olímpica no rio. Converteu-se ao islamismo e mudou seu nome para Mohamed Ali. Foi o primeiro peso pesado a conquistar o tricampeonato mundial de boxe, mas antes disso foi convocado para servir no Vietnam e ele respondeu que dessa vez não iria lutar por seu país, pois os vietcongs não o chamavam de negro. O título mundial que tinha foi cassado e teve que parar de lutar por cinco anos, mas reagiu na Suprema Corte e voltou a lutar três anos depois e recuperou o título mundial.

            Sempre foi irreverente, debochava de seus adversários, achava-se lindo e sempre dizia isso, dizia que ele era o maior e apesar de muitos o odiarem por isso, ele dizia apenas a verdade.

            Definiu-se por sua leveza como uma borboleta, mas quando acertava um soco dizia que era uma abelha dando uma ferroada.

            Sobre sua rapidez, comentou que uma vez entrou em seu quarto e apagou o interruptor e quando chegou à cama a luz ainda não havia se apagado.

            Coisas como essa o tornaram uma lenda, um mito esse nunca foi santo, muitos o consideravam um deus do boxe mundial.

            Assim era Mohamed Ali, ex Cassius Clay, nome que abandonou quando se converteu ao islamismo por ser um nome de descendência escrava.

            Desde minha adolescência nunca perdi uma única luta dele, mesmo quando no início a televisão não mostrava eu ouvia a luta pelo rádio.

            No sábado, dia 4, acordei com imensa tristeza e não conseguia escrever nada para ele. Tudo o que eu queria dizer, muitos jornalistas disseram. Mas uma reportagem me chamou a atenção: Ali dizia como gostaria de ser lembrado após sua morte. Queria ser lembrado como um americano campeão olímpico e campeão mundial de boxe e não se importaria se as pessoas não se lembrassem de como ele era belo.

            Ele foi, de fato, o maior de todos os tempos e todos que lutaram com ele e que o sucederam sempre afirmaram que ele foi o maior.

            Foi um grande homem que lutou não só nos ringues, mas também fora dele, por um ideal e, por isso, foi comparado a Martin Luther King, a Malcolm X, líderes do movimento antirracista nos Estados Unidos e, como eles, será sempre lembrado.

 

Ivan Jubert Guimarães

 

07/06/2016

ARTES CÊNICAS

 

            Desde criança fui um aficionado por cinema. Lembro-me de que todas as quintas-feiras minha mãe e eu íamos à matinê. Naquele tempo os cinemas não funcionavam diariamente como hoje. As sessões eram sempre noturnas e apenas às quintas-feiras e aos domingos havia as matinês.

            Foi nessa época que assisti ao filme Casablanca pela primeira vez e, apesar de ser uma criança aquele filme me marcou muito, mas só fui revê-lo décadas depois.. Hoje já vi o filme mais de uma centena de vezes.

            Na adolescência e mocidade, cinema era meu passeio favorito, sozinho ou com amigos. Assisti, talvez, aos melhores filmes já exibidos pelo cinema. Vibrava com os filmes de ação e não com os efeitos especiais que existem hoje. Peguei a fase de ouro do cinema italiano, do francês com produções cuidadas e atores de primeira grandeza.

            Um pouco mais tarde, lá pelo ano de 1968, comecei a frequentar teatro, mas sem deixar o cinema de lado. Assisti a peças muito boas de autores muito famosos, como Ibsen, Brecht e outros.

Com o advento do Cinema Novo comecei a ver os filmes de Glauber Rocha e assisti a muitos filmes dos diretores Antonioni, Pasolini, Fellini, Godard e Ingmar Bergman, o meu preferido. Aquilo eu chamava de arte, pois não havia violência gratuita, eram filmes íntimos que mostravam o interior dos personagens e as interpretações ficavam a critério dos espectadores.

Quando essa fase ia passando começaram as pornochanchadas e também assisti algumas delas, pois sempre quis prestigiar nosso cinema. Eram produções baratas, direção ruim e roteiros medíocres. Creio que a primeira superprodução do cinema brasileiro tenha sido Independência ou Morte para comemorar o sesquicentenário da Independência do Brasil. Vieram outros filmes depois cujas produções passaram a ter patrocínios de empresas.

O teatro foi seguindo o mesmo caminho, a busca pelo patrocínio, já que produtores diziam ser quase impossível produzir uma peça sem recursos financeiros.

O presidente Sarney criou uma lei de incentivo à cultura em 1986 e a bagunça começou. Um excesso de produções medíocres de diretores medíocres que visavam apenas o lucro financeiro. Você ia assistir a uma peça e se sentia agredido pelos atores, da mesma forma que acontecia nas peças encenadas na época da ditadura. Só que nestas havia uma motivo que era convocar o povo para uma luta política, Nas outras as ofensas já tinham o cunho do deboche com as pessoas, um excesso de palavrões, recurso usado também por humoristas como Chico Anísio e Jô Soares. Juca Chaves era mais sutil. Uma boa piada não precisa ter conotações sexuais ou palavrões, que o diga José de Vasconcelos.

Quando o presidente Fernando Henrique criou a Lei Rouanet (homenagem a Sérgio Paulo Rouanet, então secretário da Cultura), criou-se o Ministério da Cultura e extinguiu-se a Lei Sarney.

A classe artística tem se aproveitado muito da lei Rouanet e consome tantos recursos que acaba faltando dinheiro para produções literárias, por exemplo.

Recentemente, o governo extinguiu o Ministério da Cultura e os artistas posaram de vítimas, de injustiçados, porque não teriam mais o benefício da lei, já que arrumar patrocínio de empresas ficaria muito mais difícil. Que pena! Mas alegria, o governo voltou atrás. Quem sabe poderemos, em breve assistir a filmes que nunca ficaram prontos, mas devidamente financiados. Com o teatro vai continuar do mesmo modo, só assistiremos a peças com recursos que o Ministério da Cultura proverá.

Eu não tenho nada contra a classe artística e nem contra o teatro. Já escrevi duas pequenas peças teatrais, de curta duração, já encenadas e tenho mais um musical a caminho, esse voltado para um público mais seletivo que anda à busca de um mundo melhor. Tenho outro musical, quase pronto, mas que parei na metade do caminho, pela falta de recursos.

Cultura não é cinema, não é teatro. Isso é lazer, diversão. Cultura é uma atividade que proporciona ao indivíduo seu desenvolvimento intelectual, o saber e a instrução. E para isso existem as escolas, as bibliotecas sucateadas e museus que estão fechando por falta de recursos para reparos e manutenção. O Museu de São Paulo, conhecido como Museu do Ipiranga está fechado há tempos e não há previsão de quando será reaberto. E há outros, mesmo em São Paulo e por todo esse país. Ou museu não é cultura?

Temos na nossa história grandes mentes que por aqui passaram, alguns foram heróis, outros poetas, outros escritores, médicos que salvaram vidas, mas nosso cinema acha que não há público para esse tipo de biografia ou de história. Mas há público para assistir a biografia de um tal de Júlio Santana. Sabem quem é Júlio Santana? Ele foi um matador de aluguel, assassino profissional, que em 35 anos matou quase 500 pessoas. O nome do filme? O Nome da Morte. Do jeito que a coisa está em nosso país, tenho certeza de que será um sucesso de bilheteria. O ator que interpreta o matador disse em entrevista que quer mostrar o lado humano do assassino, assassino que matava, mas que sempre tinha medo de ir para o inferno. Isso é cultura!

 

Ivan Jubert Guimarães

 

25/05/2016.

CRÔNICA AGUDA

 

 

            Certa vez eu passava por uma triagem no Pronto Socorro do Hospital do Coração em São Paulo e a enfermeira me fazia algumas perguntas, entre elas a minha religião. Eu respondi que não tinha religião e ela escreveu apenas uma palavra no prontuário: Ateu.

            Eu disse que eu não era ateu, que acreditava em Deus, mas que não seguia nenhuma religião específica, mas tentava ser cristão. Eu disse que tentava porque ainda não sou um cristão, já que não faço e nem consigo fazer as coisas que Cristo fazia.

            Mas isso não tem importância, o que realmente importa é o conceito que as pessoas têm de religião. Não considero importante ser de uma ou outra religião qualquer, até porque entendo que todas elas procuraram o caminho que leva a Deus. Acho importante que a pessoa tenha religiosidade e que saiba respeitar o que é religioso independentemente das religiões em si, todas elas cheias de dogmas que acabam levando os fiéis ao fanatismo.

            Basta olharmos para o mundo atual e para a história e encontraremos diversas guerras religiosas entre países de religiões diferentes, cristãos nas Cruzadas matavam em nome de Cristo, árabes e judeus em guerras que parecem não ter fim. Alemães exterminando, ou tentando exterminar os judeus no início do século XX, católicos e protestantes na Irlanda. Todos esses guerreiros possuíam religião, mas não tinham religiosidade.

            A Bíblia parece ser um livro destinado apenas às religiões evangélicas e não um livro que mereça ser estudado e compreendido.

            Há muito venho me preocupando com o futuro da humanidade; sei que parece falso, mas é verdade.

            O mundo de hoje está muito conturbado e vem perdendo seus valores morais e éticos a cada dia que passa. As guerras pelo poder nunca acabam, e diariamente vemos pela televisão os grandes massacres que ocorrem no Oriente Médio, onde não se respeita mais a vida humana. A ordem é matar, não importa se soldados, civis ou crianças. Hospitais são bombardeados, médicos são mortos tentando salvar vidas.

            A fome é outra praga que se alastra pelos países africanos principalmente, mas atinge milhões de pessoas no mundo inteiro que ainda desperdiça alimentos que poderiam resolver o problema da fome.

            A cada período novas doenças surgem para alarmar e matar pessoas ao redor do mundo. Cientistas trabalham nos laboratórios farmacêuticos e nas universidades para descobrir vacinas ou medicamentos que demoram anos para chegar ao mercado. Tudo em nome do lucro.

            No Brasil, faltam médicos, remédios, equipamentos e materiais nos hospitais públicos. Funcionários mal pagos, médicos que batem o ponto e fogem do hospital. Os que ficam, o fazem pelo amor à profissão, mas a má remuneração os obriga a contar com outros empregos em outros hospitais. É claro que existem aqueles que possuem clínicas ou consultórios requintados e cobram fortunas por uma consulta. Felizmente são poucos e para poucos.

            Às vezes eu fico pensando se não está havendo um processo de extermínio da população, somos mais de 7 bilhões de habitantes no mundo e logo não teremos água para todos e é muito mais fácil diminuir os consumidores do que sanear o planeta.

            Um dos principais pilares de sustentação da humanidade é a família que quase não existe mais mundo afora. Hoje filhos matam os pais, pais matam seus filhos, pais se matam. Não existe mais respeito entre os seres humanos.

            A competição para viver em um mundo tão competitivo nos tornou tão insensíveis que já não nos importamos mais com as tragédias naturais que ocorrem no mundo inteiro. Furacões, tempestades, vulcões, enchentes, desabamentos, e isto sem falar nos acidentes provocados pela imperícia e pela corrupção dos homens que fazem pontes e viadutos para ruírem, prédios que desabam, refugiados que são fuzilados por tentarem ir para um lugar melhor para viver, ataques terroristas frequentes e constantes ameaças de novos ataques em grandes cidades.

            Nós nos acostumamos a querer que os outros resolvam os nossos problemas e até incluímos Deus e nos esquecemos de que Ele nos deu o livre arbítrio para fazermos nossas escolhas. Mas é tão difícil escolher, não é?

            Os místicos, os filósofos, e muitos religiosos e até mesmo cientistas já sabem que o planeta não vai durar muito tempo do jeito que está.

            Fala-se muito na passagem de um astro com uma força gravitacional muito grande que provocará uma forte inclinação do eixo da Terra. Esta inclinação provocará inundações nas regiões litorâneas, erupção de vulcões, terremotos, maremotos, furacões e uma série de cataclismos em regiões nunca antes atingidas por catástrofes. É uma forma de renovar a humanidade que se deixou dominar pelo egoísmo, pelo materialismo e deixou de lado o aspecto espiritual. Segundo consta a passagem desse astro, também conhecido como planeta chupão, provocará a morte de 2/3 da população da Terra e muitos dos que sobreviverem a sua passagem irão morrer por outras causas, como doenças, fome e o planeta não terá mais comunicação eletrônica e nem energia elétrica. Será uma volta às trevas. Serão muitos anos de sofrimento e de adaptação a uma vida sem a evolução e desenvolvimento que existe hoje.

            A órbita desse astro é de 6.666 anos e a cada 13.332 anos ela faz essa limpeza no planeta Terra. Faz a mesma coisa em outros planetas e foi o que aconteceu em Capela e Syrius, por exemplo. Sei que é difícil de acreditar nessas coisas, porque sempre achamos que algo irá acontecer para impedir que isso ocorra. Já vimos diversos filmes que tratam de assuntos parecidos e o homem sempre consegue evitar o desastre.

            Quando vemos uma fotografia do planeta, tirada por uma nave espacial achamos o planeta maravilhoso. O mesmo acontece quando vemos lindas paisagens da terra, desfiladeiros, montanhas, flores e mares. Mas em nosso dia-a-dia nem ligamos. Raramente olhamos o céu para ver as estrelas, a lua e mal sentimos o cheiro das flores que perfumam o ambiente. Somos indiferentes a ação da Mãe Natureza.

            Não sei se dará tempo de mudarmos o que está decidido pelo plano cósmico, mas uma das coisas que devemos tentar é nos humanizar, mudarmos o nosso pensamento de egoísta para altruísta, nos dedicarmos mais às coisas do espírito, praticarmos a caridade pura, a ajuda verdadeira e, principalmente, amar a nós próprios e ao nosso próximo, como Cristo nos disse para fazer.

            Por que não usarmos as redes sociais, nossos amigos, familiares e marcarmos um horário qualquer e fazermos uma grande tela mental em prol da humanidade?

            Vamos salvar o planeta?

 

 

Ivan Jubert Guimarães

 

30/04/2016

IMPEACHMENT

 

 

Eu deveria estar feliz, mas não estou. Apesar de antemão já saber qual seria o resultado, assisti pela televisão, voto a voto, todo o espetáculo circense.

Foi uma tarde/noite de domingo e a mim pareceu estar assistindo a uma partida de futebol, daquelas chatas sem jogadas emocionantes.

A cada voto dado eu ia sentindo pena, não da presidente, mas do meu país. Os deputados votavam sem o pudor dos eleitores de bom senso. Percebia-se certo revanchismo e alguns até alegavam que lá estavam para julgar, mas não me lembro de ouvir dos deputados o motivo da votação ou do julgamento como eles mesmos diziam. Pouquíssimos aludiram ao crime de responsabilidade.

Quando o deputado do Rio de Janeiro. Alexandre Valle deu seu voto, com uma bandeira onde eu acho que li o nome de uma cidade fluminense chamada Itaguaí, quase que de imediato, fui levado à Itaguaí de Simão Bacamarte, personagem criado por Machado de Assis para O Alienista.

Lembrando-me da obra de Machado, fui transportado para a pequena Itaguaí onde o alienista convenceu a Câmara a investir numa casa para o tratamento das pessoas que havia perdido a razão. Aprovada sua solicitação, Bacamarte começou a recolher todos os alienados à Casa Verde, assim chamada, pois era a ú nica casa da região, que tinha suas janelas pintadas de verde.

Em pouco tempo, sob o pretexto de fazer pesquisas, a tal casa verde foi enchendo e logo estava lotada, já que a maior parte da população estava internada. Num determinado momento, o alienista mandou soltar todos os internos e começou uma nova etapa de seus estudos. Mandou internar todos aqueles que não apresentavam sinais de loucura.

E foi dessa maneira que continuei assistindo à votação, sentindo-me como o alienista, com uma enorme vontade de internar todos aqueles que votavam pró e contra o impeachment. Primeiro porque os votos eram dados em homenagens às esposas maravilhosas, aos filhos e aos netos, aos pais, aos amigos, aos sobrinhos, mas não ao País. Apesar da orientação de usarem apenas dez segundos para a votação, alguns, mais inflamados, pareciam estar nos palanques fazendo seus comícios. O crime, motivo daquele julgamento, mal foi citado pelos julgadores, mas houve muitas ofensas, dedos em riste e até cusparada de um deputado no rosto de outro.

Confesso que senti muita pena do Brasil, a maioria dos votantes falava em combate à corrupção e muitos deles corruptos conhecidos. Um dos votos mais sinceros que vi, foi o de Paulo Maluf que se limitou a dizer “sim” sem mencionar a palavra corrupção. Foi um dos votos mais rápidos de toda a sessão.

Senti muita vontade de internar todos aqueles loucos que se dizem ser meus representantes. Alguns até disseram que votavam porque suas esposas maravilhosas assim o pediram.

Poucos deles, pró e contra o impeachment, demonstraram coerência em seus votos, mas o alienista também os teria internado na casa verde.

Terminada a votação e o pedido de impeachment aprovado senti-me com cara de bobo e tive vontade de me internar na casa verde com fizera o alienista.

 

 

Ivan Jubert Guimarães

 

18/04/2016

BOLÃO

 

            Fazer um bolão era coisa de meu tempo, principalmente em copas do mundo quando se fazia apostas para todos os jogos da copa. Acertar o resultado valia 5 pontos, acertar o vencedor ou o empate valia 3 pontos. Ao final ganhava o bolão quem fizesse mais pontos.

            Fazia-se isso, também, para uma simples partida de futebol.

O tempo passou e a prática tornou-se comum nas apostas das loterias.

Mas o que vi recentemente nos noticiários da televisão, sobre a crise política, foi um bando de facínoras apostando um bolão para acertar o número de votos que a votação do impeachment terá a favor.

Quem controlava o bolão era nada mais nada menos do que Paulinho da Força, líder sindical e ex-petista, mais um daqueles que viraram a casaca.

Senti tanto nojo ao ver esse palhaço mostrando o número de apostas, que acho que o país tem de verdade o governo que merece. Moro quase na esquina do Palácio do Trabalhador, sede da Força Sindical e o que vejo lá diariamente quando chego em casa é uma frota de veículos equipados com som, uma lanchonete muito apropriadamente chamada de Palácio da Pizza e um bando de desocupados.

O País atravessa um momento dos mais terríveis de sua história e nossos representantes fazem bolão para ver quem acerta o resultado da votação.

É como eu disse anteriormente, estamos dependendo de ladrões e viciados em jogo para que se decida o futuro da nação. Francamente, não dá para aguentar tanto desrespeito para algo tão sério. É um bando de corruptos lutando contra a corrupção. Dá para aceitar isso?

Tenho recebido críticas de “amigos” que até outro dia me elogiavam e que agora acham que sou um petista. Não o sou. Mas e se fosse? Tenho amigos petistas a quem muito respeito, são trabalhadores de fato e que seguem seu ideal, assim como eu faço com o meu.

Já escrevi diversas vezes aqui e no meu blog que a mim não interessa o regime de governo, se capitalista, se comunista, se socialista, se monarquista ou o escambau, desde que se tenha uma ótima qualidade de vida e que se possa viver com dignidade.

Talvez, por ser tão exigente em minhas posições, nunca consegui eleger um governador ou prefeito, apesar de ter elegido um presidente que foi Fernando Henrique Cardoso em seu segundo mandato. Não voto no menos ruim, nunca! Voto de acordo com minhas convicções.

O troca-troca na ordem da votação é outra aberração, como se nenhum dos deputados votantes tivessem convicção do que estarão fazendo. Se um lado estiver ganhando, vou mudar o voto. Bando de nojentos e covardes! Todos! Aproveitadores, achacadores, gente sem escrúpulos.

Quem quer participar do meu bolão? Aposto que qualquer que seja o resultado do impeachment vai continuar tudo na mesma merda, pois as moscas continuarão sendo as mesmas.

 

Ivan Jubert Guimarães

15/04/2016

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