PORQUE É REDONDO
Para quem escrevia no blog diariamente, ficar dois meses sem escrever uma única linha chega a ser torturante. Continuar vendo as notícias diárias nos jornais e na televisão é, no entanto, uma tortura maior. Nada mudou!
Na política senadores e deputados continuam as negociatas para ver se a CPI vai ou não apurar tudo o que a Polícia Federal já sabe. Pessoalmente eu não creio, pois, por mais que eu tente, não engulo o fato da Comissão de Ética do Senado ter em suas fileiras um homem como Fernando Collor de Melo. E o que é pior, agora ele é aliado do PT. “Dize-me com quem andas que te direi quem és”.
Lula, seu adversário político de outras eras, parece que continua o mesmo falastrão de sempre. Nem o câncer na laringe o impede de dizer asneiras, nem o câncer consegue torna-lo um pouco mais humilde.
Os noticiários de hoje falam da condenação de três dos assassinos do ex-prefeito de Santo André, Celso Daniel. Aqui no Brasil é assim, as prostitutas são presas, mas os gigolôs não, embora elas não sejam criminosas.
Na área popular, os crimes vão se tornando cada vez mais violentos, como se fosse uma competição para ver quem é mais estúpido. Chacinas continuam acontecendo, sequestros, então, são práticas comuns da bandidagem. Arrastões assustam donos de restaurantes e seus fregueses, o mesmo acontece com farmácias, hospitais, lojas, joalherias e qualquer tipo de comércio. Rouba-se de tudo por aqui, até remédios.
Os hospitais continuam lotados, superlotados. E nem estou falando da rede do sistema SUS. Falo dos hospitais particulares. O país está doente, as pessoas estão morrendo à toa devido aos estresses, angústias, ansiedade, pois cada vez mais se vive hoje na completa solidão entre milhões de pessoas; bilhões se considerarmos a situação como universal.
Saindo deste paradoxo de O Mentiroso, considerando que os políticos acham que tudo está indo bem no país, economia crescendo, etc., (realmente está crescendo, economizo muito mais hoje do que antigamente) mudo de canal e vejo pela Internet que a seleção brasileira teve uma nova convocação. E aí, então, fica a indignação esportiva: quem são os caras convocados? Nunca se ouviu falar de boa parte deles. E ainda queremos ganhar uma copa do mundo que não sabemos nem organizar.
O panorama mundial está igual, crise financeira na Europa, desemprego, passeatas, greves. E no dizer que no Oriente a situação está explosiva é chover no molhado. A África continua passando fome e sua população está proibida de ir para a Europa em busca de lugares melhores para viver. Melhores? Ingleses, portugueses e franceses, principalmente, roubaram o continente africano durante décadas, ou serão séculos? Grandes causadores da pobreza e da fome naquela região, onde continuam matando ao impedir a migração de africanos.
O mundo só não está de cabeça para baixo porque é redondo, não é Colombo?
Ivan Jubert Guimarães
11/05/2012
VIOLÊNCIA, OU UM SIMPLES REFLEXO DO ESPELHO?
O que temos visto no mundo de hoje chega a nos assustar, não é mesmo?
Aqui no Brasil temos nos deparado diariamente com assassinatos, estupros e sequestros de pessoas. Agora estamos vendo gangues se formarem, como as gangues das loiras, das perfumadas, das velhinhas e vai por aí.
Antes, durante e após os jogos de futebol de grandes torcidas, encontros marcados por torcidas organizadas são realizados com a única finalidade de brigar. Nos estádios, torcedores mais fanáticos (se é que se pode chama-los torcedores) não assistem aos jogos, preocupados que estão apenas em brigar. E nem brigam somente com os torcedores dos outros times, brigam entre si.
Vale ressaltar que esses acontecimentos não são privilégios do Brasil, uma vez que ocorrem no mundo inteiro.
Jovens estudantes matam sem piedade seus colegas dentro das escolas. Alguns casais que se separam, não só nas famílias de baixa renda, resolvem seus problemas de abandono matando o ex-cônjuge, ou mandando matar.
Sociedades desfeitas, muitas vezes acabam em crimes.
Atropelamentos tem sido a causa de morte e de incapacidade física das vítimas. E os causadores desses “acidentes” quase sempre fogem e nem se preocupam em socorrer as vítimas.
Estupradores andam livremente pelas ruas porque muitas mulheres têm medo de prestar queixa na polícia.
Caixas eletrônicos de bancos explodem todos os dias aqui e ali. Virou moda, assim como os arrastões em prédios residenciais, em bares e restaurantes, em shoppings a ponto de estarmos vivendo um período em que as pessoas já estão começando a ficar com medo de saírem de suas casas.
E cada vez mais vamos nos recolhendo em nossas prisões domésticas e ficamos antenados na televisão observando as tragédias dos outros. Nosso medo aumenta e também nossa indignação.
Criticamos toda essa violência, culpamos as leis arcaicas, a impunidade, a corrupção que toma conta de toda nossa sociedade. Ou você nunca quis levar alguma vantagem na vida? Criticamos para nos inocentar de tudo o que acontece. Somos os mocinhos, ou somos cúmplices de toda essa violência?
Talvez sejamos apenas covardes.
Se já estiver incomodado, se já estiver doendo, pode parar, pare de ler porque a dor vai aumentar.
Na mesma televisão podemos assistir guerras ao vivo espalhadas pelo mundo. Vemos crianças sendo mortas, explodidas, famílias torturadas lá fora e aqui e nunca paramos para pensar por que tudo isso acontece?
Será que é pela fome, pela miséria? Claro que não, as guerras são feitas pelos poderosos, os grandes crimes também. Mas é óbvio que também muitos casos têm origem na miséria.
Culpar os tempos atuais é demagogia e ignorância.
Em recentes julgamentos de assassinos, vimos centenas de pessoas querendo fazer justiça com as próprias mãos. E se pudessem, teriam feito. Viram como é fácil matar? Eram pessoas que tinham suas famílias e agiam daquele jeito por um instinto de preservação pessoal e familiar.
Mas você não, não é? Você não faria isso. Você é uma pessoa íntegra, trabalhadora, estudiosa e que nunca fez mal a ninguém. Você jamais xingou alguém no trânsito, só porque esse alguém dirigia devagar ou estava com mais pressa que você? Nunca jogou objetos na parede para descarregar sua raiva dentro de casa ou no escritório onde trabalha?
Essa violência que se costuma criticar também está dentro de nós. Se não estivesse, se fôssemos puros de coração, nós não a reconheceríamos e passaria despercebida para nós. O fato de estarmos vendo e sentindo revolta, é porque ela está dentro de nós. Nós talvez ainda não tenhamos praticado atos abomináveis apenas por falta de oportunidade, mas quando a oportunidade aparecer seremos violentos. É o que acontece com soldados na guerra. Grande parte deles são jovens de boa formação familiar, mas na guerra tornam-se selvagens, cometem atos que normalmente nunca teriam cometido. Viram torturadores, estupradores e tudo pelo amor à Pátria. É preciso derrotar e humilhar o inimigo.
Fazemos parte do Universo = Uni e verso. É o Uno integrado ao Todo e é isso que nos faz iguais.
O mundo está assim, porque você está assim! Nunca iremos conseguir mudar o mundo, e sabem por quê? Porque somos incapazes de mudar a nós mesmos. Quando conseguirmos isso, o mundo também mudará. Ou, então, descobriremos que o Uno não está integrado ao Todo. Não precisamos aprovar os atos violentos que vemos diariamente, mas devemos olhar para dentro de nós e tentar ver se não agiríamos de forma idêntica se a mesma situação se apresentasse diante de nós.
A Mãe Natureza trabalha para a preservação da espécie. Quantas vezes ouvimos ou lemos que uma catástrofe ecológica como o vazamento de um petroleiro mataria milhares de espécimes marítimos e que a recuperação da área levaria 50 ou 100 anos? Previsões matemáticas de quem não conhece os fenômenos naturais.
Quanto mais pensarmos na violência, mais energia estaremos dando a ela e mais ela crescerá.
Quer paz? Pense nela, trabalhe por ela! Trabalhe você!
Ivan Jubert Guimarães
31/03/2012
É MENTIRA TERTA?
O programa chamava-se Chico Anísio Show e ia ao ar nas noites de domingo no auge da TV Record. Foi um dos primeiros programas da televisão brasileira a usar com maestria os recursos do vídeotape.
A mudança de quadros era rápida e envolvente e mal dava para respirar, pois os personagens, muitos já naquela época, se revezavam na tela com incrível rapidez.
Chico Anísio era como se fosse um canal de televisão dentro da própria televisão. Um número incontável de artistas fazia parte de seu show, além dos figurantes.
Depois de um desfile de quadros bem humorados, o programa se encaminhava para o final. Era o “Grand Finale” quando aparecia o quadro mais esperado da noite. Era quando entrava em cena o Coronel Limoeiro e sua linda esposa Maria Teresa. O quadro sempre terminava com a esposa saindo brava de cena e o Coronel Limoeiro a chamando, gritando seu nome e finalizando com o bordão: “Esse bicho me ama!”
Muitos outros personagens foram nascendo e crescendo no programa. Nesta altura, Chico já estava em outra emissora que criou até uma cidade para seu programa. Tratava-se da cidade de Chico City. E foi nesta cidade que surgiu o político Justo Veríssimo, figura marcante do programa.
Foram mais de cem personagens criados por Chico Anísio, mas nenhum deles marcou tanto quanto o Professor Raimundo que mereceu seu próprio programa que ficou no ar por bastante tempo.
Foi na Escolinha do Professor Raimundo que Chico pode mostrar todo seu lado humano, servindo de escada para novos talentos, como dando a oportunidade para antigos comediantes voltarem a trabalhar em televisão. Quis o destino que muitos deles falecessem durante o período em que a escolinha esteve no ar E, em cada vez que isso acontecia, Chico sempre prestava uma homenagem ao companheiro que tinha partido.
O Professor Raimundo abraçou a causa dos professores que ganham pouco neste país e terminava o quadro com seu mais conhecido bordão: “E o salário ó”.
Pode ser que muitos esperassem por sua morte dado seu grave estado de saúde, mas assim que a notícia chegou apareceram diversas charges em sua homenagem. É pouco ainda. A televisão irá homenageá-lo com especiais e por algum tempo muitos irão falar dele.
Para mim, um dos personagens mais querido foi o Profeta cujas palavras não eram engraçadas, mas cheias de vida e de esperança.
Chico se foi após meses de sofrimento internado em um hospital, ele que fez tanta gente rir por décadas, está agora rodeado por lágrimas de todo um país.
É mentira Terta?
Ivan Jubert Guimarães
23/03/2012
ADMOESTAÇÕES
Mesmo com a Internet por aí, não perdi, graças a Deus, a mania de ler jornais. Embora eu ainda sempre mantenha um pé atrás com o que leio e com o que vejo nas televisões. Já faz mais de dois anos que não tenho tevê por assinatura, coisa que tive durante bons anos. E não tenho, além da economia, porque cansei de ver comediazinhas americanas sem o menor sentido para mim, mas que parecem ser um sucesso para muitos.
Há tempos deixei de assistir a TV Globo e não leio mais a revistinha Veja da qual fui assinante durante muitos anos. De vez em quando, dou uma olhadinha. Nem dos consultórios médicos, palco de revistas velhas como Veja e Caras principalmente, me dou ao trabalho de folheá-las para passar o tempo.
Concordo muito com Groucho Marx, quando ele diz: “Acho a televisão muito educativa. Toda vez que alguém liga uma TV, me retiro para outro aposento e leio um livro”.
Tenho lido muitos livros, mas muito menos do que eu gostaria. Hoje para mim, livro não é mais o Best seller de sucesso, coisa que qualquer escritor que tenha um apoio de seu editor para fazer a divulgação se torna.
Eu não me considero um escritor fracassado não. Ainda hei de escrever minha obra prima que talvez seja esta que está em fase de produção editorial. Ainda!
Sou poeta, e me considero um bom poeta. Escrevi versos que já cruzaram fronteiras.
Estudo filosofia há mais de 12 anos. Pura, sem dogmas! O estudo mudou minha conduta e minha capacidade de análise e de entendimento de muitas coisas, medicina, por exemplo.
Não sou médico, mas posso garantir que sei muito mais sobre o corpo humano do que muitos doutores que andam por aí.
Sou voluntário de uma entidade que presta assistência a pacientes transplantados renais. Fazia palestras, mas fui impedido de continuar a fazê-las, apenas por dizer que as doenças que temos são causadas por nós mesmos. E eu, sabendo disso tudo, causei para mim uma série de doenças, muitas delas graves. Mas sei o motivo que as causou.
Faço tratamento médico com alguns médicos, que respeito muito pelo profissionalismo e pela dedicação que dão aos seus pacientes.
Eu me lembro de que quando era criança, tínhamos um médico da família, aquele médico que consultávamos sempre que tínhamos algum problema ou que chamávamos no meio da noite quando alguém da família passava mal. Ainda não existia essa coisa de plano de saúde. E aquele médico era de fato um doutor, pois além de nos tratar de qualquer doença, era muitas vezes cirurgião. Hoje em dia, viraram especialistas. Tem médico que só trata dos olhos, outros só dos ossos, outros só dos rins, outros só do estômago, outros só do diabetes e por aí vai.
Se você se queixar para um endocrinologista de que está sentindo dores de cabeça, ele vai encaminhá-lo para um neurologista. E pronto. Não sei se ele faz isso por desconhecimento do assunto ou por causa daquela ética médica.
Eu tenho e sou acompanhado por grandes médicos, que se dedicam, se importam, me aconselham e me tratam como uma pessoa. Não vou me furtar a citar seus nomes; Alexandra, Ronaldo, João Miguel, Viviane e Joyce.
Mas se soubessem de coisas que tenho presenciado! Refiro-me aqueles médicos que preferem operar a tratar. São cirurgiões e todos nós sabemos que para um hospital ou mesmo para o cirurgião, uma cirurgia, mesmo que desnecessária é muito, mas muito mais lucrativo do que um simples remédio.
Diariamente, nos programas matinais da televisão, vemos médicos participando como figuras permanentes de certos programas. Outros se tornaram doutores fantásticos e falam, são vistos em vídeos, na internet e eu me pergunto se eles ainda exercem a medicina de fato. Pelas notícias da própria televisão, vemos coisas de estarrecer no que se refere a erros médicos. Em diversos hospitais pessoas estão morrendo por erros médicos. Mas o corporativismo é tão grande, que nada acontece. E os erros acontecem em hospitais de renome, crianças recém-nascidas morrem de traumatismo craniano depois de serem alimentadas pela mãe! Meus Deus!
Para fazer jus ao título deste texto, eu quero dizer que fui admoestado por dizer a pacientes, em palestras, que o poder da mente evita doenças. Por dizer que 100% das doenças que temos, são causadas por nós mesmos.
O pior de tudo é que os médicos sabem disso, mas os interesses financeiros estão acima da verdade. Esse é o lado bom. O lado ruim é se eles não soubessem a verdade.
Ivan Jubert Guimarães
17/03/2012
1096
Este é o número de dias que faz que você se foi, deixando em mim uma saudade muito grande.
Eu sei que você está muito melhor agora do que estava nos seus últimos anos de vida. Eu percebia sua tristeza e via suas lágrimas presas querendo sair por seus olhos.
Após o infarto, quando ia visitá-la no hospital eu sabia que talvez nunca mais fosse vê-la com vida. Eu rezava, chorava baixinho, beijava sua testa.
Você foi uma pessoa muito querida em vida, não só por mim, mas por quase a maioria de seus sobrinhos que foram visitá-la e oraram muito por você.
Eu espero que você tenha sentido isso e que no seu velório, você tenha visto o grande número de pessoas presentes que amavam você. Em sua missa de sétimo dia havia muita gente, menos eu, pois um dia antes tinha passado por uma cirurgia, mas alguns amigos meus me ligaram mamãe.
Você escolheu um lindo dia de domingo para partir e, ainda por cima, era o Dia Internacional da Mulher. Isso, por si só, fará com que eu nunca mais me esqueça da comemoração desse dia, porque você foi para mim a protetora, a carinhosa, a mulher que mais me amou na vida.
Uma das coisas que mais guardo de você, foi sua determinação, pois um dia estivemos muitíssimo bem de vida e de repente perdemos tudo, incluindo móveis de nossa casa. Papai e você nunca reclamaram da vida e vendo-os agirem assim, eu também não tinha do que reclamar. Foi uma grande lição para mim, que posso dizer sem sombras de dúvida que aprendi o desapego com vocês.
Sabe mãe, ainda hoje, três anos após sua morte, muita gente ainda se lembra de você com amor e saudade. Você foi muito querida por todos.
Hoje eu estou sozinho mãe, mas eu me lembro dos tempos em que estivemos separados quando perdemos tudo o que tínhamos e cada um de nós foi morar de favor em lugares diferentes. E as circunstâncias de então dificultavam nosso encontro e sei o quanto você sofreu com isso, com as humilhações pelas quais passou.
Eu me lembro de quando estava no Exército, e em um determinado dia você foi com papai até o quartel para me levar lanches e refrigerantes. Não pude vê-los, pois estava fazendo Ordem Unida, mas um visto de vergonha e alegria se apossou de mim naquela manhã. Mas nunca mais me esqueci daquele gesto de amor e preocupação com meu bem estar.
Hoje mãe, em mais um Dia Internacional da Mulher, é para você que eu escrevo, pois você simboliza para mim todas as mulheres do mundo. Você foi mãe, foi tia, foi amiga, foi irmã, foi cozinheira, foi enfermeira, foi minha massagista, minha conselheira, foi sogra, foi avó, foi sorridente, alegre, durona quando era preciso e eu demorei tanto para entender você.
Mas hoje mãe, que você se sinta amada e lembrada, e que Deus te ampare aí no Plano em que você se encontra.
Com todo meu amor!
Ivan
08/03/2012
ANOS DE EXPERIÊNCIA
Quem está à procura de emprego sabe da dificuldade de conquistar uma vaga. As empresas procuram gente jovem e com larga experiência na função que vão desempenhar.
Quem procura o primeiro emprego tem que se sujeitar a uma vaga de estagiário, mas é preciso ter curso universitário completo. Aliás, para quase todas as vagas disponíveis no mercado é exigido curso superior, salvo algumas exceções, onde se pede o curso médio completo. Seria justo, não fosse o Brasil um país que não investe em educação. Escolas até que são construídas, mas o nível de ensino é assustador.
Hoje em dia, muitos engenheiros, advogados e outros profissionais que poderiam ser considerados empresários são vendedores. Criou-se até o cargo de Engenheiro de Vendas, uma dessas grandes bobagens corporativistas deste país.
Quer trabalhar? Quer ter um bom emprego ou mesmo sobreviver com um emprego mais humilde? Estude, tire um diploma.
Esta semana li sobre a nomeação de Marcelo Crivella, senador da República, pastor da Igreja Universal do Reino de Deus, para Ministro da Pesca. Uma das suas primeiras declarações foi que agora vai ter que estudar a pesca. Pelo jeito não sabe nem pescar, mas é um peixe grande.
Sua nomeação faz parte de uma coalisão partidária para dar sustentação ao governo, tanto é que a presidente Dilma até chorou quando teve que demitir o então ministro Luiz Sérgio.
Resumindo, para ser ministro não é necessário ter experiência alguma. Até para ser presidente parece que não é preciso estudo nenhum. A única exigência é ter mais que 35 anos e, no nosso caso, ser brasileiro de nascimento, não por patriotismo.
Se a pessoa tiver sido um militante político na época da ditadura, melhor ainda: as portas da Câmara estarão abertas para ele.
Deputados e senadores votam em projetos de lei sem que ao menos leiam as propostas e o que interessa mesmo são incapazes de fazer. O país precisa de leis mais atualizadas, já que os códigos atuais são de mais de 60 anos e muitos crimes podem nem estar previstos nesses códigos e por isso tantos criminosos de colarinho branco andam soltos por aí. É por isso que para ser governante não é necessário ter experiência.
Ministro Crivella, o senhor sabe apanhar minhocas?
Ivan Jubert Guimarães
03/03/2012
SALVADOR SITIADA
De repente as polícias entram em guerra. A Polícia Militar faz greve para reivindicar melhores salários. Ocupam o prédio da Assembleia Legislativa de Salvador, enquanto outros policiais da corporação fazem uma barreira em frente ao prédio.
Do outro lado a Polícia Federal quer cumprir mandatos de prisão contra os líderes do movimento, talvez não pela greve, mas pelos atos de vandalismo.
Sem força, os federais pedem ajuda do governo e soldados do exército tomam conta das ruas da capital baiana.
A cidade fica parecendo uma praça de guerra, polícia contra polícia e os ladrões e assassinos ficam à solta aterrorizando a população. O número de assassinatos aumentou vertiginosamente, o comércio fechou suas portas e os turistas fugiram. E tudo isso acontece a poucos dias do Carnaval, festa maior da Bahia.
Pessoalmente nunca fui favorável a nenhum tipo de greve por maiores salários. E trabalhei por mais de 30 anos antes de me dedicar a ser um empresário. Todas as vezes que eu não estava satisfeito com salário, pedia demissão e ia trabalhar em outro lugar.
Não conheço uma única greve que não tenha seus motivos políticos. Até mesmo a greve dos metalúrgicos de São Bernardo do Campo nos anos oitenta, foi política e atendeu somente as próprias indústrias automobilísticas, cujos pátios estavam abarrotados de automóveis. Com ela surgiu um herói do povo, que anos mais tarde mostrou sua verdadeira cara: o presidente Lula.
Eu reconheço que os policiais civis e militares ganham muito pouco para colocarem suas vidas em risco perseguindo bandidos, assim como reconheço que os professores praticamente pagam para trabalhar. Médicos trabalham em diversos hospitais para sustentarem suas famílias. Só que esse pessoal além de ter escolhido suas profissões, têm outro tipo de obrigação, já que lidam com a vida humana, com a educação humana e com a segurança humana. Fazer greve em prejuízo da população é não ter fidelidade à sua escolha.
Mas a moda pega, e os policiais militares do Rio de Janeiro já anunciaram uma greve pelo mesmo motivo de seus colegas baianos. E mais um Carnaval famoso vai ficar em perigo nas cidades brasileiras, já que o próprio consulado americano já pediu que seus cidadãos não venham ao Brasil.
O governo assiste a tudo e fica num jogo de braço com os grevistas, postura que sempre adotou contra os trabalhadores.
Nós, gente do povo, não tomamos partido de nada. Apenas ficamos confortavelmente em nossas poltronas assistindo bobagens como os BBB da vida. Longe daqui, lá na Síria estão morrendo centenas de pessoas que querem um regime democrático. O mesmo acontece no Egito e, paradoxalmente, em Cuba o povo está feliz a despeito do embargo econômico imposto pelos Estados Unidos há 50 anos. Não vi essa notícia na televisão não, minha filha esteve lá e, apesar de todas as dificuldades, apesar do racionamento de alimentos, apesar dos cubanos poderem tomar um sorvete somente após os turistas terem feito isso, eles vivem rindo e cantando.
É claro que há dissidentes, isto tem em qualquer lugar do mundo, até no Paraíso.
O que me aborrece são as diferenças sociais, embora eu entenda que sem elas o mundo seria uma chatice e não haveria evolução da espécie. Mas o tratamento do governo, ou governos, deveria ser baseado em dar a cada um o que lhe é de direito: educação, justiça, saúde e segurança. Distribuição de renda já é conversa mole para boi dormir. Se toda a riqueza do mundo fosse distribuída igualmente aos habitantes do planeta, em menos de dois anos essa riqueza voltaria às mãos de onde saíram.
A classe trabalhadora, desde sempre, é prejudicada porque trabalha para um patrão. Por melhor que este seja, a maior fatia do bolo fica com ele.
Mas existe uma classe que nunca faz greve. Não acredita? Mas existe, ou você já viu uma greve de políticos em algum lugar do mundo?
Eles são trabalhadores fiéis ao que fazem, afinal muitos são candidatos e poucos os escolhidos. Então, eles trabalham felizes. Existe coisa melhor do que poder roubar sem ser incomodado? Talvez você ache que seus princípios não permitem que você faça isso, não é? Mas se você sabe que roubam, que mentem, e você não faz nada, você é conivente, é cúmplice também. Se a polícia está em greve, seja você o policial. Defenda seu patrimônio, defenda sua família, mas defenda também o seu irmão.
Esta violência que se espalha pelo mundo é apenas devido a luz que já nos ilumina. Isto sempre aconteceu, mas nós não víamos. As catástrofes naturais também, pois o planeta passa por transformações. Já faz tempo que coisas acontecem aqui mesmo no Brasil, mas que somente agora a mídia divulga, porque não dá mais para esconder.
O litoral do país está diminuindo. O mar avança sobre muitas praias e já destrói casas e conjuntos residenciais e comerciais. E o povo só quer saber quem irá para o paredão no final de semana.
Logo todo o país estará sitiado.
Ivan Jubert Guimarães
08/02/2012
ADIANTA FAZER ISSO AGORA?
Talvez seja apenas para provar que a justiça tarda, mas não falha. Pessoalmente acho que é mais uma história para boi dormir.
De repente surge um fotógrafo que diz ter sido usado pelo DOI-CODI, em 1975, para forjar o suicídio do jornalista Vladimir Herzog dentro dos porões daquele matadouro.
Eu me lembro muito bem daqueles tempos obscuros e desde a primeira vez que vi a foto publicada nos jornais, ficou evidente que não tinha havido enforcamento por suicídio. Como poderia alguém se matar por enforcamento com os pés no chão?
Os militares, na verdade nem foram eles, mas os gorilas civis que trabalhavam para um governo ditatorial que fizeram toda essa palhaçada.
O tempo passa depressa e creio que grande parte, senão a maior, do povo brasileiro não viveu aqueles tempos. Na época éramos pouco mais de 90 milhões em ação, quer dizer, em acomodação.
Muita gente canta a música de João Bosco, O Bêbado e a Equilibrista, mas nem sabe o que está cantando. Quando Bosco fala que choram Marias e Clarices, se referia a Clarice Herzog, esposa de Vladimir.
Não mudou nada, é mais uma artimanha de um governo que quer pegar carona na morte de alguém que se tornou um ícone do jornalismo brasileiro.
Pura palhaçada! Fiquei sabendo somente hoje que existe uma Comissão da Verdade. Comissão da Verdade num país de mentirosos, de políticos corruptos que mentem descaradamente, que sonegam informações e impostos, verdadeiros bandidos, eles sim deveriam ser enforcados.
Quanto ao fotógrafo é outro palhaço, pois só agora após mais de 20 anos do fim da ditadura é que ele vem a público revelar o que todo mundo já sabia. Haja saco!
Ivan Jubert Guimarães
06/02/2012
SOCORRO, O CAPITÃO SUMIU!
Milhares de pessoas faziam a viagem de seus sonhos, muitos casais, crianças, jovens e até mesmo casais em lua de mel.
A noite deveria estar divertida durante o jantar que deveria ser um jantar dançante. De repente, um barulho, pratos e talheres caindo e o natural alvoroço.
Pessoas deveriam estar correndo, algumas gritando, quando o navio começou a se inclinar. A voz do comandante se fez ouvir alegando que se tratava de um problema nas máquinas e que logo tudo estaria resolvido. Dito isso, sumiu.
A tripulação fez a sua parte, colocando os passageiros em botes salva-vidas, obedecendo aos critérios de salvar primeiro, mulheres e crianças.
Muitos chamavam e procuravam pelo capitão e quando viram que ele já havia deixado o navio, chamaram-no de volta, mas ele abandonou o seu posto.
Será que ele estava no jantar, como costumamos ver nos filmes? Ou estaria ele em seu camarote com alguma beldade.
Poderia ter sido muito pior se o navio estivesse mais afastado da costa, apesar de que se isso tivesse ocorrido não teríamos, talvez, este acidente.
As fotos mostram as caras de desespero de muitas pessoas e de alívio em outras. Afinal, para muitas delas, a vida e mais importante do que tudo. Para outras, entretanto, a preocupação era que a bagagem, o dinheiro, as joias ficaram no navio e loco, como sempre acontece, caçadores de tesouros começarão a agir.
Nos filmes a gente sempre vê que o capitão de um navio seja ele de passageiros, mercante ou mesmo de guerra, é sempre o ultimo a abandonar o barco e isso transmite certa segurança aos futuros náufragos.
Este tipo de turismo tem crescido muito nos últimos anos e os oceanos já estão ficando congestionados de navios de luxo, em meio aos grandes petroleiros e navios mercantes, além dos barcos pesqueiros que precisam ir cada vez mais mar adentro. Quem diria que isso um dia iria acontecer.
Para muito dos passageiros este tipo de cruzeiro já se tornou um hábito, para outros, entretanto, foi preciso juntar dinheiro, fazer economia para realizar um sonho. Muitos já chegaram aos seus países de origem apenas com a roupa do corpo, aliviados por estarem vivos. E agora? Férias interrompidas, bagagem no fundo do mar, roupas, joias, presentes...
O capitão está preso e deverá ser condenado pela imperícia e abandono do barco. Sorte que a tripulação ficou e mais sorte ainda que um tripulante só saiu do navio após todos os passageiros terem saído.
Aqueles que eventualmente jantavam com o capitão deveriam estar muito orgulhosos de estarem sentados à mesa do comandante. E agora?
Mesmo depois do Titanic já aconteceram casos com muitas mortes e vão tornar a acontecer, porque conhecendo os homens, logo outro navio irá substituir esse que afundou. Ou talvez até o próprio.
Com tanta tecnologia não era para ter acontecido. Ninguém deveria estar olhando o radar, ou seja lá o que for.
Ivan Jubert Guimarães
16/01/2012
cÃES, GATOS E OUTROS BICHOS
Eu tenho recebido muitos e-mails mostrando lindos animais, principalmente cães fazendo brincadeiras com bebês, gatos levados brincando com cachorros, e muitas mensagens e filmes que mostram a solidariedade do mundo animal, com leoas amamentando ursinhos, porcos se alimentando nas tetas de uma vaca, cadelas dando de mamar a porquinhos e muitas outras cenas que enternecem meu coração.
Ao mesmo tempo, eu vejo nos noticiários pessoas maltratando animais de estimação na frente dos próprios filhos. São muitos os casos e recentemente alguns deles foram por demais explorados pela mídia, como o caso da enfermeira que espancou um cãozinho porque ele latia demais. Outa notícia que chocou as pessoas, foi a de uma mulher que matou algumas dezenas de animais.
Dá raiva ver notícias como estas, todavia, existem também pessoas que graças a Deus recolhem animais pelas ruas e lhes dão um bom tratamento, cuidam de feridas e acabam por adotar principalmente os cães e às vezes os gatos. Chega a emocionar saber que existem pessoas assim.
Por outro lado vemos pessoas que não possuem um teto para se abrigar, que comem nas ruas os restos que bares e restaurantes jogam no lixo. Pessoas que cheiram como os animais que são apanhados e recolhidos pelas ruas.
Homens, mulheres e até crianças que dormem nas ruas acabam se voltando para as drogas e não se pode condená-los. Viver à margem de uma sociedade hipócrita que ignora os diretos humanos é o caminho mais fácil para as drogas. Estas provocam uma sensação de alienação e calor diante da frieza com que são tratados. É claro que não estou fazendo apologia do uso das drogas. Mas quando a televisão mostra pessoas se drogando em plena luz do dia, durante a noite, ninguém liga mais. O crack virou o alimento e o cobertor dessas pessoas que mesmo em grupo são solitárias.
Eu fico estarrecido quando vejo pessoas de uma mesma família sendo drogada. Mãe e filhos usando drogas das quais é muito difícil escapar. As pessoas que passam por locais onde aqueles que se drogam habitam sentem medo e pedem providências para a polícia. Gente hipócrita. Não fazem nada para ajudar e preferem carregar no colo seu cão maltês do que dar a mão a um irmão necessitado.
Nesse vergonhoso reality show que a Band infelizmente leva ao ar com o nome de Mulheres Ricas, há quem dê água Perrier para seu cão de estimação.
Alguns ainda mostram toda sua hipocrisia quando chega a época do Natal e aí fazem donativos para entidades, orfanatos, creches e asilos. Como se essas pessoas só sentissem fome no Natal.
Dá-se mais importância aos animais, como cães, gatos, baleias, focas e outros bichos do que aos homens que morrem diariamente diante de nossos olhos, em hospitais, em tiroteios, em atropelamentos e nas guerras espalhadas pelo planeta. E eu fico pensando que o mundo poderá ser muito melhor no dia em o Ser Humano receber o título de bichinho de estimação.
Ivan Jubert Guimarães
15/01/2012
MULHERES OCAS
Domingo passado assisti boa parte do programa Mulheres Ricas na Band. Fiquei assobrado com a riqueza de vazio que existe em todas as participantes. Quanta futilidade, quanta agressão às mulheres deste país. Para se ter uma ideia, uma delas, que deve ter a idade original da boneca Barbie, ganhou de presente uma Barbie com sua cara e se vangloria muito disso.
Outra diz que comprar um avião é como comprar uma blusa e ao entrar em uma loja de grife, adorou um vestido e pediu que o gerente mandasse o vestido para que ela provasse em casa, pois estava cansadinha.
Algumas dessas mulheres parecem trabalhar, mas o negócio delas é gastar dinheiro, muito dinheiro. Vestem-se em casa como se fossem para um passeio elegante. Usam roupas caras e joias, mas não possuem a elegância necessária, pois o dinheiro até compra a elegância, mas não compra a classe.
Apenas uma delas, que já foi uma sem terra e hoje pilota na Fórmula Truck, parece ser uma pessoa natural. Em casa, veste-se de jeans, trabalha com o marido, aliás, o único que apareceu no programa que assisti. Sabem de quem falo não é mesmo?
Parecem ser tão amigas e dizem I Love You a todo instante e sempre com uma taça de champanha nas mãos, seja em casa, nas lojas, nos barcos ou nos aviões. Uma delas disse que se ficar um dia sem beber água mineral Perrier, ela morre e, acreditem, o cachorro que trabalha junto com ela também bebe Perrier em um copo.
Nada contra o dinheiro que possuem, afinal dão emprego a um monte de gente, seguranças, motoristas, pilotos, empregados domésticos, etc.
Pelo jornal do UOL li que duas já estão de briga.
São estereótipos de mulheres, representam (mal) os seus papéis e aquelas que mostraram filhos ou filhas, deixaram ver que eles seguirão o mesmo caminho.
Foi a primeira e última vez que vi essa baboseira e fico indignado que agora começa, de novo, outro Big Brother Brasil, onde figuras caricatas tentam chegar ao estrelato se decompondo na imoralidade que o programa sugere. Aqui o pessoal quer dinheiro. Lá, as mulheres ricas gastam muito dinheiro.
Enquanto toda essa alienação acontece, milhares de pessoas estão perdendo suas casas devido às fortes chuvas que assolam todo o sudeste brasileiro. Muitos estão morrendo com os deslizamentos de terra. Parte do país vive uma seca terrível e seca e chuvas demais, provocam uma elevação acentuada nos preços dos alimentos.
Para as mulheres ricas isso não chega a ser um problema, afinal arroz e feijão é coisa de pobre. E para os heróis do Bial também não, pois enquanto parte do país passa fome, eles se alimentam de graça, pelo menos enquanto estiverem no programa,
Vocês podem até dizer que todos têm o direito de se divertir. Eu concordo, todos têm esse direito, inclusive os pobres.
Ivan Jubert Guimarães
11/01/2012
UM PRÊMIO EXPLOSIVO
Alfred Nobel foi um daqueles cientistas explosivos no mais amplo sentido da palavra. Trabalhou com o pai até a falência dele. O ramo? Explosivos.
Fundou sua própria empresa no ramo que já dominava muito bem. Em um acidente com nitroglicerina seu irmão perdeu a vida e Alfred continuou seu trabalho e com a manipulação da nitroglicerina, inventou a dinamite.
Parece nunca ter se casado e não teve filhos. Assim, no fim da vida, criou uma fundação que deveria dar um prêmio àqueles que se destacassem na física, química, medicina, literatura, economia e também para a paz no mundo.
A história nos diz que ele fez isso, pois estava desolado com o uso de suas invenções para fins bélicos. Não sei para que serviria um produto como dinamite a não ser para a destruição.
O prêmio que leva o seu nome virou uma jogada política para a maior parte dos países que tiveram vencedores. Muitos dos cientistas ganhadores nunca desenvolveram suas invenções, mas escreveram artigos e foram laureados com o prêmio, pelos artigos e não pela funcionalidade de seus inventos.
Muitas pessoas pelo mundo já se destacaram por suas invenções ou na literatura, onde escreveram grandes obras. No entanto, a política fala mais alto, muito mais alto.
Não há critérios definidos para que um país indique alguém para receber o prêmio. Muitas vezes um cientista trabalha anos a fio tentando descobrir um novo medicamento e quando está prestes a concluir seu trabalho, um assistente qualquer rouba o projeto e ganha a atenção do mundo.
Como diria Odorico Paraguaçu, o que interessa é o finalmente.
O Brasil já teve grandes nomes que poderiam ter sido indicados para algumas das categorias do prêmio, mas nunca soube fazer a indicação correta, assim como costuma fazer na indicação de um filme para o Oscar, ou até mesmo para um membro da Academia Brasileira de Letras. Ainda bem que isso não é uma prerrogativa brasileira, haja vista os títulos que o ex-presidente Lula ganhou nos últimos tempos.
Agora, para mim, o Prêmio Nobel acaba de perder todo o significado, se é que algum dia o teve. O Brasil vai indicar nada mais, nada menos, do que o Senhor Jean-Marie Faustin Goedefroid de Havelange para concorrer ao Prêmio Nobel da Paz. Isso mesmo, da Paz. Um homem que passou mais da metade da vida, e ele tem 96 anos, como um ditador, primeiro da CBD – Confederação Brasileira de Desportos e depois da FIFA.
Eu já disse outras vezes aqui que adoraria receber o Prêmio Nobel e também ser indicado para a Academia Brasileira de Letras, só para ter o prazer de recusar. É muito melhor viver no meio de pessoas decentes do que ao lado de ladrões laureados como grandes homens.
Ivan Jubert Guimarães
10/01/2012
ANO NOVO FELIZ
O tempo é eterno e nele somos simples passageiros, assim como em um trem ou avião. Tudo depende da pressa que temos.
Acho bonitos os desejos de Feliz Ano Novo, mas quando tiro a última folhinha de meu calendário e coloco um novo calendário da parede da cozinha, eu percebo que a única coisa que mudou foi a folhinha. Tudo fica igual como era antes.
O ano novo é apenas uma questão de calendário, no nosso caso o calendário Juliano, mas para os judeus o ano não termina hoje e nem para os chineses, povos milenares que já habitavam o planeta antes dos romanos o conquistarem.
O mês de julho foi uma homenagem a Julius Cesar, assim como agosto ao imperador Augustus e assim por diante. Como foi uma criação humana, até baseada na astrologia, uma não com 12 meses e 365 dias que é o tempo em que a Terra leva para dar sua volta em torno do Sol, dezembro poderia se chamar outubro. Dezembro deveria ser o 10º mês do calendário, novembro o 9º, outubro o 8º, setembro o 7º e assim retroativamente. O ano terminaria em fevereiro assim como o ano fiscal de muitas empresas do país e do mundo, cujo período vai de março a fevereiro.
Que o “ano novo” seja bom para todos também é o meu desejo. Vou estourar meu champanha, mas não sei se preciso esperar dar meia-noite para isso. Estou sozinho e a quem irei cumprimentar? Certamente sairei à varanda do apartamento onde moro e olharei para o céu e verei que da meia-noite de hoje para o primeiro segundo de amanhã, tudo continuará exatamente igual.
Não é o ano que tem que mudar para fazer você feliz. É você que tem que mudar para ser feliz e fazer o seu mundo mais feliz, começando por você mesmo.
Ano que vem vou parar de fumar, vou emagrecer. Vai nada! Vai fumar e engordar ainda mais se você ao mudar de atitude.
O tempo é eterno, ele não passa. Somos nós que passamos por ele e estamos andando cada vez mais depressa perdidos em nossa insatisfação com a vida, querendo sempre mais do que podemos carregar.
Muito do que você tem já estava aqui antes de você chegar e, então, por que razão você acha que é seu? Essa preocupação com o ter é que o torna infeliz e não é o Ano Novo que mudará isso. Você será feliz quando quiser ser apenas Ser.
Quem você é? Médico? Advogado, Professora, Modelo, Artista? Enquanto você precisar de um predicativo do sujeito após o verbo ser, você ainda não é.
Pense nisso e seu ano novo será bem melhor.
Ivan Jubert Guimarães
31/12/2011
ÁRVORE DE NATAL
Quando se aproximava o Natal, minha mãe e eu armávamos nossa árvore e depois nós a enfeitávamos lindamente com aqueles enfeites e bolas de vidro. Tinha de tudo nos enfeites, Papai Noel, cachimbos, bengalas, estrelas e muitas bolas coloridas, além de outros enfeites que não me lembro mais.
Eram árvores grandes e eu, ajoelhado, colocando alguns enfeites, ficava bem pequeno diante da grandeza da nossa árvore de Natal. Eu não conseguia colocar enfeites nos lugares mais altos e minha mãe tinha que subir em alguma coisa para colocar a estrela no topo da árvore. Às vezes ela até me levantava no colo para que conseguisse encaixar a estrela de Natal no topo. Depois jogávamos pedaços de algodão para imitar flocos de neve.
Carreguei essa tradição de armar árvores grandes para os meus filhos que já são crescidos assim como eu também cresci há muito tempo.
A árvore que tenho montada em casa, atualmente, é bem pequena, talvez não chegue a dois palmos de altura, mas para mim possui uma enorme grandeza. Parece ser tão grande quanto nos meus tempos de criança, pois a saudade daqueles natais ainda persiste em meu coração.
Embora eu confesse que já não curto os natais de hoje como os de antigamente, pois não vejo mais nenhum brilho nos olhos das pessoas, continuo tentando lustrar meu coração nesta época. Embora eu reconheça que o dia 25 de dezembro não é a verdadeira data do nascimento de Jesus, pois foi criada muito tempo depois de sua morte.
Embora seja uma tradição importada, a árvore de Natal possibilita que algo tome conta de nossas mentes e também de nossos corações.
Eu resolvi falar de árvores natalinas devido a uma música que ouvi e que me transportou para o meu passado. A música chama-se First of May (Primeiro de Maio) e é cantada por uma das melhores bandas de todos os tempos, os Bee Gees, cujo primeiro verso diz: “When I was small, and Christmas trees were tall”... “Now we are tall, and Christmas trees are small”...
Quanta coisa aconteceu nesse intervalo de tempo entre aquele que a árvore era grande e eu pequeno e agora quando a árvore parece ter encolhido. Talvez isso aconteça por eu ainda não ter o tamanho que eu imagino ter. Eu devo ter crescido apenas na altura, mas ainda me falta o tamanho para ter a grandeza de um Jesus, de um Buda e de tantas outras mentes brilhantes que já passaram pela Terra.
Que árvores de Natal continuem a crescer em todo o mundo, que seus enfeites embelezem países cristãos e não-cristãos. Natal não é uma festa cristã, é uma festa para toda a humanidade independentemente de crenças.
Monte sua árvore, por menor que seja, e se não houver enfeites, enfeite-a com sua fé.
Ivan Jubert Guimarães
15/12/2011
PEQUENOS DEVANEIOS DE UMA MENTE VAZIA
Tenho por hábito fazer alguns exercícios de relaxamento mental, entrar no estado Alfa e expandir minha consciência. Um das coisas que faço para mudar meu estado é esvaziar a mente e, para isso, é preciso silêncio descontração.
Normalmente faço isso em minha casa, raramente na rua. Mas já dirigi muitas vezes no estado Alfa e nessas ocasiões fico bastante calmo ao volante.
Outro dia entrei em um engarrafamento gigantesco. Não adiantava xingar, buzinar ou perder a paciência. Respirei fundo a fumaça de óleo diesel que escapava dos ônibus e caminhões à minha frente e entrava pelo ar condicionado do carro.
Não sei ao certo se isso me fez relaxar ou me intoxicar, mas o fato é que me deixei levar por aquele estado de calma e passei a não pensar mais naquele trânsito maluco. Bem, na verdade, eu pensei sim, mas de outra forma.
Não sei quantos automóveis rodam diariamente por São Paulo, falam em um milhão, mas não sei mesmo e nem me interessa muito, já que a cidade está parando deixando para trás o antigo slogan de que “São Paulo Não Pode Parar”.
Fiquei imaginando a cidade sem automóveis, sem ônibus, sem caminhões, sem motocicletas ou bicicletas. Como seria?
Como a mente estava vazia vieram muitos pensamentos que eu deixava passar como se fossem nuvens. Mas um deles insistiu em ficar comigo e era até meio engraçado.
Eu imaginei a cidade com essa população enorme e sem nenhum veículo automotor. Mas tirei também as bicicletas que hoje também atrapalham o trânsito.
Imaginei aqueles tempos do faroeste ou mesmo da São Paulo do século XIX, quando ainda não existiam nem os bondes. Em lugar dos ônibus, diligências; em lugar dos caminhões, carroças; em lugar dos carros, charretes e em lugar das motos, cavalos. Nada de veículos com 40 cavalos ou mais, como hoje. A diligência teria 6 ou 8 cavalos, a carroça dois, a charrete um e os cavaleiros usariam apenas o seu cavalo.
Não haveria troca de animais como hoje se fazem por carros. Muitas pessoas trocam de carro anualmente, mas ninguém trocaria seu cavalo por um cavalo do ano, até porque ele não serviria para nada.
Não haveria mais fumaça e nem gás carbônico pelos ares, mas não se pode esquecer de que cavalos costumam defecar andando e até mesmo correndo. As ruas ficariam cheias de bosta desses animais e, talvez, essa bosta fosse responsável pela emissão de muitos gases. Já culparam as vacas, por que não os cavalos?
A conclusão é que nós ficaremos livres da poluição tão cedo, pois quem mais polui o ambiente, não são os carros, nem as vacas e nem os cavalos. Poluição é uma coisa criada pelo homem, nós somos os agentes poluentes. Assim, vi que a poluição só acabará quando acabarem os humanos. Até lá temos a opção de escolher o que queremos respirar: gás carbônico ou bosta de cavalo.
Ivan Jubert Guimarães
14/12/2011
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